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PROCH e PROCV no Excel: como usar, sintaxe e quando escolher cada um

— O PROCV não está achando o valor.

— O código que você procura está na primeira coluna da tabela?

— Não, está na terceira.

Essa conversa se repete em todo escritório que usa Excel, e ela contém a regra mais importante das duas funções: o valor procurado precisa estar na primeira coluna, no caso do PROCV, ou na primeira linha, no caso do PROCH. Quase todo erro dessas fórmulas nasce dessa exigência — e quase toda explicação disponível trata só do PROCV, deixando quem precisa buscar na horizontal sem material.

Este texto cobre as duas, com atenção especial ao PROCH.

PROCV e PROCH: qual a diferença

As duas funções fazem a mesma coisa em direções opostas. O nome entrega: PROC de procurar, V de vertical, H de horizontal.

  PROCV PROCH
Direção da busca Vertical, descendo pelas linhas Horizontal, andando pelas colunas
Onde o valor procurado precisa estar Na primeira coluna do intervalo Na primeira linha do intervalo
O que o terceiro argumento indica O número da coluna que traz a resposta O número da linha que traz a resposta
Formato típico da tabela Registros empilhados, um por linha Períodos ou categorias lado a lado
Uso mais comum Cadastros, listas de produtos, bases de clientes Planilhas de acompanhamento mensal, matrizes de indicadores

A escolha entre uma e outra não é questão de preferência: ela é determinada por como a planilha foi montada. Se os meses estão nas colunas e os indicadores nas linhas, o PROCH é a função que serve. Se cada linha é um registro completo, o PROCV.

Como usar o PROCH: sintaxe e exemplo

A sintaxe do PROCH é esta:

=PROCH(valor_procurado; matriz_tabela; num_indice_linha; [procurar_intervalo])

Cada argumento responde a uma pergunta. O valor_procurado é o que você quer localizar, e ele precisa estar na primeira linha do intervalo. A matriz_tabela é o intervalo inteiro, incluindo a linha de cabeçalho onde a busca acontece. O num_indice_linha é a posição da linha que traz a resposta, contada a partir da primeira linha do intervalo, que é sempre a linha 1. O procurar_intervalo define se a correspondência é aproximada ou exata.

Imagine uma planilha de acompanhamento com os meses na primeira linha e os indicadores nas linhas abaixo:

  A B C D E
1 Indicador Jan Fev Mar Abr
2 Faturamento 120.000 135.000 128.000 141.000
3 Custo 78.000 82.000 80.500 85.000
4 Refugo (%) 3,1 2,8 3,4 2,9

Para trazer o faturamento de março:

=PROCH("Mar";A1:E4;2;FALSO)

A função procura “Mar” na primeira linha do intervalo, encontra na coluna D e devolve o que está na linha 2 dessa coluna, contando a partir do topo do intervalo: 128.000. Para o custo do mesmo mês, o índice vira 3; para o refugo, 4.

Na prática, você raramente digita o mês entre aspas. O normal é apontar para uma célula onde o mês foi escolhido — =PROCH(G1;A1:E4;2;FALSO) — de modo que a planilha inteira se atualize quando alguém troca o período em G1.

O argumento que quase todo mundo esquece

O quarto argumento é opcional, e é aí que mora a armadilha. Se você omitir, o Excel assume VERDADEIRO e faz correspondência aproximada — devolve o valor mais próximo abaixo do procurado, o que exige que a primeira linha esteja ordenada e, na maioria dos casos, produz resultado errado sem avisar.

Use FALSO (ou 0) sempre que quiser correspondência exata, que é o que se quer em quase toda situação real. Correspondência aproximada só faz sentido em faixas: converter nota em conceito, valor em faixa de desconto, tempo em categoria.

Como usar o PROCV: sintaxe e exemplo

A sintaxe é idêntica, trocando linha por coluna:

=PROCV(valor_procurado; matriz_tabela; num_indice_coluna; [procurar_intervalo])

Em uma tabela onde a coluna A tem o código do produto, a B a descrição e a C o preço, a fórmula =PROCV("A102";A2:C50;3;FALSO) procura o código A102 na coluna A e devolve o preço, que está na terceira coluna do intervalo.

A limitação estrutural do PROCV é conhecida e vale registrar: ele só enxerga para a direita. Se o código está na coluna C e a descrição na coluna A, o PROCV não resolve — a resposta precisa estar em uma coluna posterior à da busca. Contornos existem, com ÍNDICE e CORRESP, mas a solução limpa hoje é o PROCX.

Os cinco erros que mais aparecem

#N/D com o valor claramente na tabela. Na maioria das vezes o valor não está na primeira coluna (PROCV) ou na primeira linha (PROCH) do intervalo selecionado. O intervalo precisa começar onde a busca acontece.

O intervalo se desloca ao arrastar a fórmula. Sem travar com cifrão — $A$1:$E$4 — cada cópia da fórmula empurra o intervalo uma célula, e os resultados passam a sair errados na diagonal.

Número que é texto. Código importado de sistema costuma vir como texto, e “1050” em formato texto não corresponde a 1050 em formato número. O sinal é o alinhamento à esquerda na célula.

Índice contado a partir da planilha, não do intervalo. O terceiro argumento conta de dentro do intervalo selecionado. Se o intervalo começa na coluna C, a coluna C é a de número 1.

Espaço invisível no fim do texto. “Março ” e “Março” são valores diferentes para o Excel. A função ARRUMAR resolve, e vale aplicá-la antes de investigar qualquer outra hipótese.

PROCX: a função que substitui as duas

Nas versões mais recentes do Excel existe o PROCX, que faz o trabalho do PROCV e do PROCH com uma sintaxe só e sem as limitações dos dois: busca em qualquer direção, não depende de índice numérico e permite definir o que aparece quando nada é encontrado.

=PROCX(valor_procurado; matriz_procurada; matriz_retorno; [se_não_encontrado])

A razão para continuar aprendendo PROCV e PROCH é prática: o PROCX não existe em versões anteriores ao Microsoft 365 e ao Excel 2021, e planilhas corporativas com anos de uso continuam cheias das duas funções antigas. Quem mantém essas planilhas precisa saber ler o que já está escrito nelas.

Onde a busca termina e a análise começa

Vale uma observação sobre o lugar dessas funções no trabalho com dados.

PROCV e PROCH resolvem um problema de organização: trazer para perto informações que estão espalhadas em bases diferentes. É preparação, não análise. Depois que a tabela está montada, a pergunta que interessa muda de natureza — o refugo de 3,4% em março é diferente do de 2,8% em fevereiro, ou os dois são a mesma variação de sempre aparecendo em meses diferentes?

Essa segunda pergunta não se responde com fórmula de busca. Ela exige olhar o comportamento do indicador ao longo do tempo, e é o terreno das ferramentas estatísticas que a formação Green Belt desenvolve. A planilha bem montada é a condição para chegar até lá — só não é o destino.

Se o próximo passo for organizar o que a busca trouxe, dois materiais ajudam: como montar um gráfico de Pareto no Excel e como estruturar um controle de produção em planilha.


Conteúdo revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua. Nesta revisão, o foco foi a precisão da sintaxe das duas funções e a correção dos erros mais frequentes de aplicação.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre PROCV e PROCH?

O PROCV procura o valor na primeira coluna do intervalo e devolve algo da mesma linha, em outra coluna. O PROCH procura na primeira linha e devolve algo da mesma coluna, em outra linha. A escolha depende de como a tabela está organizada, não de preferência.

Quando usar o PROCH em vez do PROCV?

Quando o valor que você procura está no cabeçalho horizontal da tabela — meses, semanas, unidades, categorias dispostas lado a lado. Planilhas de acompanhamento periódico costumam ter esse formato, e nelas o PROCV não funciona.

Por que o PROCH retorna #N/D?

Na maior parte dos casos, porque o valor procurado não está na primeira linha do intervalo selecionado, ou porque há diferença invisível de formato — número gravado como texto, espaço extra no fim da palavra. Confira primeiro se o intervalo começa exatamente na linha onde a busca deve acontecer.

O PROCH funciona no Google Planilhas?

Sim, com a mesma sintaxe. A diferença fica no separador de argumentos, que pode ser vírgula em vez de ponto e vírgula, dependendo da configuração de idioma da conta.

Dá para usar PROCV e PROCH na mesma fórmula?

Dá, e é uma combinação útil quando se procura o cruzamento de uma linha com uma coluna — um PROCH aninhado dentro de um PROCV, ou o contrário. Em planilhas novas, porém, a combinação de ÍNDICE com CORRESP, ou o PROCX, resolve o mesmo caso com fórmula mais legível.

Vale a pena aprender PROCV e PROCH se já existe o PROCX?

Vale, por dois motivos. O PROCX só existe no Microsoft 365 e no Excel 2021 em diante, e muita empresa ainda opera em versões anteriores. E planilhas antigas em uso estão cheias das duas funções — quem precisa dar manutenção nelas tem de saber lê-las.

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