desperdícios

Como evitar os 8 desperdícios da produção

Você sabe quais são os desperdícios lean? Dentro das empresas ele costumam gerar uma série de consequências ruins para os negócios, para o meio ambiente e para a sociedade como um todo.

Quando se gastam recursos além do necessário para a produção de uma mercadoria ou para a prestação de um serviço, a competitividade e a saúde financeira da organização podem ficar prejudicadas.

Além disso, conforme o tipo de recurso consumido em excesso, podem existir impactos negativos para a ecologia e, especificamente, para os stakeholders do negócio. Conheça, em seguida, os oito desperdícios em empresas que podem ser superados por meio da união entre o Lean e o Six Sigma.

Os 8 desperdícios lean e como evitá-los

De acordo com a filosofia lean de produção, também conhecida como produção enxuta, existem 8 pontos principais de desperdício que prejudicam os resultados de uma empresa e demandam por correção. Sendo comum que, em empresas tradicionais, sofra-se com mais de um, as vezes até mesmo os 8. Confira a lista.

1. Transporte além da conta

O transporte está ligado às noções de distância e de tempo, além de ter interferência do meio pelo qual se faz determinado deslocamento e da carga transportada, ou seja, todo e qualquer movimento necessário para a produção.

No mundo empresarial, é preciso mover insumos dentro da organização e, além disso, fazer com que o produto chegue ao alcance do consumidor final e esse movimento, quando realizado de forma errônea ou não planejada, gera custos extras para a empresa.

Nas dependências da empresa, movimentos desnecessários podem significar ainda desperdícios de tempo, de uso de mão de obra, de energia e até de espaço físico. Por exemplo, numa indústria, um layout de produção otimizado serve para combater o desperdício com transporte de materiais dentro da fábrica e para que a sequência operacional de determinada tarefa seja feita de modo eficiente.

Além disso, na distribuição da produção, estudos logísticos também contribuem para a redução de transporte com o planejamento prévio de rotas, melhor organização das saídas de entrega ou de coleta de materiais e verificação de melhores horários para transporte.

2 . Estoque exagerado

Entre os desperdícios em empresas, podemos citar também o exagero no estoque, sendo que esse é um dos problemas mais comuns dentro das fábricas e um dos responsáveis por minar seu capital de giro.

Afinal, quando a capacidade de oferta da organização é muito superior à demanda significa que uma parte do capital do negócio está imobilizado, investido em produtos que não têm saída no momento e sem previsão de capitalização.

Além disso, com o tempo e conforme o produto, a empresa pode ser obrigada a baixar o preço para se desfazer da produção excessiva, o que contribui para a redução da margem de lucro e diminuição da rentabilidade da empresa.

Na chamada manufatura enxuta ou Lean manufacturing, busca-se evitar a formação de estoque superior ao fluxo de demanda. Isso pode ser feito, por exemplo, com o conhecimento do histórico das quantidades vendidas e com parcerias com fornecedores, para se adequar a produção à procura dos consumidores.

3 . Movimento de pessoas sem necessidade

Os desperdícios em empresas também aumentam quando os colaboradores se movimentam no ambiente de trabalho de forma aleatória ou por um trajeto não racional, fazendo com que os trabalhadores percam tempo de produção nesse deslocamento.

Por exemplo, se um profissional precisa fazer “várias voltas” para poder repassar uma tarefa para um colega, há movimentos desnecessários. Num caso assim, além de haver queda da produtividade, em alguns segmentos de mercado pode existir até aumento de riscos de acidentes, já que com o tempo, o uso de “atalhos” não seguros pode começar a ser realizado pelos colaboradores.

Para resolver o problema de movimento em excesso na empresa, uma possível melhoria é o design funcional das estações de trabalho e do layout de produção, para que haja um fluxo de atividades racional.

Além disso, a organização do estoque e do ambiente da empresa como um todo permite que a localização de materiais seja de fácil busca, o que também reduz movimentos de pessoas sem necessidade.

Sistemas de comunicação também podem ser adotados para que a demanda por movimento diminua, sendo que os colaboradores não precisam sair de seus lugares para passar informações aos demais.

4. Espera demasiada

Na lista de desperdícios em empresas, a ociosidade também está presente. Afinal, quando a produção fica parada por causa da espera de máquinas, peças, reparos etc., os prejuízos para os negócios são certos.

Além disso, a falta de sincronia entre processos sequenciais também leva à queda de produtividade, pois, um gargalo prejudica a continuidade. Por exemplo, quando um trabalhador tem que esperar por um componente para iniciar a montagem de um produto, o tempo de espera se traduz em diminuição da competitividade da empresa.

Para resolver o problema da ociosidade, a definição de prioridades, a melhoria da comunicação interna, bem como a sincronização das tarefas, são algumas das ações que podem melhorar o aproveitamento dos recursos produtivos.

5 . Excesso de processamento

A satisfação do cliente é um dos principais requisitos da qualidade total. Porém, nem tudo que as empresas fazem nos processos produtivos geram valor agregado às mercadorias ou aos serviços. Nesse sentido, quando a organização faz algo que não é percebido pelo cliente como valor, na verdade, há um desperdício.

É claro que algumas atividades realmente são essenciais para a produção, embora não sejam notadas pelos clientes. Ainda assim, há empresas que exageram no processamento, com tarefas que só criam obstáculos ou gargalos na produção.

Por exemplo, atividades burocráticas, muitas vezes feitas por tradição, mais prejudicam do que contribuem com a qualidade e a produtividade do negócio. Nesse caso, elas devem ser descartadas, sendo adotado apenas processos fundamentais para o valor final do produto.

Para evitar o excesso de processamento, a empresa pode estudar os fluxos de trabalho, de modo a mensurar o impacto de cada atividade para o resultado final do produto ou do serviço e enxugar ao máximo todo o seu processo produtivo.

6. Excesso de produção (mãe de todos os desperdícios)

Quando as empresas têm processos produtivos demorados, que requerem uma fabricação feita com antecedência, para atender à demanda, corre-se o risco de haver excesso de produção, prejudicando o preço final devido a oferta.

Pelo contrário, quando a fabricação é eficiente, a resposta do estabelecimento à procura dos consumidores é mais rápida, o que permite um sistema de produção just in time, ou seja, só se produz após o recebimento do pedido do cliente.

A combinação de monitoramento da cadeia de produção, com softwares de gestão modernos, parcerias com fornecedores, layouts de fabricação eficientes e logística otimizada etc. constitui uma maneira de tornar os processos produtivos mais rápidos. Dessa forma, os desperdícios em empresas ligados ao excesso de produção são consideravelmente diminuídos.

7. Alto número de defeitos

Defeitos, falhas, retrabalhos etc. são fontes de grandes desperdícios em empresas, uma vez que em alguns casos, não é possível recuperar o produto com defeito. Como você pode supor, os defeitos são consequências ou concretizações de falhas nos processos produtivos.

Por exemplo, se um lote de mercadorias é rejeitado pelo controle de qualidade, significa que houve perda de matéria-prima, de energia, do trabalho da mão de obra etc. No fim das contas, os defeitos só aumentam os custos de produção e reduzem a competitividade do negócio.

A utilização do Six Sigma para reduzir a variabilidade dos processos e diminuir as não conformidades é uma maneira de eliminar os defeitos e os consequentes desperdícios em empresas. Quanto mais eficiente for a linha de produção, maior a rentabilidade obtida.

8. Habilidades subutilizadas

Potenciais represados ou não aproveitamento de talentos na organização podem ser fontes de desperdícios. Quando a empresa coloca um profissional qualificado para exercer uma função aquém das habilidades que ele tem no fundo, está subutilizando a capacidade do trabalhador.

Ou seja, está se investindo em um profissional muito qualificado para um trabalho que não demanda seus conhecimentos, aumentando os custos da empresa, pois se paga um salário maior para a realização de algo que poderia ser feito por menos.

Enquanto o desperdício de uma máquina ou o defeito de um lote é mais perceptível, a falta de uso do chamado capital intelectual nem sempre é notada pelas organizações. Nesse caso, a gestão por competências pode ser uma maneira eficaz de as empresas alocarem adequadamente a mão de obra aos objetivos estratégicos da organização.

Os benefícios da metodologia Lean

São vários os benefícios da aplicação da metodologia Lean dentro de uma planta de produção, sendo que vamos listar alguns dos principais.

Melhoria do atendimento ao cliente

A qualidade está no centro da metodologia Lean e o principal foco das empresas que adotam esse conceito de produção é a satisfação total do cliente com seus produtos e serviços, sendo que isso é realizado por meio do estudo das demandas.

Dentro desse modelo, uma empresa próspera não é aquela que lucra de forma acelerada, mas sim aquela que conquista e fideliza clientes, sendo que para isso utiliza da qualidade, entrega no prazo e busca sempre superar as expectativas de seus consumidores.

Maior eficiência de gestão

Por meio das ferramentas e conceitos existentes dentro da metodologia Lean, pode-se observar que existe uma melhoria de gestão e tudo pode ser realizado com o emprego de menos pessoas e recursos.

Ao eliminar o excesso, todos os processos podem ser simplificados e o fluxo de trabalho de torna contínuo e simples de ser acompanhado de perto pelos gestores, permitindo uma melhor visão sobre o andamento das atividades.

A função do gestor, dentro desse conceito, é buscar melhorar cada um dos colaboradores, oferecendo suporte e treinamento adequado e fomentando o crescimento pessoal de cada um, melhorando assim a performance da equipe como um todo.

Maiores ganhos financeiros

O sistema Lean também tem um impacto direto sobre as finanças da empresa, que passa a produzir mais com menos. Além disso, a qualidade e os clientes satisfeitos geram mais negócios e aumentam a lucratividade da organização.

A redução de custos e excessos também faz com que a rentabilidade aumente e se possa reinvestir em mais tecnologia e melhorias para a planta de produção, criando um ciclo constante de melhoria.

Também é possível voltar esse valor economizado para o treinamento de sua equipe, investindo na satisfação de seus colaboradores e implicando em uma produção muito mais tranquila.

As ferramentas Lean

Separamos algumas das ferramentas utilizadas dentro do conceito Lean para ajudar você a evitar os desperdícios citados logo acima no texto.

Just in time

O conceito Just in time é um pilar fundamental dentro da metodologia Lean, pois é uma forma de reduzir ao máximo o estoque e evitar a estagnação do capital de giro da empresa.

Por meio dessa ferramenta, a manufatura produz apenas as quantidades ideais para suprir a demanda do momento, sendo que muitas vezes, a produção só dá início após o pedido do cliente. Com a popularização dos e-commerces, esse modelo está cada vez mais em alta.

Jidoka

A automação é fundamental para melhorar processos, evitar erros e garantir a produtividade e é disso que trata o Jidoka, planejamento e aplicação da automação dentro dos processos produtivos da empresa.

Dessa forma, o papel do colaborador deixa de ser o de produzir, para se tornar um supervisor do trabalho das máquinas, realizando o controle de qualidade e buscando por falhas e desperdícios que possam acontecer por necessidade de ajustes.

Takt time

Essa ferramenta permite realizar uma análise dos consumidores e suas dores atuais, focando no desenvolvimento de produtos que possam ser aceitos pelo mercado, uma vez que a demanda por essa solução já existe.

Dessa forma, o cliente será impelido a comprar, pois o produto realmente resolve o seu problema, diminuindo a demanda por investimento em grandes campanhas de marketing e divulgação e os riscos de um lançamento fracassado.

Ou seja, antes mesmo de iniciar a produção de um determinado produto, usa-se um foco total no cliente e suas demandas por meio dessa ferramenta.

5S

A ferramenta 5S é uma solução para a gestão e está ligada a busca de qualidade dentro das organizações. Como a metodologia Lean tem origem no Japão, os 5S são relacionados a palavras japonesas. São elas:

  • seiri ─ utilização, diminuir todo e qualquer tipo de desperdício dentro da planta de produção;
  • seiton ─ organização, fomentar a otimização do espaço de trabalho da melhor forma;
  • seiso ─ limpeza, criar uma rotina de limpeza;
  • seiketsu ─ padronização e saúde, certificar-se de que todo o trabalho está sendo feito de forma saudável para os colaboradores;
  • shitsuke ─ disciplina, manter melhoria contínua, colaboração e autonomia entre as equipes.

Kaizen

A ferramenta Kaizen foi criada para garantir a busca pela melhoria contínua dentro das empresas, verificando a possibilidade de mudanças em cada processo, otimizando suas atividades e gerando maior produtividade. Sua aplicação se dá pelo ciclo PDCA:

  • P ─ planejar;
  • D ─ fazer;
  • C ─ verificar;
  • A ─ agir.

Como você pôde notar, os oito desperdícios em empresas envolvem tanto aspectos de produtividade e de qualidade. Logo, eles podem ser evitados com o uso combinado das técnicas do Lean e do Six Sigma.

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