Engenharia Biomédica

Engenharia Biomédica: O que é, Mercado de Trabalho e Como Se Tornar um Engenheiro Biomédico

Quem pensa em estudar Engenharia Biomédica tem uma carreira promissora pela frente.

Afinal, os profissionais dessa área executam um trabalho altamente especializado e importante – por isso, têm uma boa valorização no mercado.

A tendência é que essa valorização só aumente, porque o uso da tecnologia na área da saúde está só no começo.

E tem ainda um fator que não muda nunca: as pessoas sempre vão precisar de cuidados médico-hospitalares.

Sem contar que o trabalho do engenheiro biomédico ajuda a preservar o bem mais importante que uma pessoa pode ter, que é a sua própria vida.

Para aproveitar esse cenário e iniciar uma carreira promissora, porém, há um árduo caminho pela frente.

A formação em Engenharia Biomédica é interdisciplinar, pois agrega diversas matérias, tanto das Ciências Exatas quanto das Ciências Tecnológicas e Ciências da Saúde.

A decisão de seguir por esse rumo, portanto, deve ser tomada após muita reflexão, já que serão anos de intensa dedicação aos estudos e ao mercado.

O primeiro passo está dado, pois você chegou até aqui para buscar mais informações sobre a área.

Neste artigo, você vai saber do que se trata a Engenharia Biomédica, onde estudar, o que faz o profissional, quais suas habilidades e competências, quanto ele ganha, quais são as principais áreas de atuação e mais.

Ou seja, a partir de agora, você tem um guia completo pela frente para dominar o assunto.

Boa leitura!

O que é a Engenharia Biomédica?

O que é a Engenharia Biomédica?

Engenharia Biomédica é uma área na qual são aplicados conhecimentos das Ciências Exatas e da Saúde na criação de equipamentos médicos, biomédicos e odontológicos.

Ou, para simplificar, é a aplicação da engenharia em processos biológicos da área da saúde.

O objetivo é aumentar a segurança e a eficácia desses processos, tornando melhor a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de doenças e condições diversas.

Ao criar ou melhorar soluções, o engenheiro biomédico usa vários conhecimentos em comum aos demais ramos da engenharia.

Afinal, estamos falando de soluções construídas, como máquinas e próteses, e não sintetizadas para serem ingeridas, como as que são produzidas por pesquisadores da área farmacêutica.

A diferença em relação às demais engenharias – e isso muda bastante coisa – é que deve haver uma intersecção com a biologia humana.

Enquanto um engenheiro civil precisa pensar sobre a ação de fenômenos da natureza, como o vento e a umidade sobre uma construção, o engenheiro biomédico estuda como um equipamento interage com os processos naturais biológicos do corpo humano.

No próximo tópico, explicaremos com mais detalhes o que faz um engenheiro biomédico.

O que faz um Engenheiro Biomédico

O que faz um Engenheiro Biomédico

O engenheiro biomédico pode atuar em diversas áreas, como você verá logo à frente, no tópico “Áreas de Atuação de um Engenheiro Biomédico”.

Isso significa que responder o que faz um profissional da área tem múltiplas respostas possíveis.

A função mais conhecida e destacada é, geralmente, a construção de máquinas e equipamentos médico-hospitalares para a prevenção, diagnóstico e tratamento de problemas de saúde.

Na área de imagiologia médica, temos vários exemplos, como os equipamentos de ressonância magnética, de radiografia, de tomografia e de ultrassonografia, entre outros.

Mas o profissional também pode se especializar na produção de próteses, que são componentes artificiais que substituem membros naturais.

Alguns deles são desenvolvidos com alta tecnologia, o que exige muito conhecimento e pesquisa.

Além de projetarem esse tipo de solução, engenheiros biomédicos também podem se responsabilizar pela sua manutenção.

Um equipamento hospitalar, por exemplo, costuma ser muito caro e sensível. Por isso, exige o olhar de um especialista para realizar uma manutenção cuidadosa.

O profissional da Engenharia Biomédica também pode atuar na pesquisa científica, testando novos métodos e materiais mais eficazes e sustentáveis para a produção dos equipamentos.

Há, ainda, a possibilidade de buscar uma intersecção com o mercado de tecnologia, trabalhando na criação de softwares de diagnóstico e tratamento.

Por fim, o engenheiro biomédico também pode ocupar um cargo de gestão em uma instituição da área da saúde, gerenciando os processos e profissionais relacionados com a compra, instalação, treinamento, uso e manutenção de equipamentos.

Como a Engenharia Biomédica tem Influenciado o Mundo

Como a Engenharia Biomédica tem Influenciado o Mundo

Se, até agora, você achou tudo muito tradicional e nada empolgante no trabalho de um profissional da Engenharia Biomédica, talvez mude de opinião ao tomar conhecimento do que está por vir.

Um dos avanços em desenvolvimento na Medicina é, na verdade, fruto de trabalhos na área da Engenharia Biomédica: os cirurgiões robôs.

Como se sabe, um bom cirurgião precisa ter extrema sensibilidade, coordenação motora e motricidade fina (a capacidade de executar movimentos precisos com controle e destreza).

O que acontece é que capacidade humana nesses aspectos é limitada, ao contrário das máquinas. Esqueça aquela imagem caricata de robôs com movimentos duros e desastrados.

A robótica moderna produz equipamentos com mobilidade, flexibilidade e sensibilidade incríveis, que são capazes de executar com precisão tarefas em escalas muito reduzidas.

O robô cirurgião é controlado por um médico, que tem seu campo de visão ampliado em uma tela. O resultado é uma cirurgia com menos chances de ocorrerem falhas.

Sem contar a possibilidade de o médico operar um paciente remotamente, situação que deve se tornar comum com a difusão da conexão 5G, além dos robôs nos hospitais, é claro.

Uma revolução ainda maior protagonizada pela Engenharia Biomédica é a dos órgãos artificiais.

Essa é, na realidade, uma barreira a ser superada: o desenvolvimento de órgãos artificiais que substituam de maneira satisfatória coração, pulmões, rins e outros.

O principal desafio não é nem criar estruturas que funcionam da mesma maneira e que tenham as mesmas características (o que já é muito difícil), mas sim que possam ser integradas e sejam bem aceitas pelos tecidos naturais do corpo humano.

Ainda assim, essa é uma possível área de atuação para o futuro engenheiro biomédico, com relação direta com o aumento da expectativa e qualidade de vida da humanidade.

Como Ser um Engenheiro Biomédico

Como Ser um Engenheiro Biomédico

Para se tornar um engenheiro biomédico, é preciso se matricular e ser aprovado em um curso de graduação em Engenharia Biomédica em uma universidade.

Até dezembro de 2019, havia no Brasil 26 universidades ofertando a formação, segundo o Cadastro Nacional de Cursos e Instituições de Educação Superior, o Cadastro e-MEC, do Ministério da Educação.

Todas essas formações são bacharelados presenciais – a Unifacvest oferecia o curso na modalidade a distância, mas ele foi extinto.

Cada instituição de ensino tem liberdade para definir o melhor formato para seu curso, mas, em geral, a carga horária mínima de uma formação em Engenharia Biomédica fica entre 3.500 a 4.500 horas.

Conforme explicamos no início do texto, a Engenharia Biomédica é uma área na qual convergem conhecimentos das Ciências Exatas e da Saúde.

O aluno do curso, portanto, deve se preparar para ter aulas de disciplinas relacionadas à Matemática, Física, Química, Biologia, algoritmos e outros campos do conhecimento.

Onde Estudar

A seguir, confira a lista de universidades e centros universitários brasileiros nos quais é possível cursar Engenharia Biomédica.

A lista é de dezembro de 2019. Então, consulte o sistema do e-MEC para conferir as informações atualizadas.

Os cursos que iniciaram nos últimos anos ainda não têm avaliação do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes).

Universidade Federal de Uberlândia (UFU)

Local: Uberlândia (MG)

Nota do Enade: 3

Carga horária: 3.795 horas.

Instituto Nacional de Telecomunicações (INATEL)

Local: Santa Rita do Sapucaí (MG)

Nota do Enade: 3

Carga horária: 3.800.

Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP)

Local: São José dos Campos (SP)

Nota do Enade: 3

Carga horária: 3.840.

Universidade Franciscana (UFN)

Local: Santa Maria (RS)

Nota do Enade: 3

Carga horária: 4.335.

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP)

Local: São Paulo (SP)

Nota do Enade: 3

Carga horária: 3.780.

Universidade Federal do Pará (UFPA)

Local: Belém (PA)

Nota do Enade: 4

Carga horária: 4.030.

Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Local: Natal (RN)

Nota do Enade: 3

Carga horária: 3.700.

Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Local: Recife (PE)

Nota do Enade: 4

Carga horária: 3.600.

Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Local: São José dos Campos (SP)

Nota do Enade: 4

Carga horária: 3.880.

Fundação Universidade Federal do ABC (UFABC)

Local: São Bernardo do Campo (SP)

Nota do Enade: 3

Carga horária: 3.600.

Universidade Fumec (Fumec)

Local: Belo Horizonte (MG)

Nota do Enade: 3

Carga horária: 3.920.

Faculdades Integradas do Norte de Minas (Funorte)

Local: Montes Claros (MG)

Nota do Enade: 2

Carga horária: 4.200.

Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)

Local: Curitiba (PR)

Carga horária: 3.795 horas.

Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)

Local: São Leopoldo (RS)

Carga horária: 3.600 horas.

Universidade Feevale

Local: Campo Bom (RS)

Carga horária: 4.500 horas.

Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ)

Local: São João Del Rei (MG)

Carga horária: 3.600.

Universidade Brasil

Local: São Paulo (SP)

Carga horária: 4.000.

Universidade do Vale do Taquari (Univates)

Local: Lajeado (RS)

Carga horária: 3.960.

Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge)

Local: Salvador (BA)

Carga horária: 8.432.

Centro Universitário das Américas (CAM)

Local: São Paulo (SP)

Carga horária: 3.600.

Faculdade de Americana (FAM)

Local: Americana (SP)

Carga horária: 3.740.

Faculdade do Centro Leste

Local: Serra (ES)

Carga horária: 3.960.

Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)

Local: Caxias do Sul (RS)

Carga horária: 3.790.

Centro Universitário União Das Américas (Uniamérica)

Local: Foz do Iguaçu (PR)

Carga horária: 7.360.

Faculdade Metropolitana São Carlos BJI (Famesc-BJI)

Local: Bom Jesus do Itabapoana (RJ)

Carga horária: 4.093.

Centro Universitário – Católica de Santa Catarina em Joinville

Local: Joinville (SC)

Carga horária: 3.641.

Habilidades e Competências

Mesmo para o padrão das engenharias, o curso de Engenharia Biomédica é um tanto multidisciplinar.

O aluno terá aulas de cálculo, geometria analítica, computação, programação, biologia e outras disciplinas diversas.

Mas vale destacar que se trata de um bacharelado das Ciências Exatas. Portanto, o perfil de estudante ideal é o de quem não tem dificuldades com números e gosta de encarar problemas até chegar a uma solução.

Como o egresso pode seguir múltiplos caminhos, as habilidades e competências específicas do futuro profissional variam bastante.

O aluno pode experimentar as possíveis áreas de atuação em estágios e aprender os conhecimentos específicos no mercado de trabalho ou em cursos técnicos ou de especialização.

Salário

Como o engenheiro biomédico é um profissional com grande especialização e responsabilidade, recebe um bom salário.

Da mesma forma que os engenheiros de outras áreas, ele tem uma profissão regulamentada, com salário mínimo definido na Lei Nº 4.950-A/1966:

Piso de 6 salários mínimos para profissionais com jornadas de 6 horas diárias

Piso de 7,25 salários mínimos para profissionais com jornadas de 7 horas diárias

Piso de 8,5 salários mínimos para profissionais com jornadas de 8 horas diárias.

Como o salário mínimo vigente no Brasil é de R$ 998,00, os valores acima são, respectivamente, R$ 5.988,00, R$ 7.235,50 e R$ 8.483,00.

Ética na Engenharia Biomédica

Se compararmos a Engenharia Biomédica com a biotecnologia, vamos enxergar menos dilemas éticos.

Afinal, a biotecnologia envolve a manipulação de matéria-prima viva, como células, plantas, animais, humanos e microorganismos.

O que não significa que a Engenharia Biomédica seja totalmente isenta de problemas cuja solução passe por reflexões na área da ética.

Para começar, pode-se dizer que o engenheiro médico é um praticante indireto da Medicina.

Ele não trata pacientes, mas projeta soluções que são utilizadas neles.

Boa parte das questões éticas que um médico precisa respeitar, portanto, o engenheiro biomédico também deve atender.

Uma das mais recorrentes na área é quanto aos testes de pesquisa e desenvolvimento de produtos que utilizam animais ou até mesmo humanos como cobaias.

Trata-se de uma discussão que persiste há muito tempo, e motiva projetos de desenvolvimento de cobaias virtuais – um serviço que, ironicamente, é desenvolvido por engenheiros biomédicos.

Outros possíveis conflitos éticos são relacionados aos negócios por trás da Engenharia Biomédica: o objetivo de obter lucro em cima da comercialização de soluções médicas nunca deixará de ser polêmico.

Sem contar as especulações sobre a maneira como as tecnologias biomédicas futuras serão utilizadas.

Com órgãos e membros artificiais, haverá super humanos? Não deve haver uma regulamentação para controlar o que pode ser feito?

São questões que se somam aos debates em torno da ética.

Áreas de Atuação de um Engenheiro Biomédico

Como prometido, saiba mais sobre as principais áreas de atuação do engenheiro biomédico.

Desenvolvimento de equipamentos médicos

O engenheiro biomédico projeta, desenvolve e implementa aparelhos e equipamentos que desempenham funções importantes no diagnóstico ou tratamento de doenças e em operações médicas.

Desenvolvimento de próteses

Uma das áreas de atuação mais comuns para o engenheiro biomédico é o desenvolvimento de próteses que se integrem harmoniosamente ao corpo humano e desempenhem com qualidade as funções para as quais foram projetadas.

Bioinformática

O engenheiro biomédico não desenvolve apenas hardwares, mas também softwares que podem ajudar no combate a doenças e processamento de informações relevantes para o trabalho do médico.

Gestão em clínicas e hospitais

O engenheiro pode ser o encarregado pela gestão das máquinas, equipamentos e aparelhos usados nos processos médicos de uma instituição da saúde.

Isso contempla a compra, a avaliação, a manutenção e o treinamento, entre outras tarefas relacionadas.

Pesquisa de materiais

No campo da pesquisa, o engenheiro pode se dedicar a testar e desenvolver os materiais mais adequados para a produção de órgãos artificiais e próteses.

Materiais que sejam sustentáveis e não agridam nem sejam rejeitados pelo corpo humano.

Como o Lean Six Sigma Pode Influenciar a Carreira de um Engenheiro Biomédico

O setor da saúde é cheio de particularidades que o tornam bem diferente de qualquer outro ramo de atividade profissional que você possa imaginar.

O que não significa que técnicas e ferramentas usadas com sucesso na indústria e nos serviços há décadas não possam ser aplicadas em clínicas, hospitais e em empresas que desenvolvem soluções de saúde.

Inclusive, existem metodologias muito eficazes na promoção da qualidade e melhoria contínua.

Entre elas, se destaca a Lean Six Sigma, que agrupa a ideia de combate aos desperdícios do Lean Manufacturing e ao mesmo tempo a redução do desvio padrão nos processos do Six Sigma.

Vale a pena consultar os artigos específicos sobre os temas no nosso blog e aprender mais sobre essas metodologias.

Afinal, na saúde em geral – e consequentemente na Engenharia Biomédica -, desperdício e variação altos podem custar vidas.

Conclusão

Se, depois de ler tudo isso, você tem vontade de ingressar em um curso de Engenharia Biomédica, é sinal que possui disposição para estudar bastante.

E também que tem algum interesse tanto pelas disciplinas tradicionais da engenharia quanto pela área médico-hospitalar, de prevenção e tratamento a doenças e promoção da qualidade de vida.

A dedicação compensa, pois o trabalho é cheio de propósito e a remuneração é boa.

Além disso, para quem gosta de desafios, sempre haverá novas áreas de atuação para explorar, acompanhando os avanços tecnológicos.

Ao entrar no mercado de trabalho, não esqueça de ampliar seus olhares e buscar metodologias como o Lean e o Six Sigma para qualificar os processos e promover a qualidade e a melhoria contínua, onde quer que esteja trabalhando.

Essa é a proposta da Escola EDTI e de seus cursos.

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