Pular para o conteúdo
Você está aqui: Início / Blog / Como dar feedback negativo: método, exemplos e erros

Como dar feedback negativo: método, exemplos e erros

“Eu fui muito claro com ele”, disse a supervisora de expedição ao gerente, na sexta-feira. Na mesma tarde, o separador contou a um colega: “A conversa foi ótima, ela elogiou meu empenho e disse que eu estou no caminho certo”. Os dois estavam descrevendo a mesma reunião de quinze minutos. Três semanas depois, os erros de separação dele continuavam onde estavam, e a supervisora concluiu que o feedback “não tinha funcionado”.

O feedback não falhou por falta de coragem. Falhou porque a mensagem negativa ficou escondida entre dois elogios, sem fato, sem impacto e sem pedido, e cada um saiu da sala com a parte que preferiu ouvir.

Como dar feedback negativo?

Dê feedback negativo descrevendo um fato observável, o impacto que ele teve e o que você pede que mude, numa conversa privada, perto do acontecido, e combine quando os dois vão olhar o resultado de novo. Antes da conversa, confirme com dados se o problema é da pessoa ou do processo em que ela trabalha.

O que é e o que não é feedback negativo

É uma informação sobre um comportamento ou resultado que precisa mudar, dada para que mude. Não é avaliação da pessoa, desabafo do gestor nem registro para a avaliação de desempenho do fim do ano. Se o objetivo da conversa não é uma mudança verificável, ela não é feedback, é julgamento.

Feedback sanduíche Fato, impacto e pedido
Como começa Elogio genérico para “preparar” O fato, com data e número
Onde fica a crítica No meio, suavizada No centro da conversa, sem rodeio
O que a pessoa lembra Os elogios O que precisa mudar
Como termina Outro elogio Um combinado e uma data para olhar o resultado

O modelo de fato, impacto e pedido é uma adaptação do SBI (situação, comportamento, impacto), desenvolvido pelo Center for Creative Leadership. A versão com o pedido explícito funciona melhor no chão de fábrica e no escritório porque fecha a conversa com uma ação.

Antes da conversa: é a pessoa ou é o processo?

A maior parte da variação de desempenho entre pessoas que fazem o mesmo trabalho vem do sistema: o layout, a qualidade da informação que chega, o treinamento, o equipamento. Dar feedback negativo a alguém por um resultado que o processo produz é injusto e inútil, porque a pessoa não controla a causa. É o que a cultura justa chama de separar erro de sistema de escolha individual.

No caso da expedição, a supervisora olhou para uma semana ruim. Quando o gerente pediu as doze semanas anteriores, o quadro ficou claro: o separador estava sempre acima do restante da equipe, com 2,8% de pedidos com erro contra 1,1% dos colegas, no mesmo turno, com as mesmas ferramentas. Isso não era oscilação: era um padrão dele. Aí o feedback individual fazia sentido.

Como conduzir a conversa

1. Fato: “Nas últimas doze semanas, 2,8% dos seus pedidos saíram com erro de separação. A média da equipe ficou em 1,1%.”

2. Impacto: “Cada erro gera uma reentrega e uma reclamação do cliente. No mês passado foram onze reentregas só da sua separação.”

3. Escuta: pergunte o que ele vê. No caso real, o separador lia a etiqueta de longe porque tinha dificuldade com a letra pequena, e nunca tinha dito.

4. Pedido e combinado: “Vamos testar a leitura pelo coletor em vez da etiqueta, por duas semanas, e olhar o número juntos no dia 20.”

Em seis semanas, o percentual de erro dele caiu para 1,2%, dentro da faixa da equipe. A conversa negativa terminou num ajuste de processo, e o PDI dele ganhou um item verificável em vez de um “melhorar atenção”.

Para o RH e a área de T&D

Treinar gestores para dar feedback costuma focar em postura e linguagem. O que mais muda o resultado é ensinar a olhar o dado no tempo antes da conversa e a fechar cada feedback com um combinado que pode ser verificado. Sem isso, o programa mede quantas conversas aconteceram, não o que mudou. A segurança psicológica da equipe também depende disso: feedback baseado em fato é previsível; feedback baseado em impressão parece arbitrário.

Teste antes da próxima conversa

Três perguntas para fazer a si mesmo antes de dar o próximo feedback negativo: Eu tenho o fato com número e período, ou só uma impressão da última semana? O resultado é diferente do restante da equipe que trabalha nas mesmas condições? A conversa vai terminar com um pedido e uma data para olharmos juntos? Se alguma resposta for não, a conversa ainda não está pronta.


Conteúdo revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua. Nesta revisão, o foco foi separar, antes do feedback, o que é padrão da pessoa do que é produzido pelo processo.


Quando a empresa quer que os líderes deixem de reagir à última semana e passem a conversar sobre dados no tempo, a Escola EDTI desenvolve a equipe em formato in-company: a formação ensina o método, e o projeto real da empresa é acompanhado pela consultoria, contratada à parte. Veja como funciona em soluções para empresas.

Perguntas frequentes

Feedback sanduíche funciona?

Na maioria dos casos, não. A pessoa tende a reter os elogios e esquecer a crítica, e com o tempo passa a desconfiar de qualquer elogio. Fato, impacto e pedido, ditos com respeito, funcionam melhor.

Como começar a treinar líderes para dar feedback negativo?

Comece por uma área, com um indicador que a equipe já acompanha, e ensine os líderes a olhar a série das últimas semanas antes de cada conversa e a combinar uma data para revisar. É assim que a Escola EDTI estrutura esse tema nos programas in-company.

post

Deixe um comentário

Inscreva-se em nossa newsletter

E receba por email novos conteúdos assim que forem publicados!

Desenvolvido por: