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Carta de controle no Minitab: como gerar cada tipo e o que observar no resultado

A pergunta que aparece com frequência em projetos de melhoria não é “o que é uma carta de controle” — é “qual carta devo usar para esse dado e como configuro isso no Minitab”. A resposta depende de uma decisão que precisa ser tomada antes de abrir o software: o dado é contínuo ou de atributo? E se for contínuo, qual é o tamanho do subgrupo?

Este artigo cobre o caminho completo no Minitab para cada tipo de carta — I-MR, Xbarra-R, Xbarra-S, P, NP, C e U — com foco nas opções que fazem diferença na análise. Para quem ainda está construindo o entendimento conceitual sobre como cada carta funciona e quando usá-la, o ponto de partida é o artigo sobre carta de controle. Este artigo assume que a escolha já foi feita.

O caminho base no Minitab para todas as cartas de controle

Todas as cartas de controle no Minitab estão no mesmo menu: Estatística >> Ferramentas de Qualidade >> Cartas de Controle. A partir daí, o menu se ramifica em dois grupos: Cartas de Variáveis (para dados contínuos) e Cartas de Atributos (para dados de classificação e contagem). Escolher o grupo errado não impede o Minitab de gerar um gráfico — mas o resultado não terá validade estatística.

Uma configuração presente em todas as cartas e que vale conhecer antes de começar: o botão Opções de Carta dentro de qualquer janela de configuração. É lá que se define o número de desvios padrão para os limites (padrão: 3), as regras para detecção de causas especiais e se os limites serão calculados a partir dos dados ou inseridos manualmente. Para a maioria dos projetos no DMAIC, o padrão de 3 desvios é o correto — alterar esse valor exige justificativa técnica explícita.

Cartas de variáveis — dados contínuos

Carta I-MR — subgrupo de tamanho 1

A carta mais comum em processos administrativos, financeiros e de serviços — qualquer situação em que os dados chegam um por vez: faturamento mensal, tempo de ciclo por chamada, índice de satisfação por pesquisa. No Minitab:

Estatística >> Ferramentas de Qualidade >> Cartas de Controle >> Cartas de Variáveis para Indivíduos >> I-MR

No campo Variáveis, inserir a coluna com os dados. Não há campo de subgrupo — o Minitab gera automaticamente os dois gráficos: a carta I (individuais) e a carta MR (amplitude móvel). A carta MR monitora a variação entre pontos consecutivos e é o sinal de instabilidade mais sensível nesse tipo de dado.

Um ponto de atenção: a carta I-MR assume que os dados têm distribuição aproximadamente normal. Dados de tempo com distribuição assimétrica — tempos de atendimento, por exemplo — podem gerar pontos fora dos limites que não correspondem a causas especiais reais. Nesse caso, a transformação logarítmica dos dados antes de gerar a carta é a abordagem correta, e o Minitab suporta essa transformação diretamente na janela de configuração da carta.

Carta Xbarra-R — subgrupo fixo, tamanho entre 2 e 8

Indicada quando os dados são coletados em subgrupos de tamanho constante — por exemplo, 5 peças por hora, 3 medições por turno. O Minitab gera dois gráficos: a carta das médias (Xbarra) e a carta das amplitudes (R). No software:

Estatística >> Ferramentas de Qualidade >> Cartas de Controle >> Cartas de Variáveis para Subgrupos >> Xbarra-R

No campo Todas as observações de um gráfico estão em uma coluna, inserir a coluna com todos os dados. No campo Tamanho do subgrupo, inserir o número de observações por subgrupo. Alternativamente, se cada subgrupo estiver em uma coluna separada, usar a opção Observações de um subgrupo estão em linhas.

O erro mais frequente nessa configuração é misturar fontes de variação dentro do subgrupo — por exemplo, colocar peças de máquinas diferentes no mesmo subgrupo. Quando isso acontece, a variação dentro do subgrupo cresce artificialmente, os limites de controle se alargam e causas especiais reais ficam invisíveis na carta.

Carta Xbarra-S — subgrupo fixo ou variável, tamanho maior que 8

Mesma lógica da Xbarra-R, mas substitui a amplitude (R) pelo desvio padrão (S) como medida de variação. É mais adequada quando os subgrupos têm tamanho maior que 8 ou quando o tamanho varia entre subgrupos. O caminho no Minitab:

Estatística >> Ferramentas de Qualidade >> Cartas de Controle >> Cartas de Variáveis para Subgrupos >> Xbarra-S

A configuração é idêntica à Xbarra-R. A diferença está no gráfico inferior: em vez da amplitude, o Minitab plota o desvio padrão de cada subgrupo. Quando os subgrupos têm tamanhos diferentes, inserir uma coluna separada com os tamanhos de subgrupo no campo correspondente — o Minitab ajusta os limites de controle para cada subgrupo automaticamente.

Cartas de atributos — dados de classificação e contagem

Carta P — proporção de unidades defeituosas

Usada quando o dado registrado é se cada unidade é defeituosa ou não — e o indicador de interesse é a proporção de defeituosas no subgrupo. O subgrupo pode ter tamanho fixo ou variável. No Minitab:

Estatística >> Ferramentas de Qualidade >> Cartas de Controle >> Cartas de Atributos >> P

No campo Variáveis, inserir a coluna com o número de defeituosas por subgrupo. No campo Tamanho do subgrupo, inserir o tamanho constante ou o nome da coluna com os tamanhos variáveis. O Minitab plota a proporção de defeituosas em cada subgrupo e ajusta os limites quando os tamanhos variam — o que gera limites em “dente de serra” no gráfico, o que é correto e esperado.

Um detalhe importante sobre o eixo vertical da carta P: o Minitab plota a proporção (entre 0 e 1), não o percentual (entre 0 e 100). Uma proporção de 0,11 no gráfico corresponde a 11% de defeituosas. Ao comunicar o resultado para a equipe, vale converter para percentual para facilitar a leitura — mas o valor no gráfico está correto.

Carta NP — número de unidades defeituosas (subgrupo fixo)

Alternativa à carta P quando o tamanho do subgrupo é sempre o mesmo. Em vez de plotar a proporção, a carta NP plota o número absoluto de defeituosas. É mais intuitiva para equipes que preferem trabalhar com contagens diretas. O caminho:

Estatística >> Ferramentas de Qualidade >> Cartas de Controle >> Cartas de Atributos >> NP

A configuração é idêntica à carta P. A diferença é que o Minitab plota o número de defeituosas — não a proporção. Se o tamanho do subgrupo variar, usar a carta P.

Carta C — número de defeitos por unidade (área de oportunidade fixa)

Usada quando o dado registrado é o número de defeitos em cada unidade inspecionada — e a área de oportunidade é constante. Exemplos: número de erros por relatório de despesas, número de não conformidades por lote inspecionado. O caminho:

Estatística >> Ferramentas de Qualidade >> Cartas de Controle >> Cartas de Atributos >> C

No campo Variáveis, inserir a coluna com o número de defeitos por unidade. Não há campo de tamanho de subgrupo — a carta C assume área de oportunidade fixa. Se a área variar entre as unidades (um relatório tem 5 itens auditáveis, outro tem 12), usar a carta U.

Carta U — taxa de defeitos por unidade de oportunidade (área variável)

A carta U é a mais adequada quando a área de oportunidade varia entre subgrupos. O indicador plotado é a taxa de defeitos por unidade de oportunidade — número de defeitos dividido pelo tamanho da área de oportunidade. É o único contexto dentro das cartas de atributos em que o termo “taxa” é tecnicamente correto. O caminho:

Estatística >> Ferramentas de Qualidade >> Cartas de Controle >> Cartas de Atributos >> U

No campo Variáveis, inserir a coluna com o número total de defeitos. No campo Tamanho do subgrupo, inserir o tamanho da área de oportunidade — número de unidades inspecionadas, metros de material, horas de operação, ou qualquer outra unidade que defina a oportunidade de defeito. O Minitab calcula automaticamente a taxa por unidade e ajusta os limites quando os tamanhos variam.

Um exemplo prático: uma equipe de qualidade audita relatórios com número variável de itens — 8 itens em alguns, 15 em outros. O total de erros encontrados por relatório vai para a coluna de variáveis; o número de itens de cada relatório vai para a coluna de tamanho do subgrupo. O Minitab plota a taxa de erros por item — o que torna os subgrupos comparáveis entre si independentemente do tamanho.

O que o Minitab não decide por você

O software gera a carta corretamente para os dados que recebe. Mas três decisões críticas estão fora do Minitab: qual carta usar, como definir o subgrupo e o que fazer quando um ponto cai fora dos limites.

A primeira decisão — qual carta usar — depende do tipo de dado e do tamanho do subgrupo, conforme o fluxo de seleção do controle estatístico de processo. A segunda — como definir o subgrupo — é onde a maior parte dos erros acontece em projetos reais. Subgrupos mal formados geram cartas tecnicamente geradas e analiticamente inúteis. A terceira — o que fazer com um ponto fora dos limites — é onde a distinção entre causa comum e causa especial se torna uma decisão de gestão, não uma leitura automática do software.

Profissionais com formação sólida em Black Belt sabem que o Minitab é o meio de execução — não o substituto do raciocínio analítico. A carta de controle entrega um sinal. O que fazer com esse sinal depende do conhecimento do processo e do método científico por trás da ferramenta.


Conteúdo revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua.


Se este é o primeiro contato com o uso de ferramentas estatísticas em projetos de melhoria, o White Belt gratuito da EDTI apresenta a lógica do método antes das ferramentas — o que torna o aprendizado de qualquer análise no Minitab significativamente mais rápido e mais sólido.


Perguntas frequentes sobre carta de controle no Minitab

Onde fica a carta de controle no menu do Minitab?

O caminho é Estatística >> Ferramentas de Qualidade >> Cartas de Controle. A partir daí, o menu divide em Cartas de Variáveis (dados contínuos) e Cartas de Atributos (classificação e contagem). A escolha entre os dois grupos depende do tipo de dado — não do software.

Qual a diferença entre a carta I-MR e a carta Xbarra-R no Minitab?

A carta I-MR é para dados individuais — quando cada observação representa um ponto no tempo, como faturamento mensal ou resultado de um ensaio por lote. A carta Xbarra-R é para dados coletados em subgrupos de tamanho fixo — como 5 peças por hora. A configuração no Minitab é diferente: a I-MR não tem campo de subgrupo; a Xbarra-R exige o tamanho do subgrupo ou uma coluna de identificação.

Quando usar a carta P e quando usar a carta NP no Minitab?

Ambas monitoram dados de classificação — se cada unidade é defeituosa ou não. A diferença está no tamanho do subgrupo: se for sempre o mesmo, as duas funcionam (NP plota o número absoluto, P plota a proporção). Se o tamanho variar entre subgrupos, usar obrigatoriamente a carta P — a carta NP não é válida com subgrupos de tamanho variável.

Qual a diferença entre a carta C e a carta U no Minitab?

Ambas monitoram dados de contagem de defeitos. A carta C é para quando a área de oportunidade é fixa — o mesmo número de itens inspecionados em cada subgrupo. A carta U é para quando a área de oportunidade varia — e o Minitab plota a taxa de defeitos por unidade de oportunidade, ajustando os limites para cada tamanho. Se houver dúvida, a carta U é a escolha mais segura.

Como aprender a usar o Minitab em projetos de melhoria reais?

O Minitab entrega mais resultado quando o profissional sabe o que está tentando descobrir antes de abrir o software. A formação Black Belt da EDTI trabalha o uso do Minitab dentro de projetos reais, com foco no raciocínio analítico que fundamenta cada ferramenta. Quem está começando pode experimentar a lógica do método pelo White Belt gratuito.

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