o que é o diagrama de ishikawa

Diagrama de Ishikawa: o que é e como fazer (passo a passo)

O Diagrama de Ishikawa é uma ferramenta muito útil na hora de fazer a gestão e o controle da qualidade dentro de uma organização.

Também conhecido como Diagrama de Causa e Efeito, ele se propõe a investigar os problemas mais comuns na produção, relacionando as mais prováveis causas que impactam nesse resultado.

Essa é uma ferramenta que já existe há pelo menos sete décadas, mas que ainda segue importante e extremamente útil para otimizar o trabalho dos mais diferentes segmentos.

Para a sua aplicação na gestão da qualidade, a ideia é agrupar as causas mais semelhantes em seis diferentes grupos, conhecidos como os 6M do Diagrama de Ishikawa.

A partir disso, o gestor pode observar quais são os problemas que mais comumente atrapalham a produção e eliminá-los para melhorar os níveis de produtividade.

Na gestão de pessoas, por outro lado, esse cenário muda um pouco e são quatro as categorias possíveis, conhecidas como os 4Ps do Diagrama.

Se você se interessa pelo assunto, continue lendo para saber todos os detalhes dessa poderosa ferramenta e aprender, passo a passo, como utilizá-lo em seu trabalho.

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O que é o Diagrama de Ishikawa?

Criado em 1943 pelo engenheiro químico japonês Kaoru Ishikawa, a ferramenta de gestão e controle é também conhecida como Diagrama de Causa e Efeito, Diagrama Fishbone ou ainda, na tradução, Diagrama Espinha de Peixe.

Enquanto o primeiro nome se refere, obviamente, a seu criador, o segundo fala da função principal do método: encontrar as relações de causa e efeito.

O nome “espinha de peixe”, por sua vez, faz referência ao formato do diagrama: um eixo reto na horizontal que é interpelado por outras linhas perpendiculares, assumindo um formato que lembra as vértebras de um peixe.

Como uma ferramenta de análise e resolução de problemas, ela permite a visualização rápida e simplificada das possíveis variáveis que o ocasionam.

Muito utilizado no dentro da metodologia Six Sigma, o Fishbone permite um entendimento fiel do cenário atual da empresa, facilitando a interpretação dos dados e indicando as oportunidades de melhoria.

Qual é a finalidade do Diagrama de Causa e Efeito?

Como o nome indica, o diagrama foi criado com objetivo de representar as relações entre causa e efeito dos erros na produção.

O que começou como uma ferramenta específica para o controle da qualidade ganhou campo com o passar das décadas, adaptando-se às necessidades de outras áreas.

Em sua aplicação, o método ajuda a descobrir quais são os problemas mais comuns e quais são as práticas mais prejudiciais dentro da empresa.

Para isso, organiza e expõe de forma gráfica questões que atravessam o cotidiano da organização e comprometem a produtividade.

O Diagrama de Ishikawa é especialmente útil por permitir a troca de experiência entre vários setores, registrando percepções de diversos membros da equipe sobre um mesmo problema.

No fim, o gestor pode visualizar a conexão entre o efeito observado (representado no lado direito) e todos os fatores que possivelmente contribuem para ele (desenhados à esquerda).

O Fishbone serve para deixar claro quais são os dados mais importantes, os problemas mais urgentes e, ainda, aponta para as soluções mais viáveis.

o que são os 6 m do diagrama de ishikawa

Os 6M do Diagrama de Ishikawa

Um dos pontos fortes do Diagrama de Causa e Efeito é que ele ajuda a descobrir qual a raiz dos problemas que atrapalham a produção.

Dentro da gestão da qualidade, classifica as principais causas e as organiza em seis categorias, conhecidas como os 6M.

É claro que nem toda empresa vai contar com todas as categorias de causa, e a definição das mais recorrentes parte de uma análise do mercado e também do contexto da organização.

Conheça abaixo os 6M do Diagrama de Ishikawa:

  1. Medida

Essa categoria de causas diz respeito aos erros que acontecem por falhas na medição de métricas e índices de qualidade.

Aqui, entram todos os elementos que podem influenciar em avaliações incorretas e que dão um panorama equivocado da qualidade da produção.

Dentre possíveis causas de um erro de medida, estão a falta de calibração dos equipamentos, a falta de periodicidade ou ausência de inspeções de qualidade.

Pode ser ainda que o erro seja causado por uma definição incorreta das métricas mais úteis para avaliar a produção.

  1. Material

As causas dessa categoria estão relacionadas ao mau uso e gestão dos insumos e materiais implicados durante a produção.

Há empresas que acabam utilizando muito mais do que é necessário, em um excesso que vira um desperdício naturalizado no dia a dia.

É preciso saber exatamente a quantidade de insumos necessária para a produção de uma unidade para, assim, garantir que o uso dos recursos ficará dentro do que foi especificado.

A qualidade dos materiais também é uma questão sensível para essa categoria.

Portanto, é preciso manter um relacionamento de confiança com os fornecedores para evitar que um insumo defeituoso seja a causa dos seus problemas.

  1. Máquina

Pode acontecer de empresas terem sua qualidade comprometida por erros causados pelo mau funcionamento de máquinas e equipamentos.

Nessa categoria, entram possíveis defeitos de produção, assim como atrasos provocados por um equipamento desatualizado ou desconfigurado.

Esses problemas são, muitas vezes, causados pela ausência de manutenção ou fiscalização preventiva, assim como a falta de investimento em novas tecnologias.

Para evitar atrasos ou erros, é preciso criar sistemas de inspeção periódica, atribuindo a um profissional a responsabilidade de garantir o bom desempenho do maquinário.

  1. Mão de Obra

Reúnem-se nessa categoria todos os erros que têm causa humana, ou seja, são decorrentes da ação dos funcionários.

Aqui falamos de falhas causadas por imprudência, pressa ou desatenção durante a execução das tarefas.

É do gestor a função de garantir que todos os membros da equipe estejam capacitados para desempenhar suas funções, oferecendo todo o suporte necessário durante o treinamento e também feedbacks quanto à qualidade do trabalho entregue.

O único jeito de eliminar erros de mão de obra é criando um fluxo de trabalho claro, onde estará descrita detalhadamente a função de cada setor.

Só assim você pode ter um processo à prova de falhas.

  1. Método

O método é a categoria que diz respeito aos procedimentos e sistemas empregados pela organização para atender sua demanda de produção.

Esses sistemas podem ser informatizados, como no caso dos softwares de gestão, ou analógicos, com o uso de ferramentas de planejamento clássicas.

Os erros dessa categoria são causados por um desempenho insuficiente dos métodos escolhidos.

Por isso, é importante investir em sistemas que se encaixam nas suas necessidades, mantendo-se também atualizado sobre novas e melhores soluções que possam existir no mercado.

  1. Meio Ambiente

Esta última categoria tem ganhado cada vez mais destaque nos últimos anos com a urgência trazida pela crise ambiental em que o planeta se encontra.

Agrupamos aqui todas as causas que dizem respeito ao ambiente interno da produção e também questões globais sobre preservação ambiental.

Dentro da empresa, é importante manter um espaço agradável, confortável e funcional para que os funcionários possam desempenhar suas funções da melhor maneira possível.

Em uma escala macro, o aquecimento global causado pela intensificação do efeito estufa demonstra a urgência em pensar em ações preventivas para diminuir a poluição e o impacto ambiental causado pela produção.

4p do diagrama espinha de peixe

Os 4 Ps do Diagrama de Espinha de Peixe

Como já destacado, as aplicações do Diagrama de Ishikawa ultrapassaram o contexto industrial, adaptando-se para atender às necessidades de diferentes áreas.

As mudanças são sutis, geralmente relacionadas às nomenclaturas e categorias usadas para a análise.

É isso o que acontece na aplicação dentro da gestão de pessoas.

De responsabilidade do departamento de Recursos Humanos, a área tem muito a ganhar com a aplicação do Diagrama Espinha de Peixe em sua tomada de decisão.

Os seus elementos básicos, porém, seguem os mesmos: um eixo principal com os problemas e causas mais comuns representados com intersecções na perpendicular.

As causas são classificadas em quatro categorias, conhecidas como o 4 Ps.

  1. Políticas

Quando falamos em “políticas”, nos referimos ao conjunto de premissas e normas que guiam a relação da empresa com seus funcionários e também com os clientes.

Essas regras são definidas seguindo os aspectos característicos daquela organização e, por isso, falam bastante sobre sua missão e seus valores.

Os problemas geralmente surgem quando uma empresa tenta replicar a estratégia de outra.

Dificilmente será possível obter o mesmo resultado ao copiar uma receita pronta sem fazer as adaptações necessárias para atender às suas políticas.

  1. Procedimentos

Essa categoria se refere a todos os processos envolvidos na produção de um produto ou serviço.

Da definição do conceito, passando pelo controle da qualidade, pela divulgação até o atendimento ao cliente no pós-venda: tudo entra como procedimento.

Resumidamente, esses são os aspectos que devem ser observados para garantir que o valor entregue atende – ou supera, se possível – as necessidades do cliente.

É preciso realizar testes e manter um controle da qualidade para garantir que não hajam erros causados por procedimentos mal estruturados ou executados de maneira equivocada.

  1. Pessoas

Uma das categorias mais complexas, aqui se agrupam todas as questões de quem está envolvido ou será afetado pela produção: funcionários, stakeholders, clientes e até mesmo vizinhos da empresa.

Por lidar com o fator humano, é importante que a gestão desses problemas não programe regras rígidas, mas dialogue com as partes envolvidas para chegar à melhor receita.

Na gestão da equipe, é preciso incentivar boas práticas e reprimir comportamentos negativos e que potencialmente serão entraves para a produtividade.

Na relação com stakeholders e com a vizinhança, o gestor precisa entender bem quais são suas necessidades para adaptar a produção e, sempre que possível, agir preventivamente.

  1. Plantas

Por último, mas não menos importante, temos os problemas causados por erros na planta.

Essa categoria não se refere à jardinagem, mas à planta geral dos negócios, o mapa que vai indicar o caminho para a produção.

Aqui, entram questões de planejamento macro, como o layout da empresa, o mapeamento de todos os equipamentos e ferramentas necessários para o andamento dos trabalhos, entre outras.

Empresas que não se atentam à planta durante a produção podem sofrer com problemas de qualidade, fruto da falta de organização ou da incapacidade de se adaptar às demandas do público.

Como Fazer o Diagrama de Ishikawa Passo a Passo

Todas as funcionalidades e usos do Diagrama de Ishikawa fazem com que ele pareça, à primeira vista, um tanto complexo para desenvolver.

Mas não se engane.

A boa notícia é que fazer um diagrama é mais fácil do que muitos imaginam e, conforme o tempo passa, seu uso fica ainda mais intuitivo.

Como já dissemos, o desenho parte de um eixo horizontal que representa o objetivo final da produção, atravessado por linhas diagonais que são as possíveis causas.

Enquanto as “espinhas” principais remetem às causas primárias, as suas ramificações indicam causas secundárias ou que aparecem como uma consequência no processo.

Como exemplo para melhor visualização, veja a imagem abaixo, disponível na Wikipedia e atribuída à Fabiano SS.

Observe que  tudo começa pela definição do problema ou efeito a ser analisado.

A partir disso, será preciso levantar os dados relacionados com a ajuda de uma equipe multidisciplinar, que pode oferecer diferentes perspectivas da mesma questão.

O grupo vai, então, discutir quais são as causas mais comuns, categorizar essas ocorrências e apontar possíveis soluções para acabar com o problema atacando suas causas.

Desse estudo nasce a versão final do Diagrama de Ishikawa, incluindo um plano de ação que vai guiar o trabalho dali em diante.

É importante ter muita atenção nessa última etapa para garantir que as informações sejam registradas de maneira clara e, assim, instruir o trabalho de toda a equipe.

Exemplos do Diagrama de Ishikawa

O poder do Diagrama de Ishikawa é demonstrado pela flexibilidade do método que permite que ele seja aplicado nos mais diversos segmentos, aumentando a competividade e fortalecendo a imagem da empresa.

Essa grande adaptabilidade e a simplicidade no uso justificam o seu sucesso mais de 70 anos após sua criação no Japão.

Uma ferramenta simples, mas robusta, o Fishbone reúne perspectivas das diversas áreas para construir um panorama sobre o problema abordado.

Abaixo, você pode conferir exemplos de aplicação do diagrama em diferentes contextos.

Diagrama de Ishikawa na Enfermagem

Na Enfermagem, assim como em outras profissões da área da saúde, um erro pode significar uma questão de vida ou morte.

Nesse sentido, o Diagrama de Causa e Efeito é muito útil para agir preventivamente: ele permite investigar falhas recorrentes e eliminá-los atacando suas causas mais comuns.

Em um hospital, por exemplo, as alergias medicamentosas haviam se tornado um problema sistemático.

Com o estudo, pôde-se observar que faltava treinamento da equipe e diálogo com os pacientes e cuidadores para identificar quem era alérgico.

A partir dessa percepção, fornecida pelo diagrama, um plano de ação foi desenhado para agir preventivamente, instituindo formulários e pulseiras sinalizadoras nos pacientes e promovendo campanhas de conscientização entre os enfermeiros.

Diagrama de Ishikawa na Área de TI

A área de Tecnologia da Informação é outra que se beneficia muito com a aplicação do Diagrama Espinha de Peixe.

Nesse contexto, ele funciona como uma ferramenta para diagnosticar e resolver problemas cotidianos de desempenho e outros, mais complexos e estruturais.

Identificar as relações de causa e efeito nem sempre é fácil dentro do ambiente da TI.

Por isso, o diagrama é especialmente útil, já que permite relacionar de uma só vez todas as variáveis e planejar testes antes de montar um plano de ação.

Diagrama de Causa e Efeito em um Projeto Green Belt

Como uma ferramenta de gestão da qualidade, o Diagrama de Causa e Efeito é bastante utilizado dentro da metodologia Lean Six Sigma.

Ela propõe uma abordagem pragmática para a controle dos erros a partir da análise de dados para fazer a tomada de decisões.

A certificação é emitida em quatro diferentes níveis, sendo Green Belt a mais avançada para atuação no mercado de trabalho.

Gestores Green Belt estão prontos para liderar grandes projetos, utilizando o Diagrama de Causa e Efeito como uma de suas ferramentas para promover melhorias contínuas e evitar desperdícios na produção.

Diagrama Fishbone no Marketing

Para o marketing, o Diagrama Fishbone pode ser bastante útil na hora de registrar e analisar os dados para construir um planejamento que seja assertivo e atenda aos objetivos da empresa.

Isso porque essa é uma área bastante dinâmica e que, por definição, trabalha adaptando-se aos feedbacks dos clientes e dos resultados de vendas.

Com o diagrama, o profissional do marketing pode levantar hipóteses, propor testes para aperfeiçoar os processos e traçar um plano de ação que seja à prova de falhas.

como utilizar a ferramenta

Conclusão

Presente nas indústrias desde a década de 1940, o Diagrama de Ishikawa é uma ferramenta de gestão da qualidade que se provou muito útil com o passar das décadas.

Sua grande flexibilidade fez com que ganhasse espaço também como método de aperfeiçoamento de sistemas, serviços, gestão de pessoas, entre outras áreas.

As relações entre causa e efeito são representadas no diagrama de maneira a facilitar a análise e a categorização dos elementos mais recorrentes.

Ainda que seja simples de ser aplicado, ele é bastante abrangente, capaz de reunir em um só lugar diversas perspectivas de um mesmo problema – o que simplifica o desenvolvimento de um plano de ação assertivo.

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