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Manifesto Ágil: o que é, 4 valores e 12 princípios

O Manifesto Ágil é a declaração publicada em fevereiro de 2001 por 17 desenvolvedores de software, reunidos em Snowbird, nos Estados Unidos, que define 4 valores e 12 princípios para desenvolver software de forma iterativa: entregar cedo e com frequência, trabalhar perto do cliente e responder a mudanças em vez de seguir um plano rígido.

Em 2001, os autores escreveram contra um tipo de ritual: o projeto que produzia documentos, cronogramas e aprovações em sequência e entregava, meses depois, um software que já não servia. Duas décadas depois, muita empresa “adotou o ágil” e trocou um ritual por outro: cerimônias diárias, quadros e sprints que acontecem no calendário sem que nada mude no resultado. O manifesto continua atual justamente porque explica a diferença.

O que é o Manifesto Ágil

O Manifesto para o Desenvolvimento Ágil de Software (nome oficial em português; em inglês, Manifesto for Agile Software Development, às vezes chamado de manifesto agile) é um texto curto. Não descreve um método, não define papéis nem reuniões. Declara preferências: o que os autores aprenderam a valorizar mais quando precisavam entregar software que funcionasse num ambiente de requisitos que mudavam.

Esse é o primeiro ponto que separa o manifesto ágil dos métodos. Scrum, Extreme Programming (XP), Kanban e outros métodos têm regras, artefatos e cerimônias; o manifesto é a base de valores que esses métodos compartilham. Quem quer entender os métodos em si encontra o panorama na página de metodologia ágil; aqui o assunto é a declaração.

Como surgiu o manifesto ágil de software

De 11 a 13 de fevereiro de 2001, um grupo de 17 profissionais se encontrou numa estação de esqui em Snowbird, no estado de Utah. Entre eles estavam Kent Beck (criador do XP), Ken Schwaber e Jeff Sutherland (criadores do Scrum), Alistair Cockburn, Martin Fowler, Ward Cunningham, Robert C. Martin e Jim Highsmith. Cada um defendia um método diferente, chamados até então de “métodos leves”. O que encontraram em comum virou o manifesto, e a palavra “ágil” foi escolhida ali para nomear o conjunto.

O paradoxo da origem é instrutivo. O grupo não concordava sobre método nenhum; concordava sobre o que estava errado no jeito tradicional e sobre o que priorizar. Por isso o texto é de valores, e não de procedimento. E por isso ele foi tão fácil de adotar como discurso e tão difícil de praticar como disciplina.

Quais são os 4 valores do manifesto ágil

Os valores do manifesto ágil são escritos sempre no mesmo formato: um item que se valoriza mais e um que continua tendo valor. O texto termina dizendo que, embora haja valor nos itens da direita, os autores valorizam mais os da esquerda.

  1. Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas.
  2. Software em funcionamento mais que documentação abrangente.
  3. Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos.
  4. Responder a mudanças mais que seguir um plano.

A palavra “mais” é o centro do manifesto e a mais esquecida. Ele não diz que documentação, contrato, plano e processo não importam. Diz que, quando há conflito, a prioridade é o que entrega valor ao cliente. Ler “sem documentação” ou “sem plano” no lugar de “mais que” é o erro de interpretação mais comum, e é o que transforma o ágil em desorganização com nome bonito.

Os 12 princípios do manifesto ágil

Os princípios do manifesto ágil desdobram os valores em orientações de trabalho. Em tradução livre e fiel ao sentido do original:

  1. A maior prioridade é satisfazer o cliente com entregas cedo e contínuas de software que tenha valor.
  2. Mudanças de requisito são bem-vindas, mesmo tarde no desenvolvimento; os processos ágeis usam a mudança como vantagem competitiva do cliente.
  3. Entregar software funcionando com frequência, de poucas semanas a poucos meses, preferindo o intervalo mais curto.
  4. Pessoas de negócio e desenvolvedores trabalham juntos, diariamente, durante todo o projeto.
  5. Construir projetos em torno de pessoas motivadas, dando a elas o ambiente e o apoio de que precisam e confiando que farão o trabalho.
  6. A conversa face a face é o meio mais eficiente e eficaz de transmitir informação à equipe e dentro dela.
  7. Software funcionando é a principal medida de progresso.
  8. Os processos ágeis promovem desenvolvimento sustentável: patrocinadores, desenvolvedores e usuários devem conseguir manter um ritmo constante indefinidamente.
  9. Atenção contínua à excelência técnica e ao bom design aumenta a agilidade.
  10. Simplicidade, a arte de maximizar a quantidade de trabalho que não precisa ser feito, é essencial.
  11. As melhores arquiteturas, requisitos e designs emergem de equipes auto-organizadas.
  12. Em intervalos regulares, a equipe reflete sobre como ficar mais eficaz e ajusta seu comportamento.

Os 12 princípios ágeis valem muito mais juntos do que separados. O sétimo (software funcionando como medida de progresso) e o décimo segundo (refletir e ajustar em intervalos regulares) formam, juntos, um ciclo de aprendizado: entregar, medir o que foi entregue, aprender e mudar. Quem conhece o PDSA reconhece a estrutura: planejar com predição, fazer, estudar o resultado e agir sobre o que se aprendeu.

Manifesto ágil e Scrum

O Scrum é o método mais usado para aplicar o manifesto, e dois de seus criadores assinaram o texto. O Scrum traduz os princípios em sprints de duração fixa, revisão com o cliente ao fim de cada sprint e retrospectiva da equipe. O detalhe do método está na página sobre metodologia Scrum, e o papel de quem facilita esse trabalho, na do Scrum Master. A relação com o pensamento enxuto, de onde o Kanban veio, está em Lean e ágil.

Adotar o ágil é mudança; melhoria é outra coisa

Uma equipe de seis desenvolvedores numa empresa de meios de pagamento media o tempo entre pedir e entregar uma funcionalidade: mediana de 41 dias nas 20 entregas anteriores. A empresa adotou Scrum: sprints de duas semanas, reunião diária, revisão e retrospectiva. Três meses depois, a mediana era de 38 dias, com entregas variando de 12 a 70 dias. Num gráfico ao longo do tempo, os pontos novos ficavam dentro da mesma faixa de variação dos antigos. O processo tinha mudado de nome e de rito; o resultado, não.

A retrospectiva, finalmente usada como o décimo segundo princípio pede, olhou para um número que ninguém acompanhava: havia em média 14 itens em andamento ao mesmo tempo para seis pessoas, e a equipe concluía cerca de 0,35 item por dia. Pela Lei de Little, tempo de entrega ≈ itens em andamento ÷ vazão: 14 ÷ 0,35 = 40 dias, quase exatamente o que se via. O problema não era a cerimônia; era o volume de trabalho começado e não terminado.

A equipe testou um limite de seis itens em andamento, com a predição registrada antes: tempo de entrega abaixo de 30 dias em oito semanas. A vazão caiu um pouco, para 0,26 item por dia, porque parte do esforço foi para terminar o que estava parado. Mesmo assim, 6 ÷ 0,26 ≈ 23 dias, e a mediana medida nas oito semanas foi de 23 dias, abaixo do limite inferior da faixa antiga. Aí sim havia melhoria: um resultado diferente, sustentado e medido no tempo. A formação Green Belt trabalha esse tipo de leitura, que separa a variação de sempre de uma mudança real de patamar.

Manifesto ágil PDF e texto oficial

O texto oficial do manifesto está em agilemanifesto.org, com os valores, os princípios, a história contada por Jim Highsmith e a lista de signatários. O site tem versões em vários idiomas, inclusive português, e o próprio texto informa que a declaração pode ser copiada livremente, desde que inteira. Para quem busca o manifesto ágil em PDF, a forma mais segura é imprimir ou salvar a página oficial.

Síntese: os valores e o que eles não dizem

O manifesto valoriza mais O que continua tendo valor Leitura errada comum
Indivíduos e interações Processos e ferramentas “Ágil não tem processo”
Software em funcionamento Documentação abrangente “Ágil não documenta”
Colaboração com o cliente Negociação de contratos “Escopo e prazo não importam”
Responder a mudanças Seguir um plano “Ágil não planeja”

O erro que a maior parte das equipes vai cometer na próxima segunda-feira é tratar a cerimônia como prova de agilidade: a reunião diária aconteceu, a sprint fechou, logo o time é ágil. O manifesto pede outra prova, mais incômoda: software funcionando, entregue com frequência, e uma equipe que mede o próprio processo e muda o que não funciona. Se a retrospectiva termina sem nenhum número e sem nenhuma mudança testada, o ritual voltou, só que com nome novo.


Conteúdo revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua. Nesta revisão, o foco foi a diferença entre adotar as cerimônias ágeis e melhorar o resultado que elas deveriam produzir.


Os princípios do manifesto pedem uma equipe que aprende com os próprios dados. Esse aprendizado tem método: definir o que medir, fazer a predição, testar a mudança e ler o resultado no tempo, em vez de comparar dois pontos. O curso White Belt gratuito da Escola EDTI apresenta esse método com um projeto conduzido do início ao fim, com dados, decisões e resultado mensurável, e é por onde faz sentido começar.

Perguntas frequentes

Quem criou o Manifesto Ágil?

Um grupo de 17 desenvolvedores e consultores de software reunido em Snowbird, Utah, em fevereiro de 2001, entre eles Kent Beck, Ken Schwaber, Jeff Sutherland, Martin Fowler, Alistair Cockburn e Robert C. Martin. Os nomes dos 17 signatários estão no site oficial.

Quais são os 4 valores e os 12 princípios do manifesto ágil?

Os 4 valores são: indivíduos e interações mais que processos e ferramentas; software em funcionamento mais que documentação abrangente; colaboração com o cliente mais que negociação de contratos; responder a mudanças mais que seguir um plano. Os 12 princípios estão listados acima e desdobram esses valores em práticas.

Como reconhecer um princípio do manifesto numa questão de prova?

Perguntas do tipo “selecione o item a seguir que representa um princípio do manifesto” costumam misturar um princípio real com frases que soam ágeis. Os princípios falam de entrega frequente de software funcionando, mudança bem-vinda, trabalho diário com o negócio, ritmo sustentável, simplicidade, equipes auto-organizadas e reflexão periódica; frases que negam documentação ou planejamento não estão no texto.

O manifesto ágil vale fora da área de software?

Os valores foram escritos para software, mas a lógica de entregas curtas, cliente próximo e aprendizado frequente é usada em marketing, produto, RH e serviços. A condição é a mesma: medir o resultado, e não só praticar as reuniões.

Qual a diferença entre manifesto ágil e Scrum?

O manifesto é uma declaração de valores e princípios; o Scrum é um método com papéis, eventos e artefatos definidos que aplica esses valores. Uma equipe pode seguir o manifesto com outro método, como Kanban ou XP.

O manifesto ágil ainda é atual?

O texto nunca foi alterado desde 2001. O que mudou foi o uso: hoje há mais equipes com cerimônias ágeis do que equipes que entregam com frequência e aprendem com os dados, o que torna os princípios mais atuais, e não menos.

O que estudar depois do Manifesto Ágil?

Um método (Scrum ou Kanban) para organizar o trabalho e um método de melhoria para saber se a mudança funcionou: indicadores, predição e leitura de dados no tempo. O curso White Belt gratuito da Escola EDTI cobre a segunda parte, que é a que costuma faltar.

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