como aplicar o six sigma

O que é Six Sigma, Como Aplicá-lo e Suas Certificações

O que você sabe sobre Six Sigma? Se ainda não domina o conceito, vale se aprofundar nele para aproveitar seus benefícios. E eles não são poucos.

Com essa metodologia, empresas qualificam seus processos e melhoram significativamente a produção, aumentando a margem de lucro e a satisfação de seus clientes.

Parece interessante para você?

Para que ela seja aplicada, porém, é preciso de gestores e colaboradores que entendam seus preceitos e saibam como fazer uso dela no contexto em que estão.

A boa notícia está na sua diversidade.

Ou seja, embora tenha surgido em um fabricante de equipamentos eletrônicos (mais adiante contaremos melhor essa história), hoje, a prática evoluiu e pode ser replicada em cenários variados.

O primeiro passo para entender o que é e como implementar o Six Sigma você acabou de dar, começando a leitura deste texto.

Aqui, falaremos sobre o conceito e sua origem, objetivos e métodos, além de trazer dicas quanto à sua aplicação e sobre a montagem de uma equipe capaz de promover os resultados que deseja.

Pronto para ajudar a melhorar os processos da sua empresa? Então, siga a leitura!

o que é six sigma?

 

O que é o Six Sigma?

Six Sigma é um conjunto de práticas aplicadas em uma empresa para eliminar defeitos a partir da redução da variação dos processos.

Em uma definição bastante simples, processo é uma atividade que deve ser executada para agregar valor a uma organização.

Em uma fábrica de calçados, por exemplo, colar o solado ao cabedal é um dos inúmeros processos necessários para a produção de um sapato.

Quanto mais homogêneos forem os processos, menor é a chance de haver problemas no resultado final.

Voltando ao exemplo: quanto mais a atividade de colar o solado ao cabedal for feita exatamente da mesma forma, sem variações, mais qualificada ela se tornará.

O Six Sigma, portanto, traz uma estratégia gerencial para melhorar esses processos, combatendo a variabilidade e otimizando os resultados.

Qual a Origem do Six Sigma?

Quem criou a metodologia Six Sigma foi o engenheiro Bill Smith, nos anos 1980, quando trabalhava na Motorola – empresa americana de telecomunicações, que se tornou mundialmente conhecida quando começou a fabricar celulares.

O termo faz referência à 18º letra do alfabeto grego, sigma, que cujo símbolo (σ) é usado na matemática para se referir ao conceito de desvio padrão. Mais adiante, explicaremos o que é desvio padrão e qual sua relação com o Six Sigma.

Em 1986, a Motorola registrou o conceito, que logo se tornaria um padrão global de melhoria na qualidade dos processos – nos anos seguintes, por exemplo, foi adotado pela General Electric.

Se quisermos voltar ainda mais no tempo para entender as origens do Six Sigma, podemos citar como marco a criação do gráfico de controle estatístico de processos, na década de 1930, pelo engenheiro e estatístico americano Walter A. Shewhart.

Busca contínua pela perfeição

Six Sigma costuma ser referido como uma metodologia que promove a busca contínua pela perfeição.

Sim, sabemos que a perfeição é inatingível, mas, ao tentar chegar o mais próximo possível dela, promove-se uma melhoria substancial na qualidade dos processos.

No Six Sigma, a empresa mira certos desempenhos estatísticos em determinados processos. Por exemplo, geralmente, é citado o número de 3,4 defeitos a cada um milhão de produtos como referência.

Mas cada caso é um caso e os gestores da produção precisam definir metas que façam sentido para determinado processo – em alguns, 3,4 defeitos por milhão é um número alto demais.

O fundamental, no entanto, é nunca cessar a busca pela melhoria contínua.

O que é desvio padrão?

Desvio padrão é uma medida usada na estatística para indicar o grau de variação de um conjunto de itens em relação à média.

Para melhor compreensão, pense em um lote de pacotes de café, cuja média de peso é de 500 gramas por embalagem, mas algumas têm um pouco mais e outras um pouco menos.

Nesse caso, o cálculo do desvio padrão serve para identificar qual o grau de variação nessas embalagens.

Quanto maior o desvio padrão, maior a diferença entre o peso dos pacotes e a média.

Quanto menor o desvio padrão, é sinal que a variação de peso das embalagens não se afasta tanto da média – um dado positivo dentro do que é buscado no Six Sigma.

qual a origem do six sigma

O Six Sigma e a variação nos processos

Para entender por que a variação nos processos é ruim, pense primeiro com a cabeça de um administrador.

Conceber um produto dá muito trabalho, pois envolve desde a pesquisa de mercado até o design, testes e lançamento no mercado.

Os processos para se chegar até um bom produto são cuidadosamente desenhados para que o resultado final deixe os clientes satisfeitos.

Por isso, é importante que, ao ir para os pontos de venda, o produto esteja o mais próximo possível do que foi idealizado com tanto esmero.

Pela ótica do cliente, fica ainda mais fácil compreender: você compraria recorrentemente um produto em que é preciso ter uma dose de sorte para que a unidade adquirida tenha a mesma qualidade da anterior?

Certamente, não.

Média para tudo

A média é a referência necessária para se poder calcular o desvio padrão, ou seja, o grau de variabilidade do produto ou processo.

Embora seja mais fácil explicar a média e o desvio padrão com métricas do produto final, como no exemplo do peso da embalagem de café, elas são calculadas medidas de referência para muitos outros processos.

Quer exemplos?

Podemos citar o tempo médio para produzir uma peça, o ticket médio nas vendas de uma loja, o tempo médio de entrega de um produto, o consumo médio de determinado insumo usado na produção e muito mais.

Mas atenção: lembre-se de que a média é apenas a referência, e não o objetivo.

A média de certo processo pode estar dentro do esperado, porém, se o desvio padrão é alto demais, há muito o que ser melhorado.

media e variação no six sigma

Qual o objetivo do Six Sigma?

O objetivo primordial do Six Sigma é a melhoria na qualidade dos processos de uma empresa, a partir do que já abordamos aqui: redução do desvio padrão e da quantidade de defeitos na produção.

Alcançando esse objetivo com sucesso, uma série de benefícios podem vir na esteira, a exemplo de:

  • Aumento de produtividade
  • Maior satisfação dos clientes
  • Crescimento na margem de lucro
  • Melhora na identidade da marca
  • Redução nos custos com manutenção, suporte e atendimento.

É como um efeito em cascata, porque a melhora de um processo leva à otimização de outro – e o cliente vai perceber isso no final.

Quais os métodos usados no Six Sigma

Inspirado no ciclo PDCA, uma ferramenta de melhoria contínua concebida pelo já citado Walter A. Shewhart, o Six Sigma possui dois métodos principais, cada um com cinco fases, que explicaremos a seguir.

DMAIC

O DMAIC é recomendado para aplicação em produtos, serviços ou processos que já existem.

Suas fases são as seguintes:

  • Define the problem (definir o problema): qual é o problema que está demandando uma solução? Responder objetivamente a essa questão é o primeiro passo
  • Measure key aspects (mensurar aspectos principais): nesta fase, investiga-se quais as relações de causa e efeito do problema a ser corrigido
  • Analyse (análise): a partir de todos os dados disponíveis sobre o problema, é feita uma análise minuciosa para identificar padrões e oportunidades de melhoria
  • Improve the process (melhorar o processo): com base nos estudos das etapas anteriores, são propostas soluções para melhorar o processo, visando acabar ou minimizar o problema
  • Control (controle): é uma etapa contínua, em que o processo já foi implementado e é monitorado para que possíveis desvios sejam corrigidos.

DMADV

Já o método DMADV é ideal para o desenvolvimento de novos processos, produtos ou serviços.

Suas fases são:

  • Define goals (definir objetivos): de acordo com a estratégia da empresa, quais sãos os objetivos a serem alcançados com o projeto?
  • Measure and identify (mensurar e identificar): nessa etapa, busca-se entender quais características são essenciais para a qualidade do produto ou processo
  • Analyze (analisar): aqui, as ideias e possibilidades são analisadas, debatidas e priorizadas
  • Design (desenhar): o produto começa a tomar forma. Essa etapa só é concluída depois de muitos testes
  • Verify the design (verificar o desenho): é a etapa de validação, na qual os últimos testes ocorrem antes do produto ser finalmente lançado.

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Como Aplicar o Six Sigma na Empresa

A ideia de que o Six Sigma só pode ser implementado em fábricas é um mito. Ele nasceu nesse contexto, sim, mas hoje é aplicado nos mais diferentes tipos de negócio.

Apesar de você já ter lido aqui sobre DMAIC e DMADV, entender quais são as cinco fases desses métodos não é o suficiente para colocá-los em prática.

É preciso contar com profissionais com conhecimento mais detalhado e aprofundado sobre o Six Sigma.

A melhor maneira de aplicar a metodologia na sua empresa, portanto, é investindo na capacitação de seus colaboradores.

No tópico “O que são as Certificações Six Sigma”, mais à frente, você vai compreender melhor qual caminho seguir nesse sentido.

Antes disso, veja quais os tipos de profissionais habilitados a implementar o Six Sigma.

Como Montar uma Equipe Six Sigma Eficaz

Existem vários níveis de certificação para os profissionais que trabalham com a metodologia Six Sigma.

A escala de habilidades é classificada da seguinte maneira:

White Belt e Yellow Belt

São os níveis introdutórios.

O profissional com certificação White Belt tem uma formação básica que o permite trabalhar como auxiliar em projetos de Six Sigma.

Você pode obter a certificação White Belt gratuitamente neste link.

Já o Yellow Belt já tem uma compreensão maior, o que possibilita a ele realizar projetos de baixa complexidade dentro da empresa, com rápida implementação.

Green Belt

O Green Belt é uma certificação que permite ao profissional conduzir projetos de melhoria de processos com grau médio de complexidade.

Seu conhecimento sobre os conceitos, processos, técnicas e métodos do Six Sigma é mais avançado do que o do profissional com White ou Yellow Belt.

No entanto, ele deve continuar se aprimorando antes de se dedicar totalmente à atividade de melhoria de processos.

Na verdade, pode acontecer de essa função nem estar no plano de carreira do profissional.

Isso acontece em empresas que tratam a qualificação dos processos como prioridade, a ponto de certificar com Green Belt funcionários de diversas áreas e níveis hierárquicos.

Black Belt

Black Belt é a mais alta certificação em Six Sigma, obtida por quem estudou para ter uma profunda especialização no assunto.

Profissionais desse nível lideram as equipes responsáveis pela implementação dos processos de melhoria, e podem conduzir projetos de grande complexidade e com escopo longo.

Além dos conceitos genéricos do Six Sigma, o Black Belt precisa dominar ferramentas estatísticas e técnicas diversas de mapeamento e análise de processos.

O profissional também pode atuar indiretamente em projetos de menor complexidade, orientando os Green Belts encarregados.

Master Black Belt

Assim como o Black Belt, o Master tem um conhecimento bastante aprofundado sobre os conceitos, ferramentas e técnicas que envolvem o universo do Six Sigma.

Só que ele está um nível além, pela experiência acumulada por anos de atividade na área e pela capacidade de trabalhar com um número maior de equipes.

A expectativa de um Black Belt é que ele passe a se dedicar especialmente às funções relacionadas ao Six Sigma e, após orientar um bom número de projetos, tornar-se um Master Black Belt.

É uma posição que, além do conhecimento técnico, demanda grande capacidade de liderança e gestão de pessoas.

Champion

Acima do Black Belt e Master Black Belt está o Champion. Isso não quer dizer que ele trabalhará diretamente na implementação do Six Sigma ou das equipes que conduzem os projetos.

O Champion é que um executivo influente que supervisiona e dá apoio aos projetos de melhoria de processos.

Ele provê orientação estratégica e ajuda a definir a composição das equipes e o escopo geral do projeto.

Seu envolvimento também é fundamental para remover obstáculos que estão além da capacidade institucional dos Black Belts.

O Champion ainda garante treinamento e mentoria para os colaboradores, promovendo a continuidade da cultura de melhoria e redução de defeitos em toda a empresa.

Sponsor

Por fim, temos o Sponsor, que ocupa um nível hierárquico ainda mais alto que o Champion.

Ele define as diretrizes gerais da implementação da mentalidade Six Sigma na empresa, garantindo que os projetos estejam sempre alinhados com o posicionamento estratégico da organização.

O Sponsor, muitas vezes, é o principal executivo da empresa, o que torna possível superar quaisquer obstáculos organizacionais que possam surgir no caminho dos projetos.

Apesar de pouco envolvimento direto com os processos do Six Sigma, a sua capacidade de solucionar os problemas e garantir o alinhamento estratégico dos projetos é essencial para a melhoria efetiva da qualidade na empresa.

O que são as Certificações Six Sigma?

A certificação Six Sigma é um curso que capacita um profissional a implementar a metodologia na empresa onde trabalha.

No programa de treinamento, o aluno avança nos conceitos, técnicas e métodos de que falamos ao longo deste artigo.

Existem vários níveis de certificação, com diferentes graus de aprofundamento na matéria, conforme explicamos anteriormente.

É importante buscar essa formação em instituição com tradição no ensino da metodologia em seus diferentes níveis.

Benefícios de se Certificar Six Sigma com a Escola EDTI

A Escola EDTI é referência nacional em certificação Six Sigma graças à longa experiência de seu fundador, Prof. Dr. Ademir Petenate, na consultoria em diversas indústrias e na criação do primeiro mestrado profissional do país, na Unicamp.

Com uma equipe de professores altamente qualificados, a EDTI desenvolve a habilidade analítica de seus alunos, para que eles sejam capazes de levar os melhores resultados a suas empresas.

Enquanto o curso introdutório para o nível White Belt é gratuito e a distância, as demais formações Lean Six-Sigma da EDTI estão disponíveis nas modalidades presencial e EAD, nos seguintes níveis:

Acesse as páginas para saber mais detalhes sobre os cursos.

Conclusão

Você conhece alguma empresa, produto ou serviço que não tenha nada para melhorar ou que nunca tenha apresentado algum problema ou defeito?

A resposta é não, certamente, pois nenhuma companhia é perfeita – uma realidade que torna a melhoria de processos uma preocupação contínua.

Não é um processo com início, meio e fim, e sim uma cultura organizacional que deve ser estimulada pelas lideranças da empresa.

Mas não basta apenas desenvolver essa mentalidade nos gestores e colaboradores: é preciso capacitá-los com técnicas que permitam melhorar os processos de forma eficaz, com foco em resultados.

É exatamente isso que a metodologia Six Sigma traz.

Trata-se de um conjunto de práticas, ferramentas e métodos que têm o objetivo de diminuir os defeitos de um produto.

Um dos caminhos para alcançar esse objetivo é a redução do desvio padrão, ou seja, do grau de variabilidade em um processo.

Quando a variação fica próxima da média, o desvio padrão é baixo – sinal de que um bom serviço de controle de qualidade está sendo feito.

Para implementar os conceitos do Six Sigma na sua empresa, invista na formação de seus colaboradores com as certificações da Escola EDTI.

Entre em contato para saber mais ou deixe um comentário abaixo.

5 respostas
  1. Geraldo Magela Diniz says:

    Muito bom o artigo. Além do que foi dito, a metodologia Lean Six Sigma, fornece um arsenal de ferramentas que,quando devidamente aplicadas, garantem a melhoria do processo, a redução na variação, a redução do desperdício, a mudança da cultura operacional, a satisfação dos clientes e dos colaboradores e a melhoria nos resultados do negócio. Vive esta realidade nos projetos em que trabalhei como Green Belt e Como Black belt. Esta aparente mágica é simplesmente ter um objetivo claramente definido representado por solução de um problema crítico ou melhoria de um processo crítico. Atribuir a condução do projeto a um profissional capacitado (Black Belt). Disponibilizar a este profissional os recursos necessários como, equipe, mudanças no processo, investimento (algumas vezes) e um sólido apoio e patrocínio da diretoria.
    Claro que todo cenário deverá estar obrigatoriamente fundamentado em princípios éticos inabaláveis, profissionais e pessoas de alta confiabilidade e comprometimento. Desta forma resultados Altamente positivos serão alcançados, de forma inequívoca, definitiva e perene.

  2. Bruno Azevedo says:

    Ótimo artigo, mas fica uma dúvida.
    Neste tópico verifiquei muito que foi voltado para as áreas de produção de fábricas e grande indústrias.
    Em algumas modalidades de oferecimento da capacitação, vejo que está aplicada a profissionais que trabalham em setor de compras.
    Como poderia essa metodologia se aplicar a tal setor?

    Att;

  3. Marcelo says:

    Caro Bruno,
    A metodologia se aplica a qualquer tipo de processos, seja administrativo ou produtivo, seja na área de serviços ou manufatura.

    A diferença são as ferramentas que serão aplicadas na maioria dos projetos.
    Por exemplo, quando falamos de atividades administrativas, geralmente as ferramentas utilizadas são fluxograma, mapeamento do fluxo de valor, eliminação de desperdícios e assim por diante.
    Poucas vezes iremos aplicar um gráfico de dispersão ou DOE.

  4. Flávio Travezani says:

    Boa tarde. Estou interessado no curso de black belt a distância. qual a disponibilidade? E qual o valor?

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