Pau nos gráficos 2

Pau nos gráficos 2

Hoje, vamos voltar a analisar os gráficos da coluna Grandes Números da Exame. Esta coluna tá um prato cheio para “pau no gráfico” e nas previsões. Vejam só a matéria na figura 1.

 Pau nos gráficos

Figura 1: artigo da seção Grandes Números da Exame  – 16/10/2013.

A primeira coisa a verificar é o erro clássico de utilizar gráfico de barras para mostrar o comportamento de um indicador ao longo do tempo. Por que será que tantas pessoas desprezam o gráfico de tendência para esta tarefa e optam, erroneamente pelo gráfico de barras? Este é um dos mistérios da humanidade e se algum souber, por favor, me avise. Vamos começar a nossa reestruturação gráfica colocando este gráfico no formato certo (fig. 2).

 

Figura 2: taxa de ocupação dos resorts no Brasil.

Olhando para a figura 2, fica mais fácil de enxergar o comportamento do índice. Realmente ele subiu nos últimos 3 anos, mas qual é a nossa convicção de que ele continuará a subir? A julgar pela previsão “reta” do estudo, fico com os dois pés atrás. Como será que esta previsão foi feita? Estranho.

Outro fato complicado: por que o autor só coloca os dados dos últimos 3 anos? Quem analisa uma série temporal deve saber que ela possui vários componentes, como tendência, sazonalidade e variação normal. Como foi 2009, 2008, etc? Esta é uma informação importante.

A mesma análise cabe para o preço médio, figura 3.

 

Figura 3: preço médio das diárias nos resorts do Brasil.

Uma análise interessante a ser feita é se há correlação entre o aumento da taxa de ocupação e o preço médio das diárias. Melhor ainda, se há correlação entre o preço das diárias, corrigido pela inflação (IPCA) e a taxa de ocupação. Como temos 3 dados só, nossa análise é bem pobre, mas dá para brincar. Para isto, fiz um gráfico de dispersão entre a diferença, em reais, do valor inicial corrigido pela IPCA e do preço real cobrado nas diárias. Quanto maior o número, mais defasado está o preço em relação ao IPCA. Segue gráfico de dispersão na figura 4.

 

Figura 4: gráfico de dispersão entre a diferença, em reais, do valor inicial corrigido pela IPCA e do preço real cobrado nas diárias.

Quanto mais barato fica o resort, maior é a sua taxa de ocupação. Apesar de aumentar o valor todo ano, os resorts estão aumentando menos que a inflação, e isto está tornando-os mais acessíveis. Isto é apenas uma hipótese sem força estatística, pois não há dados para uma análise melhor.

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