O que a produção enxuta tem a ver com o crescimento do Brasil?

A produção enxuta (Lean Manufacturing, em inglês) é um dos fundamentos do Sistema Toyota de Produção. Ao longo da história, principalmente após a Segunda Guerra Mundial, tal paradigma desenvolvido no Japão substituiu as ideias do Fordismo e do Taylorismo, até então aplicadas nos Estados Unidos.

De modo geral, com essa mudança de princípios, a superprodução deu lugar ao just in time (fabricação na hora certa). Porém, não foi só isso.

O Lean Manufacturing introduziu novos pressupostos para a gestão de empresas, o que contribuiu para que elas aumentassem de forma significativa a produtividade e a eficiência.

A propósito, esses dois atributos podem ser considerados o “calcanhar de Aquiles” da indústria brasileira. Veja em seguida, então, por que a produção enxuta está relacionada com o crescimento do país.

Uma questão de competitividade

Nos últimos anos, é comum ver o Brasil entre as dez maiores economias do mundo. Em 2016, por exemplo, ele ficou em nono lugar no ranking de Produto Interno Bruto (PIB) divulgado pelo World Economic Outlook Database, ligado ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

No “Top 5”, ficaram: Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e Reino Unido.

Embora o Brasil tenha ocupado uma posição de relativo destaque na lista, não é segredo de que uma parte considerável do PIB nacional provém da exportação de itens com pouco grau de transformação, por exemplo, minério de ferro, soja, carne etc., diferentemente do que ocorre com nações mais industrializadas.

Por sinal, esse tipo de status tem se mantido nos últimos anos. Por exemplo, o jornal Valor Econômico chegou a publicar a seguinte notícia em março de 2018:

Exportação de bens industrializados tem ‘década perdida’”.

A matéria chama a atenção para o fato de o volume de exportações de produtos industrializados em 2017 ter ficado 0,7% abaixo do registrado em 2008.

Se não bastasse isso, o Brasil tem decepcionado quando o quesito é produtividade. Para você ter uma ideia, levantamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido do jornal O Globo, mostrou que o país está na 50ª posição — entre 68 nações — num ranking de produtividade do trabalho.

Conforme o estudo, enquanto um empregado brasileiro gera US$ 16,80, em média, por hora trabalhada, um alemão rende US$ 64,40.

E o que a produção enxuta tem a ver com todos esses dados? Na verdade, ela está diretamente relacionada ao grau de competitividade não só das empresas como também dos países.

Afinal, num mercado cada vez mais globalizado, ganha a preferência dos clientes quem oferece preços mais atrativos, sem deixar de lado a qualidade.

Redução de desperdícios

Ao longo da fabricação de uma mercadoria, da entrada de matérias-primas até a chegada dos produtos para os clientes finais, há uma série de atividades.

Num cenário ideal, o fluxo de tarefas deveria ocorrer em função da demanda, de modo que a empresa não ficasse com capacidade ociosa nem com estoques exagerados.

Entretanto, na prática nem sempre é assim, principalmente, quando a organização não implementa os princípios da produção enxuta.

Nesse caso, a tendência é de que haja desperdícios no decorrer de toda a cadeia de suprimentos, o que acaba por diminuir consideravelmente tanto a produtividade quanto a eficiência da empresa.

Pelo contrário, se a organização se empenha na execução do Lean Manufacturing, ela:

  • evita a superprodução;
  • reduz o tempo de espera entre as atividades;
  • diminui ou até elimina a movimentação desnecessária de pessoas pela fábrica;
  • ataca o excesso de processamento;
  • otimiza o transporte de peças, insumos e produtos acabados no interior da unidade;
  • controla o estoque para não imobilizar capital e também evitar risco de obsolescência;
  • promove iniciativas para reduzir defeitos em todo processo produtivo.

Em linhas gerais, a produção enxuta busca retirar tudo aquilo que gera desperdícios de recursos e, por consequência, não agrega valor para o cliente final.

Afinal, excessos ou falhas no decorrer da cadeia de suprimentos representam aumento do custo de fabricação, logo, perda da competitividade.

No caso do Brasil, tal custo impede que o país exporte mais, já que os produtos nacionais passam a ter preço e, até mesmo, qualidade não atrativos em relação às mercadorias comercializadas por outras nações.

Em algumas situações, o país até tem vantagens em determinadas etapas dos processos produtivos, porém, esses pontos positivos muitas vezes perdem importância na “média geral” devido ao desperdício de recursos.

Capacitação profissional

No passado, devido à dificuldade para se obter informação e, em alguns casos, à inexistência de certos conhecimentos, era muito mais difícil para uma empresa competir no cenário internacional.

Não é à toa que, para o desenvolvimento do Sistema Toyota de Produção, os japoneses chegaram a visitar unidades industriais nos Estados Unidos para conhecer a forma de atuação das fábricas americanas.

Hoje em dia, porém, a situação já é bastante diferente graças aos avanços tecnológicos, como a Internet. Em que pese os segredos industriais, praticamente qualquer pessoa pode ter acesso a metodologias, técnicas, ferramentas etc. ligados à produção enxuta e, o melhor, muito de tudo isso já foi validado na vida prática de empresas.

Por exemplo, no curso Lean da Escola EDTI, o aluno aprende os pressupostos básicos do Lean Manufacturing, conhece as ferramentas necessárias para se fazer um bom diagnóstico da situação enfrentada, entende as fases necessárias para se implantar um projeto de melhoria, analisa estudos de caso etc.

A propósito, tal conjunto de conhecimentos não só contribui para a formação profissional individual como pode gerar melhoria para todo um negócio ou, até mesmo, uma cadeia de suprimentos.

No caso do Brasil, à medida que o país tiver mais pessoas que dominam os princípios da produção enxuta e mais empresas dispostas a colocar em prática esse sistema de produção, a tendência é de que a economia nacional ganhe em eficiência e, consequentemente, em competitividade.

Embora tal mudança de status não ocorra do dia para noite, iniciativas nesse sentido constituem um importante passo em direção a uma transformação da indústria nacional.

Por exemplo, quando uma empresa de determinado segmento adota a produção enxuta, as chances de as concorrentes brasileiras seguirem esse mesmo sistema são grandes, uma vez que elas precisam acompanhar os avanços conquistados por quem implementou o Lean Manufacturing.

Na sua opinião, o que mais pode ser feito para aumentar a produtividade da economia brasileira? Deixe seu comentário aqui no blog. Participe!

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