Como o Lean Startup auxilia na criação de empresas

O movimento Lean Startup surgiu para mudar radicalmente a maneira como se constrói uma empresa do zero.

Tal metodologia nasceu com o objetivo de transformar um cenário bastante comum quando se trata de jornadas de empreendedorismo: a morte prematura de negócios.

Quem nunca soube de uma história de alguém que fracassou na hora de montar uma empresa, não é mesmo?

Os motivos para esse tipo de derrota são muitos, como inexperiência no ramo de atuação, falta de conhecimentos acerca de gestão, decisões equivocadas sobre o rumo do negócio etc.

Veja, em seguida, no que consiste a metodologia Lean Startup e como ela contribui para minimizar as chances de ruína de empresas nascentes.

A necessidade de validar o negócio de maneira rápida e econômica

O empreendedor do Vale do Silício Eric Ries, autor do livro Lean Startup (A Startup Enxuta, em português), é considerado o idealizador desse movimento que busca otimizar o processo de criação de empresas.

Tal proposta busca municiar o empreendedor de conhecimentos e habilidades que o capacitem a validar o próprio negócio, sem a necessidade de gastar além do necessário.

Em outras palavras, trata-se da aplicação da seguinte máxima: “se for para quebrar, que seja rápido e custe pouco”.

Ao contrário, quem planeja demais e quase não coloca em prática o que foi programado, corre o risco de engessar a ideia de negócio ou, então, sequer tem condições de avaliar se a iniciativa vale ou não a pena.

Diferentemente disso, o movimento da startup enxuta objetiva que o empreendedor comece um negócio de forma modesta, mas com embasamento, por exemplo, por meio da criação de produtos mínimos viáveis (MPVs, do inglês Minimum Viable Product).

Assim, em vez de lançar mão de uma grande estrutura, que demanda bastante investimento e compromete o capital da nascente empresa, o empreendedor pode testar a proposta de valor e, com o tempo, aperfeiçoar o modelo de negócio.

Outra possibilidade é abandonar a ideia, caso ela se mostre pouco vantajosa, mas sem perder tempo com algo infrutífero.

Para tanto, podem ser utilizadas algumas ferramentas, como o Business Model Canvas, o Design Thinking e o Customer Development.

Ao validar hipóteses, antes de investir em larga escala, o empreendedor aumenta consideravelmente a probabilidade de a startup dar certo. Com isso, ele não fica à mercê da “sorte” para que o negócio venha a decolar.

Pelo fato de as startups serem empreendimentos com alto grau de incerteza, a opção por uma atuação mais enxuta em vez de planos e pesquisas de mercado exaustivos pode ser o caminho para o crescimento rápido do negócio.

É bem verdade que tal ponto de vista não exclui a necessidade de uma gestão eficiente da empresa, afinal, não só de entusiasmo vive um negócio.

A identificação e a eliminação de desperdícios

Um grande empresário brasileiro diz que custos são iguais às unhas, quer dizer, é preciso cortá-las de tempos em tempos. No caso de uma startup, a redução de desperdícios é crucial para o sucesso do negócio no longo prazo.

Seja por inexperiência ou por falta de ferramentas adequadas, muitos jovens empreendedores não conseguem diferenciar o que realmente agrega valor à empresa do que é apenas acessório no modelo de negócio.

Com isso, é comum eles quererem alcançar o chamado “estado da arte” na concepção de produtos e serviços, sem mensurar exatamente o que vai impactar positivamente ou não na proposta de valor da empresa.

Como consequência, a startup corre o risco de “dar tiro de canhão em passarinho”, quer dizer, investir numa infraestrutura bem superior à demandada pela clientela. Desse modo, o capital inicial do negócio não raramente é “queimado” com aspectos supérfluos.

A importância do feedback

O empreendedor fez tudo certo, mas o negócio não vai pra frente. Qual seria a razão para o fracasso?

Possivelmente, pode haver uma desconexão entre o que a empresa oferece e aquilo de que o consumidor necessita. Em que pese essa situação, é comum o jovem empresário acreditar que o problema não está na startup, mas sim no cliente, que “não está preparado” suficientemente para o produto ou o serviço.

Ao manter uma postura resistente à mudança, o empreendedor cria as condições necessárias para o temido fracasso, afinal, se a empresa não vende, ele não consegue ficar no mercado por muito tempo.

Em vez disso, o Lean Startup valoriza o desenvolvimento de produtos e serviços em parceria com os clientes. Para tanto, é indispensável a acolhida do feedback dos consumidores por parte da nascente empresa e, em seguida, testes para avaliar as alterações propostas.

Ao monitorar as demandas dos clientes, a startup passa a oferecer mercadorias customizáveis, com alto valor agregado. Dessa forma, ela proporciona soluções para problemas vivenciados pelo público-alvo e, com isso, passa a ter a preferência da clientela.

Com a redução de achismos, por meio do uso do método científico na elaboração de estratégias empresariais, o empreendedor molda um negócio capaz de suprir as demandas dos consumidores e com grande chance de alavancagem.

Além disso, o aprendizado gerado pelo feedback contribui para que a empresa crie um negócio realmente sustentável, capaz de superar desafios e se estender no tempo.

O papel da melhoria contínua

Quantos empresários gastaram tempo e dinheiro para desenvolver um produto “perfeito”, para só depois lançá-lo? Esse tipo de história é mais comum do que você imagina. Entretanto, o Lean Startup pressupõe uma estratégia bem diferente.

Na verdade, essa metodologia valoriza a melhoria contínua dos produtos, seja por meio de incrementos ou de inovações propriamente ditas.

Embora o termo Lean Startup seja recente, ele tem raízes no Sistema Toyota de Produção, também conhecido como Lean Manufacturing. Nesse sentido, Eric Ries salienta que aplicou a metodologia desenvolvida no Japão ao processo de inovação para chegar ao conceito de “startup enxuta”.

Na visão desse autor, num negócio o empreendedor precisa aplicar o tripé “construir-medir-aprender”. “A atividade fundamental de uma startup é transformar ideias em produtos, medir como os clientes reagem, e, então, aprender se é o caso de pivotar ou perseverar”, defende.

A propósito, se você ainda não conhece o termo “pivotar”, saiba que ele se refere a uma mudança na rota de um negócio, como forma de correção de um rumo que não deu certo.

Você já conhecia o Lean Startup? O que você pensa a respeito dessa metodologia? Deixe seu comentário aqui no blog!

 

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