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Treinamento in company: quando faz sentido e o que muda em relação ao curso aberto

O gerente de qualidade recebeu a tarefa de “capacitar a equipe em melhoria contínua” e começou como quase todo mundo começa: pedindo proposta de curso aberto para seis pessoas. O orçamento passou, as seis fizeram o curso em meses diferentes, cada uma com um professor, e nove meses depois havia seis certificados e nenhum projeto em andamento.

O problema não foi o curso. Foi o formato. Seis pessoas treinadas separadamente, com exemplos de setores que não eram o delas, voltam para a operação sem um problema comum para atacar e sem ninguém por perto que fale a mesma língua. Treinamento in company existe para resolver exatamente isso.

O que é treinamento in company

É a formação conduzida para uma turma fechada da própria empresa, com conteúdo, exemplos e ritmo ajustados ao contexto dela. A diferença em relação ao curso aberto não é o certificado, que é o mesmo: é que a turma inteira aprende junto, sobre os processos que ela conhece, e sai com vocabulário comum para conduzir melhoria.

Na prática, três coisas mudam. Os exemplos passam a ser do setor da empresa, o que encurta a distância entre a aula e o trabalho. As pessoas discutem os próprios problemas durante a formação, com o professor presente. E a empresa decide quem treinar e em que nível, em vez de encaixar cada um numa turma diferente conforme a agenda.

Quando faz sentido, e quando não faz

Faz sentido quando há um grupo com problemas em comum, quando a empresa quer que a melhoria vire prática de área e não iniciativa isolada, e quando existe um patrocinador com autoridade para liberar horas e destravar o que aparecer. A partir de seis a oito pessoas, o in company costuma sair na frente do curso aberto também no custo por participante.

Não faz sentido quando são uma ou duas pessoas, quando os candidatos estão espalhados em áreas sem nenhum problema comum, ou quando ninguém na empresa vai responder pelo projeto depois da formação. Nesses casos, curso aberto ou EAD resolvem melhor, e o in company vira despesa maior sem ganho correspondente.

Quem treinar, e em que nível

A pergunta que o gestor técnico faz primeiro é quantas pessoas treinar. A pergunta mais útil é outra: que papel cada uma vai ter no processo de melhoria depois da formação. O critério não é cargo, é função.

Que nível treinar por funçãoTrês faixas. Operação e apoio, que executa o processo, recebe White Belt ou Yellow Belt. Analistas, supervisores e coordenadores, que conduzem melhorias, recebem Green Belt. Especialistas e lideranças técnicas, que atacam problemas crônicos, recebem Black Belt.QUEMNÍVELO QUE PASSA A FAZEROperação e apoioquem executa o processoWhite / Yellow Beltentende o método,participa e sustentaAnalistas, supervisores,coordenadoresquem conduz melhoriasGreen Beltconduz projeto do inícioao fim, com dadosEspecialistas e liderançastécnicasquem ataca o problema crônicoBlack Beltanálise estatística eprojetos entre áreas
Figura 1. Um critério simples para decidir o nível de cada grupo: pelo papel que a pessoa tem no processo, não pelo cargo.

Uma composição frequente e que funciona bem: um grupo maior nos níveis introdutórios, para que a área inteira entenda o método e sustente as mudanças, e um grupo menor em Green Belt, que conduz os projetos. O Black Belt entra quando há problemas crônicos, com causa desconhecida e necessidade de análise estatística mais pesada.

Formação é uma coisa, projeto é outra

Aqui está a distinção que decide o resultado, e que quase nenhum fornecedor explicita.

A formação ensina o método: delimitar o problema, definir indicador, encontrar causa com dados, testar mudança e verificar o resultado no tempo. É o roteiro DMAIC e as ferramentas que o sustentam.

O projeto da empresa é outro trabalho. Ele acontece na operação, com os dados reais, com as pessoas que executam o processo, e depende de coisas que nenhum curso entrega: patrocínio, horas liberadas, acesso a sistema, decisão sobre escopo. Quando a empresa quer que os projetos avancem junto com a formação, o caminho é contratar o acompanhamento, com um Master Black Belt orientando a equipe ciclo a ciclo, revisando o contrato de melhoria, a análise e a leitura dos resultados.

Separar as duas coisas na hora da compra evita a frustração mais comum em treinamento corporativo: esperar que o curso, sozinho, produza resultado de processo. Ele produz capacidade. O resultado vem da condução, e a condução precisa de tempo e de patrocínio.

Para o RH e a área de T&D: o que definir antes de pedir proposta

Modalidade. Presencial na empresa, online ao vivo ou combinação das duas. Turmas distribuídas em várias unidades costumam funcionar melhor no formato ao vivo, com encontros presenciais nos momentos de prática.

Composição da turma. Quantas pessoas, de que áreas e em que níveis. É o dado que mais muda a proposta, mais até que a carga horária.

Certificação. As certificações Lean Six Sigma da EDTI têm acreditação do The Council for Six Sigma Certification, o que dá padrão internacional ao certificado que o colaborador recebe.

Calendário. Distribuir os encontros ao longo de semanas, em vez de concentrar tudo numa semana intensiva, costuma render mais aplicação, porque dá tempo de a equipe levar o conteúdo para o processo entre um encontro e outro.

O que acontece com quem entra depois. Toda turma fechada tem uma data. Quem for contratado no ano seguinte não passou por ela. Vale decidir desde o início como esses profissionais serão formados, para que o investimento não se dilua com a rotatividade.

Como avaliar fornecedores

Três perguntas separam propostas parecidas no papel. Quem dá a aula, e qual a experiência dessa pessoa em conduzir projetos, e não só em ensinar. Como o conteúdo será adaptado ao setor da empresa, com exemplos e dados do contexto dela. E o que acontece depois do último encontro: existe acompanhamento, e em que formato.

A quarta pergunta é sobre método, e é a que mais revela. Peça para o fornecedor explicar como o participante vai saber se uma mudança foi uma melhoria. Se a resposta não mencionar indicador definido antes, dados lidos ao longo do tempo e separação entre variação normal e mudança real, a formação vai entregar ferramentas, e não método.

É essa distinção que a EDTI carrega desde a fundação pelo Prof. Dr. Ademir J. Petenate: Lean Six Sigma apoiado no Modelo de Melhoria e no pensamento de Deming, com formações que existem há mais de quinze anos em empresas de todos os portes, e com extensão para o ambiente hospitalar em Lean Healthcare.


Conteúdo revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua. Nesta revisão, o foco foi a separação entre formação e condução de projeto e os critérios de composição de turma.


Para montar uma turma fechada na sua empresa, o ponto de partida é entender o contexto: quantas pessoas, de que áreas, com que problemas e em que prazo. Conheça as formações in company da EDTI e solicite uma proposta.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas são necessárias para uma turma in company?

Depende do formato e do nível, mas a partir de seis a oito participantes o in company costuma ser mais vantajoso que matricular cada pessoa em curso aberto, tanto no custo por participante quanto no resultado, porque a turma passa a discutir problemas comuns.

Quanto custa um treinamento in company?

O valor depende do número de participantes, dos níveis de formação, da modalidade e da existência ou não de acompanhamento de projetos. Por isso a proposta é feita caso a caso, a partir de um diagnóstico rápido do contexto da empresa.

O certificado é o mesmo do curso aberto?

Sim. Os participantes recebem a mesma certificação, com acreditação do The Council for Six Sigma Certification. O que muda no in company é o formato da turma e a adaptação do conteúdo ao contexto da empresa, não o reconhecimento do certificado.

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