O relatório anual mostra absenteísmo-doença de 2,8% na empresa, dentro do que a diretoria considera aceitável. O número engana pela média. Abrindo por setor, a expedição tem 6,9%, a montagem 4,1% e o administrativo 0,9%. Abrindo por causa, 58% dos dias perdidos na expedição vêm de atestados por dor lombar e no ombro. O 2,8% não está errado; ele só junta um setor com um problema sério e outros dois sem problema nenhum, e com isso apaga o sinal.
O que é absenteísmo-doença?
Absenteísmo-doença é a parte do absenteísmo causada por doença ou acidente, em geral registrada por atestado médico. Ele se distingue das faltas por outros motivos (familiares, injustificadas, legais) e é o componente mais ligado às condições de trabalho e à saúde ocupacional. O tema geral de faltas está em absenteísmo.
Como calcular
A forma mais usada é o índice de horas perdidas:
Absenteísmo-doença (%) = horas perdidas por doença ÷ horas de trabalho previstas × 100
Exemplo: um setor de 40 pessoas com 176 horas previstas por pessoa no mês tem 7.040 horas previstas. Se os atestados somaram 486 horas, o índice é 486 ÷ 7.040 × 100 = 6,9%. Complementam a leitura a frequência (número de episódios por pessoa) e a duração média de cada afastamento: muitos episódios curtos e poucos longos contam histórias diferentes.

Como ler o indicador
| Corte | O que revela |
|---|---|
| Por setor e turno | Onde as faltas se concentram |
| Por grupo de causa (CID agrupado, sem identificar pessoas) | Se há padrão ligado ao trabalho (osteomuscular, saúde mental) |
| Por mês, em série | Se o patamar mudou ou é oscilação normal |
| Frequência × duração | Episódios curtos repetidos × afastamentos longos |
A leitura por causa deve respeitar o sigilo médico: o RH trabalha com dados agregados, e a análise individual fica com a medicina do trabalho. O exame periódico e os dados agregados do PCMSO e a análise ergonômica da NR-17 são as fontes naturais para cruzar com o indicador. A leitura no tempo, sem reagir a um mês isolado, segue o mesmo princípio discutido em people analytics.
Para RH e T&D: antes de lançar campanha de qualidade de vida para a empresa toda, vale abrir o indicador por setor e causa. Na maior parte dos casos, o absenteísmo-doença alto está concentrado em poucos postos, e a causa está no processo: carga, ritmo, postura, escala. Um programa genérico não alcança esse ponto.
Um caso curto, ilustrativo: uma distribuidora que via o índice da expedição subir há meses fez uma campanha de ginástica laboral para todos. O índice não mudou. Só quando a análise mostrou que os afastamentos se concentravam no turno da noite, na separação de caixas acima de 20 kg e numa estação sem altura regulável, a empresa mudou o posto. Em quatro meses, a expedição saiu de 6,9% para 3,5%. A ginástica não estava errada; ela só não atacava a causa.
Conteúdo revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua.
Nesta revisão, o foco foi a estratificação do absenteísmo-doença por setor e causa antes de qualquer ação.
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Perguntas frequentes para empresas
A formação pode incluir RH, SESMT e líderes de produção na mesma turma?
Sim. Turmas mistas costumam ser mais produtivas para indicadores que cruzam áreas, como o absenteísmo-doença.
O que faz o valor da formação variar?
Número de participantes, nível, modalidade (online ou presencial), carga horária e se há acompanhamento por consultoria, contratada à parte.
A formação emite certificado e fatura para a empresa?
Sim: certificado para os participantes e contratação em nome da empresa, com faturamento corporativo.