IPCA, Variação e Jornalistas

IPCA, Variação e Jornalistas

No post de hoje vamos analisar o IPCA mensal nos governos dos nossos últimos três presidentes. Vou fazer isto, porque a maioria dos artigos que eu vejo se restringem a uma análise para um menor período de tempo. Será que há diferença entre FHC, Lula e Dilma? A figura 1 diz que sim.

 IPCA

Figura 1: Comportamento do IPCA de 1995 até 2013. (fonte: ipeadata)

Briga do governo

Na figura 1 é possível ver claramente todo histórico de variabilidade da inflação ao longo deste grande período de tempo. Dá para ver a briga do governo pela estabilização econômica, no começo do 1995. Podemos observar também, a deflação brava que surgiu no período da crise de 1998, a famosa crise da Rússia e dos Tigres Asiáticos (lembram deste nome?). Depois, percebe-se a escalada fora do normal surgida coma a eleição do Lula. A imprensa chamava de risco Lula. A partir daí, vê-se somente 3 causas especiais. Depois de 2003, o governo Lula foi sopa no mel, com algumas pequenas variações que merecem destaque. Isto mostrou a competência da equipe econômica do Sr. Henrique Meireles na gestão da inflação.

Variação “normal” da inflação

Sei que muitos jornalistas vão discordar da minha opinião, especialmente aqueles que comentam sobre economia. Para eles, qualquer variação “normal” da inflação já é motivo pra inventar uma teoria que explica o inexplicável. Também pudera né, se tivéssemos a obrigação de encher o jornal diário com notícias, mais dia ou menos dia teríamos que acabar por inventar alguma coisa. Não há tanta notícia assim que preencha todo o noticiário econômico.

Vamos dar uma olhada mais de perto só no período Dilma. Por isto, fizemos um gráfico só do período do governo Dilma que está disponível na figura 2.

 

Figura 2: IPCA no governo Dilma. (fonte: ipedata)

Causa especial

Ao analisarmos a figura 2, vemos uma causa especial apena no mês de junho de 2006. Mesmo sendo uma causa especial, não foi nada muito distante dos limites de controle, mas se olharmos para a imprensa… Dei uma busca simples no GOOGLE sobre “inflação junho de 2012”. Pronto, já vieram várias teorias para explicar a “inflação mais baixa nos últimos dois anos”, mas neste caso elas fazem sentido, pois o governo mexeu deliberadamente na inflação ao cortar o IPI dos carros novos. E no mês de junho de 2011? Será que aconteceu mais alguma coisa? Vamos ao GOOGLE.

Figura 3: Relatório de busca da inflação em junho de 2011.

GOOGLE neles

Na figura 3 podemos ver o que aparece. Teorias sobre os motivos para a inflação baixar. Junto com as teorias, veem as previsões sobre a inflação futura, pois esta é uma coisa que a imprensa adora também. E se pegarmos um mês em que a inflação ficou em cima da média? Será que haverá alguma teoria sobre? GOOGLE neles. Escolhi novembro de 2011.

 

Figura 4: relatório de pesquisa sobre a inflação de novembro de 2011.

Figura 4 pessoal. Tá lá, na cabeça. Mesmo em um mês de inflação na MÉDIA histórica, o pessoal tem teoria para falar dela. É incrível como as pessoas gostam de analisar os dados, principalmente as séries temporais. O pessoal analisa mês a mês, ponto a ponto. Ninguém compara a evolução histórica. O gráfico da figura 5 mostra como a maioria das pessoas analisa os dados de uma série temporal.

 

Figura 5: Análise dois pontos.

Pela figura 5, fica mais fácil de entender a análise de dados na cabeça das pessoas. Totalmente errada. Se você toma decisões comparando o balanço de 2011 com o de 2012, cuidado. Faz muito mais sentido, e bem para a saúde, você analisar um período maior de tempo.

Ferramentas estatísticas

Espero que gostem deste artigo, em que “brincamos” um pouco com a percepção que as pessoas tem sobre a variação. Lembrem-se, caros leitores, usem as ferramentas estatísticas para avaliar os dados. Evitem o calor da emoção e do coração para avaliarem qual a melhor decisão a ser tomada. Num mundo como hoje, em que somos bombardeados por milhões de notícias e informações a todo o momento, precisamos tomar muito cuidado com o que lemos. Ter um filtro como, a Estatística, é fundamental para não acreditar em bobagens. O Prof. Carlos Molion é mestre em explicar as bobagens que o pessoal costuma falar sobre o aquecimento global. Fica a dica.

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