Não desmotivar. Esta é a nossa maior motivação.

Não desmotivar

Não desmotivar. Esta é a nossa maior motivação.

Não desmotivar ,neste artigo vamos falar de liderança e motivação nas empresas. Um bom ponto de partida é discutir como um gerente pode motivar seu pessoal. Segundo Frederick Herzberg (1966, 1968) eles não podem.

Claro que é possível fazer com que pessoas façam algo. Você pode lançar mão de recompensas, punições e outros instrumentos de controle sobre tudo, mas o desejo de alguém fazer algo não pode ser imposto. Por isto, falar sobre motivar alguém é um erro.

Probabilidade do colaborador desenvolver

Tudo que podemos fazer é criar condições que irão maximizar a probabilidade do colaborador desenvolver sua motivação intrínseca, retirando os itens detratores de motivação. E como fazer isto? Alfie Kohn, em seu livro “Punished by Rewards” cita uma série de passos com este intuito. São eles:

  1. Abolir os incentivos
  2. Repensar o sistema de avaliação
  3. Criar as condições para a motivação autêntica: (Colaboração, Conteúdo, Escolha)

Dentro todos os passos, o que mais causa espanto é o ato de abolir os incentivos. Muitos gerentes acreditam que as pessoas devem ser “motivadas”, ou seja não desmotivar, por meio de uma combinação de promessas de recompensas (cenouras) e ameaças de punição (chicotes). Esta visão não se aplica as pessoas, somente aos animais.

O que aconteceria se alguém reduzisse nosso salário em 50%?

Para comprovar esta visão podemos pensar em nós mesmos. O que aconteceria se alguém reduzisse nosso salário em 50%? Provavelmente ficaríamos bravos, reduziríamos nosso ritmo de trabalho e a grande maioria, procuraria outro emprego por sentir-se totalmente desprestigiado. Agora, se alguém dobrasse o nosso salário, o que aconteceria? Provavelmente, ficaríamos muito contentes e até produziríamos uns 10% mais nos primeiros dias, mas este pequeno incremento não duraria mais que uma semana. Por meio deste simples raciocínio é possível perceber que a motivação é mais que salários e bônus. E, devemos tomar cuidado em nossas decisões como gerentes para não trocarmos a motivação intrínseca de um bom funcionário por sua motivação extrínseca, pois este tipo de atitude pode levar a problemas graves, como por exemplo, a perda de um ótimo funcionário.

Manual do Líder

Scholtes conta uma historia interessante sobre este problema no seu “Manual do Líder”. Ele relata uma promoção feita pela Pizza Hut de Indianápolis para aumentar a leitura de estudantes. A pizzaria distribui cupons aos professores para que estes fossem trocados por pizzas grátis para alunos que completassem a leitura de dez livros. Scholtes comenta que a filha de um amigo seu, que era uma leitora ávida, começou a ler livros mais curtos e menos desafiadores, ou apenas folhear livros mais extensos para que conseguisse mais cupons. Ela acabou trocando sua motivação intrínseca pela extrínseca e quando a pizzaria encerrou a promoção, ela parou de ler livros, pois sua razão desapareceu.

Precisamos cuidar para que em nossos negócios haja um ambiente favorável à motivação. Esta é a maior lição da liderança. Se focarmos nisto ao invés de focarmos “atos motivacionais”, nossas equipes serão mais eficazes e eficientes, tornando a empresa mais inovadora e competitiva.

Bibliografia

Herzberg, F. 1966. Work and the nature of man. Cleveland: World Publishing

Herzberg, F. 1968. One more time: How do you motivate employees? Harvard Business Review. Janeiro-Fevereiro.

Kohn, A. 1993. Punished by rewards. Nova Iorque: Houghton Mifflin.

Scholtes. P. R. 1999. O manual do líder: um guia para inspirar sua equipe e gerenciar o fluxo de trabalho no dia-a-dia. Rio de Janeiro, RJ: Qualitymark.

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.