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What is Root Cause Analysis (RCA) and how to apply it in practice?

Root Cause Analysis (RCA): o que é e quando o termo engana

“Precisamos fazer um RCA disso.”

A frase aparece em reunião de qualidade, de manutenção, de TI e de operação, e quase sempre significa a mesma coisa na prática: alguém vai montar um documento explicando por que o problema aconteceu. O documento fica pronto, circula, é arquivado. Três meses depois o mesmo problema volta, e alguém propõe fazer um RCA.

O termo tem uma origem bem menos vaga do que esse uso sugere. Root Cause Analysis se consolidou na engenharia nuclear, na aviação e na indústria química — setores em que uma falha não gera retrabalho, gera vítima, e em que investigar mal a causa é inaceitável por lei. É de lá que vem o rigor associado à sigla. E é esse prestígio emprestado que faz “vamos fazer um RCA” soar mais sério do que “vamos descobrir por que isso aconteceu”, sem que nada de diferente aconteça de fato.

Por que a sigla circula em inglês nas empresas brasileiras

Três caminhos trouxeram o termo. Multinacionais implantaram sistemas de gestão com documentação em inglês, e o formulário chegou com o nome original. Certificações e normas técnicas — automotiva, aeronáutica, farmacêutica — usam RCA como termo padronizado em auditoria. E softwares de gestão de qualidade e de incidentes, quase todos estrangeiros, chamam o campo de “root cause”.

O efeito colateral é que a sigla passou a conviver com “análise de causa raiz” significando a mesma coisa, e a versão em inglês carrega uma autoridade que a versão em português não tem. Na prática são o mesmo trabalho. Se a sua empresa usa RCA porque o sistema pede, o conteúdo do trabalho é o que está descrito na análise de causa raiz — investigação, coleta, teste de hipótese de causa, ação e verificação.

RCA não é uma ferramenta. É um guarda-chuva.

Aqui está a confusão que mais custa. Root Cause Analysis é o **nome do objetivo**, não o nome do método. Ninguém “aplica RCA” da mesma forma que aplica um diagrama de Ishikawa ou uma árvore de falhas. RCA é a categoria que contém esses métodos.

Debaixo do guarda-chuva cabem abordagens bastante diferentes entre si. Os cinco porquês descem uma cadeia causal única e servem quando a relação é razoavelmente linear. O Ishikawa abre o campo em categorias e serve para não deixar família de causa de fora. A árvore de falhas trabalha combinações lógicas e serve onde a falha exige que duas ou três coisas ocorram juntas. E o FMEA olha para o outro lado do tempo: antecipa modos de falha antes que aconteçam, em vez de investigar depois.

Escolher entre eles é uma decisão técnica que depende da natureza do problema. “Fazer um RCA” não é. Quando o pedido chega assim, sem escolha de método declarada, o que costuma sair é o método que a pessoa conhece — quase sempre os cinco porquês, aplicados a um problema que não tem cadeia única.

O teste que separa RCA de relatório

Uma linha de envase registrava doze paradas por mês atribuídas a falha do bico dosador. Fizeram um RCA no formato do sistema, com campo de causa raiz preenchido: desgaste do bico. Ação corretiva: trocar o bico a cada três meses. Documento fechado, auditoria satisfeita.

Seis meses depois a linha registrava onze paradas por mês. A média histórica variava entre oito e quinze, então a queda de doze para onze não significa nada — é o processo se comportando como sempre se comportou.

O que faltou não foi rigor de preenchimento; foi verificação. “Desgaste do bico” era uma descrição do que se via, não uma causa testada. Quando alguém finalmente mediu a pressão da linha ao longo de trinta dias, apareceu que ela caía abaixo da especificação em três de cada quatro trocas de turno — e o desgaste acelerado era consequência disso. Corrigido o procedimento de troca de turno, as paradas caíram para três por mês e ficaram lá.

A diferença entre os dois trabalhos não está no formulário. Está em que o segundo tratou a causa como **hipótese a testar** e não como resposta a registrar. Uma causa raiz que não foi verificada por dado é uma opinião com campo próprio no sistema.

Onde o RCA se encaixa no DMAIC

Num projeto estruturado, esse trabalho tem endereço. No roteiro DMAIC, a busca da causa é a fase Analyze, e ela vem depois de Measure por um motivo que a maioria dos RCAs de empresa pula: não se investiga causa de um problema que ainda não foi medido com critério. Sem definição operacional do que conta como “parada” e sem uma série que mostre o comportamento normal, qualquer causa proposta parece plausível e nenhuma pode ser refutada.

É também no DMAIC que a fase Control responde a pergunta que o relatório de RCA quase nunca responde — o ganho se sustentou? O ciclo completo, com as fases encadeadas e a verificação obrigatória no fim, é o que a formação em Lean Six Sigma organiza, e é a diferença entre investigar uma vez e parar de ter o problema.

Em resumo: o que RCA é e o que não é

RCA é RCA não é
O objetivo — chegar à causa que, removida, impede a recorrência Um método único com passos fixos
Um guarda-chuva sobre Ishikawa, cinco porquês, árvore de falhas e outros Sinônimo de “cinco porquês”
Trabalho que termina em ação verificada por dado Documento que termina em campo preenchido
Retrospectivo — investiga o que já falhou Prevenção de falha futura, que é território do FMEA
O termo em inglês de “análise de causa raiz” Uma técnica mais avançada por ser em inglês

Uma advertência

Um time de TI fechou catorze RCAs em um trimestre, todos dentro do prazo de SLA, todos com causa raiz identificada e ação corretiva registrada. No trimestre seguinte, sete dos catorze incidentes se repetiram — e três deles receberam um novo RCA, com uma causa raiz diferente da primeira. Ninguém percebeu a contradição, porque cada documento era avaliado sozinho e nenhum indicador acompanhava recorrência ao longo do tempo. O processo de RCA estava com 100% de conformidade, e o objetivo do RCA não estava sendo atingido em metade dos casos.

Se você quiser um único teste para saber se o RCA da sua empresa é método ou ritual, é este: pegue as cinco últimas causas raiz registradas e procure, para cada uma, o dado que mostra que o problema parou de acontecer depois da ação. Se esse dado não existir, o que existe é um arquivo.

Aprender a diferença entre identificar uma causa e provar uma causa é o que a certificação White Belt gratuita apresenta como fundamento, e o que a formação Green Belt transforma em projeto conduzido do início ao fim.


Conteúdo revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua. Nesta revisão, o foco foi a diferença entre registrar uma causa e verificá-la com dado.

Perguntas frequentes

O que significa RCA?

RCA é a sigla de Root Cause Analysis, que em português é análise de causa raiz. Designa o trabalho de identificar a causa fundamental de um problema, em vez de tratar seus sintomas, para que a ação corretiva impeça a recorrência.

Qual a diferença entre RCA e análise de causa raiz?

Nenhuma de conteúdo. É o mesmo trabalho com nome em idiomas diferentes. A sigla em inglês circula nas empresas brasileiras porque chegou junto com sistemas de gestão, normas técnicas e softwares de qualidade estrangeiros.

Quais são as ferramentas usadas em um RCA?

As mais comuns são os cinco porquês, o diagrama de Ishikawa, a árvore de falhas e a análise de Pareto para priorizar onde investigar. A escolha depende da natureza do problema: cadeia causal única pede cinco porquês, campo amplo pede Ishikawa, combinação lógica de eventos pede árvore de falhas.

RCA e FMEA são a mesma coisa?

Não, e a diferença é a direção no tempo. O RCA é retrospectivo: investiga uma falha que já aconteceu. O FMEA é prospectivo: antecipa modos de falha antes que ocorram, para agir sobre risco. Uma empresa madura usa os dois, em momentos diferentes.

Quantos porquês são necessários para chegar à causa raiz?

Não existe número certo. Cinco é uma referência prática, não uma regra, e parar cedo demais é o erro mais comum — costuma-se parar quando a resposta já permite culpar alguém. O critério real é outro: só se chegou à causa raiz quando removê-la impede a recorrência, e isso se verifica com dado depois da ação, não na reunião.

Fazer o RCA é suficiente para resolver o problema?

Não. O RCA entrega uma hipótese de causa, e hipótese precisa de teste. O trabalho só termina quando a ação foi implementada e um indicador acompanhado ao longo do tempo mostra que o problema deixou de acontecer — sem essa etapa, o que se tem é um documento bem preenchido e o mesmo processo de antes.

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