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Plano de sucessão: o que é, como fazer e modelo de mapa editável

A usina tinha plano de sucessão para o supervisor de caldeira. O plano tinha três nomes, todos avaliados com alto desempenho e alto potencial. Quando o supervisor anunciou a aposentadoria, nenhum dos três podia assumir o turno.

As três frases parecem não caber juntas. Cabem, e o caso deste artigo, ilustrativo, mostra por quê: o plano media as pessoas, e não a prontidão delas para aquele cargo. Para o gestor técnico, a diferença aparece no primeiro turno sem o titular. Para o RH, aparece quando a vaga precisa ser preenchida de fora, às pressas e no meio da safra.

O que é plano de sucessão?

Plano de sucessão é o processo de identificar os cargos críticos de uma organização, indicar quem pode ocupá-los quando o titular sair e preparar essas pessoas com antecedência. Ele responde a três perguntas: que cargos não podem ficar vagos, quem está pronto para cada um e em quanto tempo os demais estarão.

A palavra que mais pesa é “pronto”. Um plano que lista nomes sem dizer quanto falta para cada um é uma lista de candidatos, não um plano.

Cargos críticos: o que o titular decide que ninguém mais decide

Na usina de açúcar e etanol do caso, a safra dura 240 dias, com moagem 24 horas em três turnos. O registro da caldeira mostrou cerca de 1.680 situações fora do padrão por safra: bagaço chegando úmido, queda de pressão, troca de bomba de alimentação. São 7 por dia, 2 a 3 por turno de 8 horas. Em cada uma, o supervisor decide sozinho, em minutos.

Responda antes de continuar: quantas dessas situações os três sucessores do plano tinham conduzido na safra anterior?

Três números em escala: 1.680 situações fora do padrão na caldeira por safra, 7 por dia e 2 a 3 por turno; abaixo, o plano antigo com 3 sucessores e 0 situações conduzidas e o plano novo com meta de 40 e 46, 31 e 12 situações conduzidas
Caso ilustrativo: safra de 240 dias em 3 turnos. O número do ano assusta; o do turno mostra o que o sucessor precisa saber fazer. Embaixo, situações conduzidas pelos três sucessores antes e depois de o plano passar a medir exposição.

Nenhuma. Os três eram bons no que faziam: um coordenava a manutenção, outro a qualidade do caldo, outro a turbina. Tinham sido escolhidos pela matriz 9-box, que cruza desempenho e potencial e serve bem para decidir quem desenvolver. O contraste está aí: a 9-box diz quem tem potencial em geral; o plano de sucessão precisa dizer quem está pronto para um cargo específico. Potencial alto e zero horas na caldeira na safra dão um sucessor que ainda não existe.

Como fazer um plano de sucessão em 5 etapas

1. Listar os cargos críticos. Critérios: impacto da vaga no resultado, dificuldade de repor no mercado e risco de saída do titular (aposentadoria, proposta externa). Na usina, foram 9 cargos de 140.

2. Descrever a situação que define o cargo. Não a descrição de cargo inteira: a decisão que só o titular toma. Para o supervisor de caldeira, conduzir uma situação fora do padrão sem parar a moagem.

3. Indicar sucessores e medir a prontidão. Quantas vezes cada um já conduziu essa situação, sob supervisão, e quantas o titular considera necessárias. Na usina, a meta foi 40 por safra.

4. Planejar a exposição. Escala de turnos com o titular, situações conduzidas com ele ao lado, registro de cada uma. Curso entra como apoio, não como substituto.

5. Revisar a cada seis meses com o número na mesa. Quem chegou na meta, quem não chegou e por quê. A revisão é do gestor técnico com o RH, não do RH sozinho.

O modelo abaixo organiza essas etapas numa tabela simples. Ele calcula a exposição de cada sucessor e conta quantos cargos têm risco de saída alto sem sucessor pronto.

Mapa de sucessão editável

Preencha um cargo crítico por linha. “Situações conduzidas” é quantas vezes o sucessor já conduziu, sob supervisão, a situação que define o cargo; “Meta” é quantas o titular considera necessárias. Nada é enviado: os dados ficam só nesta página.

Cargo crítico Titular Risco de saída Sucessor Prontidão Situações conduzidas Meta Exposição
78%
—
—
—
—

Cargos com risco de saída alto e sucessor ainda não pronto: 1

Para quem está no RH ou em T&D: o papel da área é transformar a meta de exposição em trilha e acompanhar o número, não escolher os nomes sozinha. A avaliação de desempenho alimenta a lista de candidatos; a matriz de treinamento registra o que cada sucessor já domina. O mapa completo da família está no guia de gestão de pessoas.

Prontidão do sucessor: o que sustenta cada nível

Prontidão Evidência que sustenta Ação no plano
Pronto agora Meta de situações conduzidas atingida, com registro Cobrir férias e ausências do titular
Em 1 a 2 anos Parte da meta atingida e evolução a cada revisão Mais turnos com o titular na próxima safra
Em 3 anos ou mais Bom desempenho no cargo atual, pouca exposição Começar a exposição antes de cobrar resultado
Sem sucessor Nenhum candidato com exposição Risco declarado à diretoria e plano de contratação

A caldeira na safra seguinte

Com o plano refeito, os três sucessores fecharam a safra seguinte com 46, 31 e 12 situações conduzidas. No pico da moagem, o titular tirou 20 dias de férias, e o operador com 46 cobriu os turnos dele. Foi a primeira vez que a usina soube, com um número, quem estava pronto. Os outros dois continuam no plano, com meta para a próxima safra.


Conteúdo revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua.

Nesta revisão, o foco foi a prontidão do sucessor medida por exposição registrada ao trabalho do cargo, e não por avaliação geral de potencial.

Medir a prontidão com um número, revisá-lo no tempo e testar a trilha de exposição como mudança é método de melhoria aplicado a pessoas. Se a sua empresa quer formar gestores para conduzir planos assim, conheça a formação da Escola EDTI para empresas: a formação ensina o método; o projeto real da empresa é acompanhado pela consultoria, contratada à parte.

Perguntas frequentes sobre plano de sucessão

A formação para os gestores pode ser em turma fechada?

Sim. Turma, modalidade (presencial, ao vivo online ou mista) e carga horária são definidas com a empresa, com a mesma certificação da turma aberta.

O que faz o valor de uma formação corporativa variar?

O nível da formação, o número de participantes, a modalidade, a logística dos instrutores e o grau de adaptação dos exemplos aos dados da empresa. O acompanhamento do projeto real pela consultoria é contratado à parte.

Plano de sucessão é suficiente sozinho?

Não. Ele indica quem e quando, mas depende da exposição acontecer na escala de trabalho e de alguém revisar o número a cada seis meses. Sem isso, vira a lista de três nomes do começo deste artigo.

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