Green Belt, Economia e Empreendedorismo

Empreendedorismo

Green Belt, Economia e Empreendedorismo

No artigo de hoje vou misturar dois assuntos que gosto muito: ferramentas estatísticas (aprendidas nos cursos de Green Belt e Black Belt) e empreendedorismo (aprendido no doutorado). Estes dois assuntos sempre me fascinaram, assim como a pouca familiaridade que os empreendedores têm com a estatística.

Sempre que converso com meus colegas empreendedores, sempre ouço termos como visão, oportunidade, o mercado tá aquecido, agora vai dar certo, as vendas tão bombando, as vendas estão péssimas, a crise chegou, a crise passou entre outros termos que nos remetem a famosa análise de variação. Quando ouço estas percepções já fico receoso. Por quê? Porque o ser humano não foi planejado para lidar com variação e o empreendedor não preparado, menos ainda. É comum os empreendedores atribuírem o resultado do acaso ou sorte a visão e ao senso de oportunidade. Somos muito bons em explicar o passado por meio de teorias, mas péssimos em analisar friamente os dados e formular as teorias antes de sabermos os resultados do experimento. E para o nosso azar, só aprendemos quando fazemos isto. Do contrário, apenas nos enganamos.

Estatística e empreendedorismo

Para ilustrar esta série de posts sobre estatística e empreendedorismo vou começar com um assunto polêmico: número aberturas e de fechamentos de empresa no Brasil. Como será que está este número? Estamos abrindo mais empresas ou fechando mais empresas? Para fazer esta análise utilizei os dados do site do Registo Mercantil. Vamos lá.

 

De 17 de outubro de 2012

Figura 1: Gráfico de controle do número de empresas extintas no Brasil de 1985 até 2010.

Observando a figura 1 nos perguntamos: será que está acontecendo alguma coisa? Só podemos verificar que o número de empresas extintas subiu muito a partir de 2000, mudando de um patamar de 50000 para um patamar de 137000. Vamos olhar as empresas abertas (fig.2).

 

De 17 de outubro de 2012

Figura 2: Número de empresas abertas no Brasil de 1985 até 2010.

Analisando a figura 2 dá para perceber que coisas interessantes aconteceram. O número de empresas abertas no Brasil deu um saltou muito grande do ano de 2005 para o ano de 2009. Com este salto, o número de empresas abertas quase que dobrou. Será que isto está relacionado ao número de empresas extintas?

De 17 de outubro de 2012

Figura 3: Gráfico de correlação (dispersão) entre o número de empresas abertas e o número de empresas extintas no Brasil.

Ao julgar pela figura 3 podemos dizer que sim, principalmente quando o número aumenta bastante. Mas, como não temos dados suficientes, não podemos afirmar. Por último, vamos analisar um gráfico de tendência do número de abertura e fechamentos para ver se conseguimos observar algo (fig. 4).

 

De 17 de outubro de 2012

Figura 4: Gráfico de tendência para do número de aberturas e fechamentos de empresas no Brasil.

Collor era nosso presidente

Agora sim. Este gráfico utilizando duas escalas (já que o número de fechamentos é bem menor) começa a nos dizer coisas que fazem sentido. Alguém se lembra do ano de 1992? E em 1985? Lembram o que houve no ano de 1992? Collor era nosso presidente. Neste ano houve todas as turbulências possíveis imaginárias no país, derrubando o número de abertura de empresas e aumentando o número de fechamentos. E no ano de 1985? Crises que culminaram com a moratória em 1986. O ano de 1994 foi o contrário.

Plano real veio e estabilizou a economia. Esta estabilização derrubou o índice de fechamento de empresas, extrapolando inclusive o limite inferior de controle do gráfico da figura 1. 2002 até 2005 não foram bons anos para os empreendedores, pois o número de fechamentos subiu muito mais que o número de aberturas. Usar o gráfico correto é fundamental para entender a variação e comportamento de mercado. Com simples técnicas aprendidas no Green Belt, um empreendedor poderá contar com um arcabouço mínimo de técnicas que serão muito úteis ao seu negócio, ajudando-o a entenderem de uma maneira muito mais clara o comportamento dos seus indicadores, mesmo que estes sejam dados macroeconômicos como os tratados neste post.

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