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Escala de Braden: calculadora, pontuação e como usar na prevenção

Às 7h da manhã, a enfermeira do plantão de clínica médica abre o prontuário de um paciente de 78 anos internado por pneumonia: Braden 13, registrada na admissão, três dias atrás. Ninguém reavaliou desde então. O colchão é o padrão, a mudança de decúbito está prescrita “de 2 em 2 horas” e checada em todos os horários. Na troca de fralda, aparece uma área avermelhada no sacro que não clareia sob pressão. A escala estava preenchida. O que não aconteceu foi o que ela deveria disparar.

A escala de Braden é simples de aplicar, e é justamente por isso que vira formulário. Este artigo explica o que ela mede, traz uma calculadora com as seis subescalas e as faixas de risco, e mostra como transformar o escore em decisão de cuidado — que é o ponto em que a maioria das unidades perde a prevenção.

O que é a escala de Braden

A escala de Braden é um instrumento de avaliação do risco de lesão por pressão em pacientes adultos. Criada por Barbara Braden e Nancy Bergstrom nos Estados Unidos em 1987 e validada para o português por Paranhos e Santos em 1999, ela soma seis subescalas em um escore de 6 a 23 pontos: quanto menor o escore, maior o risco. Na prática brasileira, ela é o instrumento recomendado pelo protocolo de prevenção de lesão por pressão do Programa Nacional de Segurança do Paciente.

A escala não diagnostica lesão nem substitui a inspeção da pele. Ela serve para uma coisa: separar, de forma padronizada, quem precisa de medidas de prevenção intensificadas de quem não precisa — e fazer isso de novo quando o paciente muda.

As 6 subescalas e as faixas de risco

Subescala O que avalia Pontuação
Percepção sensorial Capacidade de reagir ao desconforto da pressão 1 (totalmente limitado) a 4 (nenhuma limitação)
Umidade Exposição da pele a suor, urina, fezes e drenagens 1 (constantemente úmida) a 4 (raramente úmida)
Atividade Grau de atividade física 1 (acamado) a 4 (anda frequentemente)
Mobilidade Capacidade de mudar e controlar a posição do corpo 1 (totalmente imóvel) a 4 (sem limitação)
Nutrição Padrão habitual de ingestão alimentar 1 (muito pobre) a 4 (excelente)
Fricção e cisalhamento Arrasto da pele contra o lençol ao se mover ou ser movido 1 (problema) a 3 (nenhum problema aparente)

As faixas mais usadas no Brasil são: 19 a 23 sem risco; 15 a 18 risco baixo; 13 a 14 risco moderado; 10 a 12 risco alto; 9 ou menos risco muito alto. Algumas instituições adotam cortes um pouco diferentes; o que importa é que o corte esteja escrito no protocolo e seja o mesmo em todos os turnos.

Calculadora da escala de Braden

Selecione a pontuação de cada subescala:

Preencha as seis subescalas.

A calculadora é apoio de estudo e conferência; o registro oficial é o do prontuário, conforme o protocolo da instituição.

Do escore ao cuidado: onde a prevenção se perde

Voltemos ao paciente de 78 anos. Braden 13 é risco moderado: pela maioria dos protocolos, isso pede superfície de redistribuição de pressão, mudança de decúbito com horário real, hidratação da pele, manejo da umidade e reavaliação diária. Nenhum desses itens dependia de conhecimento novo da equipe. Dependia de o escore estar ligado a uma prescrição — e de alguém olhar o escore de novo quando a pneumonia piorou e o paciente parou de se mexer no leito.

É o padrão que aparece quando se audita a escala de verdade: a avaliação de admissão tem conformidade alta, a reavaliação cai com o passar dos dias, e a medida preventiva prevista para a faixa nem sempre está instalada. Uma unidade de clínica médica com 32 leitos que contou isso à beira do leito, em vez de no registro, encontrou 96% dos pacientes avaliados na admissão, 58% reavaliados nas últimas 24 horas e 47% dos pacientes com Braden ≤ 14 com superfície adequada. O formulário estava em dia; o cuidado, não.

Por isso a pergunta de gestão não é “a Braden está sendo preenchida?”, e sim “o paciente de risco está recebendo a prevenção que o risco pede?”. A primeira se responde com auditoria de prontuário. A segunda exige olhar o leito.

Como medir se a escala está funcionando

A escala é um processo, e processo se acompanha com indicadores de processo — não só com o resultado final. Três números, lidos semana a semana, dizem mais que o relatório anual de lesões:

  • Proporção de pacientes reavaliados nas últimas 24 horas (ou no intervalo que o protocolo definir) — é aqui que a escala costuma morrer.
  • Proporção de pacientes com Braden ≤ 18 com as medidas da faixa instaladas, conferidas no leito.
  • Taxa de lesão por pressão por 1.000 pacientes-dia, o indicador de resultado — explicado com cálculo e gráfico na peça sobre lesão por pressão.

As duas proporções são dados de atributo e se acompanham em gráfico P; a taxa de lesões, em gráfico U. Mais importante que o tipo de gráfico é a leitura no tempo: um mês bom depois de um mês ruim não prova nada, e só uma série de gráficos de tendência separa mudança real de variação comum. Quando a unidade testa uma mudança — reavaliação amarrada à passagem de plantão, por exemplo — o teste vira um ciclo PDSA com predição escrita antes. Conduzir esse tipo de projeto, do indicador à verificação, é o que se aprende na formação Green Belt.

A prevenção de lesão por pressão é uma das metas internacionais de segurança do paciente, e o acompanhamento desses indicadores costuma ficar com o Núcleo de Segurança do Paciente. O conjunto de indicadores de segurança da instituição está em indicadores de segurança do paciente.

O que continua acontecendo quando a escala é só formulário

Quando o escore não dispara prescrição, a escala produz uma estatística tranquilizadora — conformidade de preenchimento acima de 90% — enquanto a lesão continua aparecendo nos mesmos pacientes: os que pioraram depois da admissão. O custo não aparece no relatório de auditoria. Aparece em dias de internação a mais, curativos, dor e, nos estágios avançados, em evento adverso grave que poderia ter sido evitado na primeira semana.


Conteúdo revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua. Nesta revisão, o foco foi a ligação entre o escore e a prevenção, e os indicadores de processo que mostram se essa ligação existe.

Ligar o escore ao cuidado e medir se a ligação acontece é método de melhoria aplicado à saúde. É o que ensina o curso de Lean Healthcare da Escola EDTI — com um primeiro passo gratuito na Introdução ao Lean Healthcare.

Perguntas frequentes

Qual a pontuação da escala de Braden?

O escore vai de 6 a 23 pontos, somando seis subescalas: cinco pontuadas de 1 a 4 e a de fricção e cisalhamento, de 1 a 3. Quanto menor o escore, maior o risco de lesão por pressão.

Qual a classificação de risco da escala de Braden?

As faixas mais usadas no Brasil são: 19 a 23 sem risco, 15 a 18 risco baixo, 13 a 14 risco moderado, 10 a 12 risco alto e 9 ou menos risco muito alto. Confira o corte adotado no protocolo da sua instituição.

Com que frequência reavaliar a escala de Braden?

Na admissão e, na maioria dos protocolos, diariamente em unidades de internação e a cada turno ou diariamente em UTI — além de sempre que o quadro clínico mudar. A reavaliação é a etapa que mais falha na prática, por isso vale medi-la.

Quem aplica a escala de Braden?

A aplicação é da equipe de enfermagem, com o enfermeiro responsável pela avaliação e pela prescrição das medidas de prevenção. A escala só funciona quando o escore está ligado a um plano de cuidado por faixa de risco.

Existe escala de Braden para crianças?

Sim, a escala de Braden Q é a adaptação para pacientes pediátricos, com uma sétima subescala de perfusão e oxigenação tecidual. A versão deste artigo é a de adultos.

Escala de Braden preenchida garante prevenção?

Não. O preenchimento é a primeira metade; a outra é a medida instalada no leito e a reavaliação quando o paciente muda. A Escola EDTI ensina a medir e melhorar essa segunda metade, com indicadores de processo lidos no tempo.

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