Dificilmente vamos encontrar um profissional que nunca tenha pensado: “meu chefe é o maior gargalo deste processo”. E, curiosamente, esse pensamento aparece tanto na cabeça de analistas juniores quanto de gestores experientes. A verdade é simples: administrar pessoas é difícil, e administrar o chefe costuma ser ainda mais.
Embora seja um problema extremamente comum no mundo corporativo, a boa notícia é que sua solução não é complexa. Ela apenas exige uma mudança de mentalidade. E, se você já ouviu falar de Lean Six Sigma, saiba que essa abordagem pode ajudar (e muito) a melhorar esse “processo crítico” chamado relação com o chefe.
Antes de tudo: o que NÃO funciona
Vamos eliminar logo os desperdícios mais comuns desse processo:
- Bajular o chefe
- Entrar em conflito constante
- Reclamar dele para todo mundo
- Esperar que ele mude por conta própria
No Lean, isso seria classificado como desperdício puro. Não agrega valor, consome energia e ainda gera retrabalho emocional.
Assim como em qualquer processo, se você insiste em uma abordagem que não funciona, o resultado continuará sendo o mesmo, só que com mais frustração envolvida.
Seu chefe não é o problema. O processo é.
Aqui entra um dos princípios mais importantes do Lean Six Sigma:
“Não culpe as pessoas, melhore o processo.”
Seu chefe é um ser humano. E como todo ser humano, ele tem qualidades, limitações, preferências e pontos cegos. O erro mais comum, especialmente entre profissionais mais jovens, é focar exclusivamente nos defeitos.
E isso é tão improdutivo quanto analisar apenas as falhas de um operador sem nunca olhar para o fluxo do processo.
Realçar os problemas do chefe é tão prejudicial quanto realçar os problemas de um subordinado.
Se você passa o dia inteiro pensando no que seu chefe não faz bem, você está, metaforicamente, olhando apenas para os defeitos de um processo sem nunca mapear onde ele gera valor.
Faça um “VSM” do seu chefe
No Lean Six Sigma usamos o Value Stream Mapping (VSM) para entender onde o valor realmente acontece. Agora imagine aplicar isso ao seu gestor.
Pergunte-se, com honestidade e curiosidade:
- O que meu chefe faz muito bem?
- Em quais decisões ele é realmente bom?
- Onde ele gera mais impacto positivo para o time?
- O que ele precisa de mim para performar ainda melhor?
- Que informações eu posso fornecer para reduzir erros e retrabalho?
Perceba que essas perguntas não têm nada a ver com bajulação. Elas têm a ver com eficiência.
O profissional eficaz não gasta energia tentando “consertar” o chefe.
Ele trabalha para potencializar aquilo que já funciona.
Pessoas também têm “processos preferidos”
Outro conceito essencial do Lean é que processos fluem melhor quando estão alinhados às capacidades do sistema. Pessoas não são diferentes.
Seu chefe, por ser humano, tende a performar melhor naquilo que gosta de fazer. Quando alguém obtém bons resultados em uma atividade, naturalmente passa a gostar mais dela. E quando gosta mais, melhora ainda mais. É um ciclo virtuoso.
Ou seja:
- Se ele é ótimo em estratégia, leve problemas estratégicos.
- Se é bom em negociação, envolva-o nas decisões externas.
- Se é analítico, chegue com dados (de preferência bem organizados).
Isso é gestão baseada em dados aplicada às relações humanas.
Pare de ser especialista nos defeitos alheios
Todos nós somos excelentes analistas… dos outros. Conseguimos enxergar com facilidade aquilo que alguém faz de errado, mas temos uma enorme dificuldade em aplicar o mesmo rigor analítico a nós mesmos.
No Lean Six Sigma, sabemos que focar apenas na variabilidade negativa gera cegueira operacional. O mesmo acontece nas relações profissionais.
Identificar as qualidades do chefe e tornar essas qualidades ainda mais relevantes é uma das formas mais inteligentes de aumentar sua própria eficácia.
Poucas coisas tornam um profissional tão valioso quanto:
- Facilitar decisões do gestor
- Reduzir ruído na comunicação
- Antecipar problemas
- Entregar informações certas, no tempo certo
Isso não é submissão. Isso é excelência operacional aplicada à carreira.
Administrar o chefe é liderança silenciosa
No fim das contas, administrar seu chefe é um exercício avançado de liderança. É entender que nem sempre você controla o sistema, mas sempre pode influenciar o fluxo.
Quem domina isso cresce mais rápido, sofre menos e constrói relações profissionais muito mais sólidas.
E, como diria o Lean Six Sigma:
Eficiência não é trabalhar mais. É fazer o que realmente gera valor , até na relação com o chefe.
Se você percebeu que administrar processos é mais fácil quando eles são bem desenhados, inclusive os processos humanos, talvez seja hora de aprofundar esse olhar. Os cursos de Lean Six Sigma da EDTI ajudam você a desenvolver exatamente essa habilidade: enxergar gargalos, reduzir ruídos, tomar decisões com dados e gerar valor real no dia a dia do trabalho. Porque no fim, melhorar resultados não é sobre “ter mais sorte com o chefe”, é sobre método, clareza e consistência.