O Lean Six Sigma e a Inovação

O Lean Six Sigma e a Inovação

Thomas Edison inventou a lâmpada de filamento, Alexander Graham Bell inventou o telefone, e Steve Jobs sozinho levou a Apple à invenção do Iphone. Após o sucesso, fica fácil darmos conta das tecnologias de ruptura e acharmos quem era foi inventor e qual foi sua grande ideia.

Com o gênio certo e a ideia certa, pensamos que ficar rico, famoso e mudar o mundo é o caminho natural. Esta é a visão romântica da inovação, mas quando você elimina o marketing e começa a enxergar o que realmente aconteceu, você dificilmente encontrará uma relação linear entre alguma grande ideia e a inovação de ruptura. Na maioria das vezes as ideias fundamentais para aquela inovação vieram de outras pessoas e não do “gênio” que acabou levando o crédito.

Toyota e o Lean

Quando pensamos sobre a Toyota e o Lean, uma hipótese comum é que a melhoria continua é sinônimo de inovação incremental, feita por meios de pequenos passos. Dizemos que a Toyota é como uma tartaruga, que caminha devagar e sempre. Muitos falam que a empresa não quer acelerar seu desenvolvimento e de que não valoriza as grandes ideias, focando apenas nos pequenos sucessos, e sacrificando seus resultados no campo da inovação. “Deixe as grandes sacadas, com os nossos competidores”. Há alguma verdade nesta visão, mas não da maneira como as pessoas costumam pensar.

Grandes inovações são imprevisíveis e assim, há um grande problema se uma empresa depender delas para gerar lucro. Quando tudo vai bem e dá certo, elas são ótimas. E por isto, a Toyota busca emplacar o maior número de grandes inovações que ela consegue. Porém, o negócio dela exige mais previsibilidade para que ela possa se adaptar ao ambiente de maneira apropriada e entregar valor aos seus clientes de maneira constante. Para sobreviver no longo prazo, você deve inovar constantemente e só depender das grandes ideias, não irá fazer você sobreviver. Por isto, a Toyota acredita que é possível planejar a inovação se a empresa tiver um propósito claro.

Toyota faz isto há muito tempo

Isto pode parece uma contradição, mas a Toyota faz isto há muito tempo. A Toyota tem o híbrido Prius e em alguns modelos da linha Lexus como inovações de ruptura, mas uma nova tecnologia como esta é somente a ponta do iceberg da inovação. Quando olhamos para um processo e definimos quem em seu estado futuro ele deverá ter metade do espaço e metade das pessoas, nós estamos nos preparando para a inovação. Fato semelhante acontece quando definimos os objetivos para um novo automóvel (ter o mesmo tamanho, economizar o dobro de combustível e ter mais espaço interno). Neste processo de inovação, começa-se com a visão do estado futuro e as metas, e depois, todos os esforços são focados para que estas metas sejam atingidas dentro do cronograma pré-definido.

O pressuposto básico deste processo é que pessoas são responsáveis pela inovação. A inovação não vem dos computadores, do Lean ou do Six Sigma. É a criatividade individual e a persistência que transformam o mundo. Cada kaizen, por menor que seja, torna as pessoas mais confiantes e inovadoras.

The Toyota Way to Continuous Improvement

Jefrey Liker no seu livro “The Toyota Way to Continuous Improvement” afirma que algumas pessoas dentro da Toyota especulam que uma das razões para a criação do Prius foi encorajar o departamento de P&D da empresa a pensar em inovações mais fundamentais. Sendo o projeto muito mais orientado ao desenvolvimento das pessoas do que à criação de um produto de ruptura para a Toyota.

Outro fato importante é que a inovação pode ter vários tamanhos de escopo. Começar com uma meta desafiadora de eliminação de defeitos da qualidade resultantes de um problema em parafusadeiras irá trazer inovações tanto quando um projeto que comece com uma meta de se criar um novo veículo que economize o dobro de combustível e não emita poluentes. Mesmo com escopos de volume de resultados diferentes, ambos são inovações.  

Para alcançar a inovação de uma maneira planejada, a empresa quebrar grandes problemas e problemas menores. Para isto, é importante usar e abusar dos ciclos PDSA (Plan – Do – Study – Act). São eles os responsáveis, nas organizações, por resolver estes pequenos problemas. Vários passos pequenos irão, eventualmente, leva-los a uma grande inovação, se você for persistente. Isto está mais que provado, basta olharmos para grandes inventores como Thomas Edison e até a própria Toyota.

Pode ser que a aleatoriedade do mundo o presenteie com todas as ferramentas e recursos necessário para a criação de uma grande inovação e você faça isto sem nenhum processo estruturado. Mas, é muito melhor e mais seguro  que sua empresa tenha um processo estruturado de busca a inovação e para isto, foco claro e uma craque na elaboração de ciclos PDSAs, é um ótimo caminho. 

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