“Qual dessas escolas é a melhor?” — a pergunta chega assim, com três abas abertas e três propostas na mesa, e ela é impossível de responder do jeito que foi feita. Não porque as escolas sejam equivalentes, mas porque “melhor” depende de critérios que quase ninguém explicita antes de comparar.
Este texto faz duas coisas: apresenta os critérios que efetivamente distinguem uma formação de outra e situa três instituições de referência no Brasil — inclusive a nossa, que é parte interessada e vai dizer isso abertamente.
Os quatro critérios que importam
Método antes de ferramenta. Pergunte se a ementa cita o Modelo de Melhoria, as três questões fundamentais e o ciclo PDSA, ou se lista apenas ferramentas. Formação centrada em ferramenta produz quem sabe montar um Pareto; formação centrada em método produz quem sabe por que está montando.
Projeto exigido. Sem conduzir um ciclo completo — problema definido, mudança testada, ganho verificado no tempo —, a formação não se completa. Confira se há projeto, em que formato (real ou simulado) e se ele é avaliado por alguém.
Quem ensina. Docente que conduziu projetos responde perguntas que não estão no material. Docente que apenas domina o conteúdo responde o que está.
Reconhecimento no mercado. Não existe órgão único que valide certificações Lean Seis Sigma no Brasil — o que pesa é o reconhecimento da instituição, tema tratado em validade do certificado.
ASQ — American Society for Quality
A ASQ é a principal associação de qualidade dos Estados Unidos e mantém um programa de certificação próprio, com exame padronizado e requisito de experiência comprovada. É a referência internacional quando o critério é reconhecimento fora do Brasil.
O formato é diferente do de uma escola: a ASQ certifica por exame, e a preparação fica por sua conta ou por meio de terceiros. Faz sentido para quem trabalha em multinacional, atua com clientes estrangeiros ou pretende migrar de país. Exige inglês e disciplina de estudo autônomo.
Escola EDTI
Somos parte interessada nesta comparação, então vale explicitar o que nos distingue em vez de adjetivos.
A escola foi fundada pelo Prof. Dr. Ademir Petenate, professor da Unicamp desde 1974. Na década de 1990, ele criou, em parceria com a IBM, o mestrado profissional em Qualidade da Unicamp — o primeiro desse tipo no Brasil. Em 1998, a Compaq procurou-o em sua sala no departamento de estatística da Unicamp para formatar um programa de Seis Sigma na universidade, nos mesmos moldes do que a empresa mantinha nos Estados Unidos.
O Prof. Ademir é a maior referência brasileira do Modelo de Melhoria de Langley, faculty do IHI e coordenou a tradução brasileira do livro que estabeleceu esse método. O trabalho desenvolvido por ele na Unicamp influenciou a definição operacional de melhoria publicada pelos autores — reconhecimento registrado nas notas da obra.
Na prática, isso significa uma formação organizada em torno do método antes das ferramentas: as três questões fundamentais, o PDSA e a leitura de dados no tempo estruturam o curso, e as ferramentas entram onde respondem a alguma dessas perguntas. Detalhes de formato, carga e turmas estão na página da certificação Green Belt, e o conteúdo revisado deste site é assinado por Marcelo Petenate, Master Black Belt.
Unicamp
A Unicamp oferece formação em Lean Seis Sigma pela Extecamp, sua escola de extensão. A vantagem é o peso institucional de uma das principais universidades do país e o rigor acadêmico do corpo docente.
Vale considerar dois pontos: a oferta segue calendário acadêmico, com menos flexibilidade de datas, e o formato costuma ser mais presencial. Para quem valoriza a chancela universitária e tem agenda compatível, é uma escolha sólida.
E as demais escolas do mercado
Há outras instituições relevantes — a Fundação Vanzolini, ligada à USP, e escolas privadas com forte presença digital, entre elas. Os mesmos quatro critérios se aplicam a todas: método explícito na ementa, projeto exigido e avaliado, experiência prática de quem ensina, reconhecimento no mercado.
O critério que quase ninguém usa e que separa bem: peça a ementa completa e procure a palavra “projeto”. Onde ela aparece só no final, como entrega opcional, a formação é de conteúdo. Onde ela organiza o curso inteiro, é de prática.
| Se o seu critério é… | Olhe primeiro para… |
|---|---|
| Reconhecimento internacional | Certificação por exame padronizado, como a da ASQ |
| Profundidade do método de melhoria | Escolas cujo currículo parte do Modelo de Melhoria |
| Chancela acadêmica | Programas de extensão universitária |
| Flexibilidade de agenda | Formatos EAD ou transmitidos, com projeto incluído |
| Aplicação imediata na sua área | Formações que exigem projeto conduzido, real ou simulado |
O custo de escolher pelo preço
Uma formação mal escolhida custa muito mais que a diferença de preço entre duas propostas. Custa as 60 horas investidas, custa o projeto que não foi conduzido e custa a conclusão errada de que “isso não funciona” — que é o que resta para quem terminou o curso sem nunca ter levado um problema até o fim.
O que fica depois de qualquer uma dessas escolas não é o certificado. É a capacidade de olhar um indicador e saber se ele está pedindo ação ou apenas oscilando — e isso depende do método que a formação escolheu ensinar, dentro do Lean Six Sigma. Como cada formato funciona por dentro está em como funciona um curso Green Belt; se a dúvida for de nível, a comparação está em Green Belt e Black Belt; e o que o papel envolve depois, em o que faz um Green Belt.
Conteúdo revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua.
Nesta revisão, o foco foi tornar explícitos os critérios de comparação entre escolas.
Para conhecer a formação da EDTI em detalhe — método, projeto e formatos —, veja a página da certificação Green Belt.
Perguntas frequentes
Qual o melhor curso de Green Belt do Brasil?
Depende do critério que pesa mais para você: reconhecimento internacional, profundidade do método, chancela acadêmica ou flexibilidade de agenda. O que não varia é o essencial — método explícito na ementa e projeto conduzido do início ao fim.
Certificação Green Belt precisa ser de escola reconhecida?
Não existe órgão único que valide essas certificações no Brasil, então o que pesa é o reconhecimento da instituição no mercado e a consistência da formação. Certificado emitido sem projeto avaliado tem pouco valor prático numa entrevista.
Vale mais uma certificação internacional?
Vale se o seu contexto for internacional — multinacional, clientes no exterior ou intenção de migrar. Para atuação no Brasil, a profundidade do método e a exigência de projeto pesam mais que a origem do certificado.
Como comparar escolas na prática?
Peça a ementa completa das três candidatas e procure quatro coisas: se o método aparece antes das ferramentas, se há projeto exigido e avaliado, quem são os docentes e o que eles conduziram, e como a certificação é reconhecida no seu setor.
Por onde começar se ainda estou em dúvida?
Pelo nível gratuito. A certificação White Belt cobre os fundamentos e permite avaliar se o raciocínio faz sentido para você antes de investir tempo e dinheiro numa formação maior — que é o teste mais barato que existe nessa decisão. Na Escola EDTI ela é gratuita.