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Frequência em estatística: os quatro tipos e como calcular cada um

Trinta e duas peças fora da especificação em um lote de 400 é o tipo de número que aparece em relatório de qualidade e não ajuda ninguém a decidir. Ele diz que existe um problema e não diz onde ele está: se as 32 se espalham por toda a faixa de medida ou se estão empilhadas em um ponto só.

Contar quantas vezes cada valor aparece é o que separa esses dois cenários — e essa contagem tem nome. Antes de seguir, uma desambiguação necessária: aqui frequência é o conceito estatístico de contagem de ocorrências, não a frequência de uma onda medida em hertz, nem frequência escolar no sentido de presença.

O que a frequência mede

Frequência é o número de vezes que um valor, ou uma faixa de valores, aparece em um conjunto de dados. É a operação mais simples da estatística descritiva e a base de quase tudo que vem depois: sem contar as ocorrências, não há proporção, não há distribuição e não há como comparar dois conjuntos de tamanhos diferentes.

Ela se organiza em uma tabela de frequência, e é aí que os quatro tipos aparecem — cada um respondendo a uma pergunta distinta sobre o mesmo dado.

Os quatro tipos de frequência

Voltando ao lote de 400 peças, com a espessura medida e agrupada em faixas de 0,05 mm:

Faixa de espessura (mm) Frequência absoluta Frequência relativa Frequência acumulada Relativa acumulada
1,85 a 1,90 12 3,0% 12 3,0%
1,90 a 1,95 68 17,0% 80 20,0%
1,95 a 2,00 146 36,5% 226 56,5%
2,00 a 2,05 132 33,0% 358 89,5%
2,05 a 2,10 42 10,5% 400 100,0%
Total 400 100,0%

Frequência absoluta é a contagem pura: 146 peças caíram entre 1,95 e 2,00 mm. É o dado bruto, e sozinho ele não permite comparação — 146 peças em um lote de 400 e 146 em um lote de 4.000 são situações completamente diferentes.

Frequência relativa resolve isso dividindo cada contagem pelo total: 146 ÷ 400 = 0,365, ou 36,5%. É o que permite comparar lotes, turnos ou máquinas de tamanhos diferentes. Note que o termo correto aqui é proporção ou percentual — “taxa” tem significado técnico distinto, reservado a contagens por unidade de exposição.

Frequência acumulada soma cada faixa às anteriores: 12, depois 12 + 68 = 80, depois 80 + 146 = 226. Responde a perguntas com “até”: quantas peças ficaram até 2,00 mm? Duzentas e vinte e seis.

Frequência relativa acumulada faz o mesmo em percentual: 226 ÷ 400 = 56,5%. É a forma mais direta de responder a pergunta que interessa na inspeção — se a especificação é de no máximo 2,05 mm, 89,5% do lote está dentro dela, e os 10,5% restantes são o refugo.

Como calcular

As quatro contas cabem em quatro linhas, e nenhuma exige software.

A absoluta é a contagem direta de ocorrências em cada classe. A relativa é a absoluta dividida pelo total, multiplicada por 100 se você quiser o resultado em percentual. A acumulada é a soma da absoluta da classe com todas as anteriores. A relativa acumulada é a acumulada dividida pelo total. A soma das frequências absolutas tem que devolver o total do conjunto, e a soma das relativas tem que dar 100% — se não der, houve erro de classificação ou algum dado ficou fora de todas as classes.

O trabalho difícil não é a conta: é decidir as classes. Faixas largas demais escondem o comportamento dos dados, faixas estreitas demais transformam a tabela em uma lista de valores únicos. Esse critério, junto com a construção do histograma, é assunto de gráfico de frequência.

Um segundo exemplo, de outro setor

Uma central de atendimento registrou 1.250 chamados em um mês e classificou o tempo de resolução em faixas. Duzentos e cinquenta chamados foram resolvidos em até 1 hora, 500 entre 1 e 4 horas, 375 entre 4 e 24 horas e 125 levaram mais de 24 horas.

Em frequência relativa: 20%, 40%, 30% e 10%. Em relativa acumulada: 20%, 60%, 90% e 100%. O compromisso publicado com o cliente é resolver em até 24 horas — e a leitura direta da tabela mostra que 90% dos chamados cumprem e 10% não. Sem a acumulada, essa resposta exigiria somar categorias na cabeça a cada reunião; com ela, o número está na própria linha.

Quando a frequência não responde

A tabela de frequência tem um limite que se esquece com facilidade: ela descarta a ordem em que os dados apareceram. As 400 peças do primeiro exemplo poderiam ter sido produzidas com a espessura estável ao longo de todo o turno, ou com a máquina desregulando progressivamente ao longo das horas. As duas situações produzem exatamente a mesma tabela, e exigem ações completamente diferentes.

Por isso, quando o interesse é saber se um processo mudou, a frequência é insuficiente por construção — o dado precisa ser lido em sequência, com o tempo no eixo, o que se faz com um gráfico de tendência ou uma carta de controle. O assunto por trás dessa distinção é a variação.

Dois outros limites valem registro. Com poucos dados — abaixo de umas 30 observações — a tabela de frequência descreve mais o acaso da amostra do que o comportamento do processo. E quando o objetivo é priorizar categorias por impacto, e não apenas contá-las, a ferramenta adequada é o diagrama de Pareto, que ordena as frequências e acumula o percentual para mostrar onde está a concentração.

A frequência leva você até aqui: saber quanto de cada coisa existe no conjunto. O passo seguinte — representar isso graficamente, comparar distribuições ou verificar se o processo mudou — já é outro território, e cada um deles tem sua ferramenta.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre frequência absoluta e relativa?

A absoluta é a contagem pura de ocorrências em cada classe. A relativa é essa contagem dividida pelo total, expressa em proporção ou percentual. A relativa é o que permite comparar conjuntos de tamanhos diferentes.

Como calcular a frequência relativa?

Divida a frequência absoluta da classe pelo número total de observações e multiplique por 100 para obter o percentual. Em uma classe com 146 ocorrências em um total de 400, a frequência relativa é 146 ÷ 400 = 36,5%.

Para que serve a frequência acumulada?

Para responder a perguntas do tipo “quantos ficaram até tal valor”. Ela soma a frequência da classe com a de todas as anteriores, o que torna imediata a leitura de quanto do conjunto está dentro de um limite — uma especificação, um prazo, uma meta.

Quantos tipos de frequência existem em estatística?

Quatro, em uma tabela de frequência: absoluta, relativa, acumulada e relativa acumulada. Cada uma responde a uma pergunta diferente sobre o mesmo conjunto de dados.

A soma das frequências relativas precisa dar 100%?

Sim, com margem apenas para arredondamento. Se a soma não fecha, ou alguma observação não foi classificada em nenhuma faixa, ou há sobreposição entre as classes — nos dois casos, a tabela precisa ser refeita antes de qualquer conclusão.

Frequência é a mesma coisa que distribuição de frequência?

Não. A frequência é a contagem; a distribuição de frequência é a organização dessas contagens em classes e sua representação, geralmente por um histograma. A construção da distribuição e a escolha das classes estão em gráfico de frequência.

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