“O SESMT está completo. O que mais vocês querem?” A frase foi do diretor industrial na reunião de resultados de março, quando a taxa de frequência de acidentes com afastamento fechou o trimestre em 9,1 por milhão de horas trabalhadas. A fábrica, com 620 empregados e atividade de grau de risco 3, tinha engenheiro de segurança, médico do trabalho e quatro técnicos registrados, todos os laudos em dia e o PGR revisado no prazo.
O diretor tinha razão em uma coisa: o quadro estava completo. O que ninguém tinha olhado era onde o tempo desse quadro estava sendo gasto. Quando a coordenação de segurança somou as agendas de um mês, 71% das horas dos técnicos tinham ido para documento, integração de novatos e atualização de cadastro. A visita aos postos onde os acidentes aconteciam ocupava menos de um dia por semana, somando os quatro.
O que é o SESMT
SESMT é a sigla de Serviços Especializados em Segurança e em Medicina do Trabalho, a equipe que a Norma Regulamentadora 4 (NR-4) obriga a empresa a manter, conforme o grau de risco da atividade e o número de empregados, para promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho. A redação atual da NR-4 é a da Portaria MTP 2.318/2022.
O SESMT não é o departamento que guarda laudos. É a equipe técnica responsável por fazer o risco diminuir onde o trabalho acontece. Laudo, PGR e atestado de saúde ocupacional são registros desse trabalho, e um registro em dia não prova que o risco caiu.
A equipe pode reunir cinco profissões: engenheiro de segurança do trabalho, técnico de segurança do trabalho, médico do trabalho, enfermeiro do trabalho e auxiliar ou técnico de enfermagem do trabalho. Quais delas a empresa precisa, e em que quantidade, depende do dimensionamento.
Quando a empresa precisa ter SESMT e como dimensionar
O dimensionamento pela NR-4 cruza duas informações. A primeira é o grau de risco da atividade principal, de 1 a 4, definido pelo código da CNAE no anexo da norma. A segunda é o número de empregados do estabelecimento. A obrigação começa com menos empregados nas atividades de grau 3 e 4 do que nas de grau 1 e 2, e o quadro cresce por faixas de efetivo.
A redação atual também permite organizar o serviço de forma individual, por estabelecimento, ou de forma compartilhada em algumas situações previstas na norma, e exige o registro do SESMT no sistema do Ministério do Trabalho. Antes de fechar o quadro, confira a tabela vigente da NR-4 com o CNAE e o efetivo do estabelecimento: o dimensionamento é obrigação legal e muda quando a atividade ou o efetivo mudam.
O dimensionamento responde a quantas pessoas a empresa precisa ter. Não responde ao que essas pessoas devem fazer com o tempo delas, que é onde o resultado se decide.
O que o SESMT produz e o que prova que funcionou
| O que o SESMT entrega | Prova de que existe | Prova de que funcionou |
|---|---|---|
| Inventário de riscos e plano de ação do PGR | Documento assinado e revisado no prazo | Medidas de controle presentes quando alguém confere o posto |
| Treinamentos obrigatórios | Lista de presença e carga horária | Mudança no modo de executar a tarefa observada no posto |
| Investigação de acidentes | Relatório arquivado | O mesmo tipo de acidente para de se repetir |
| Programa de saúde ocupacional | Exames realizados no prazo | Queda dos afastamentos ligados à atividade, lida mês a mês |
A coluna do meio é a que a fiscalização olha. A da direita é a que mostra se o SESMT está fazendo o trabalho para o qual a norma o criou. Um serviço que só alimenta a coluna do meio pode estar completo e não reduzir nada.
SESMT e CIPA: qual a diferença
O SESMT é técnico e contratado pela empresa; a CIPA é uma comissão de empregados, com representantes eleitos e indicados, que acompanha as condições de trabalho e leva os problemas que os trabalhadores veem. As duas se complementam: a CIPA sabe onde o risco aparece no dia a dia, e o SESMT tem a competência técnica para tratá-lo. Quando o SESMT não usa o que a CIPA traz, perde a melhor fonte de dado que tem, os relatos de quase acidente.
Quais indicadores mostram se o SESMT está funcionando
A taxa de frequência (acidentes com afastamento por milhão de horas trabalhadas) e a taxa de gravidade (dias perdidos por milhão de horas) são os indicadores de resultado clássicos, e a página sobre acidente de trabalho traz uma calculadora para as duas. Só que, numa fábrica de 620 pessoas, 9 ou 10 acidentes por ano é um número pequeno: ele sobe e desce de um trimestre para outro sem que nada tenha mudado. Comparar o trimestre com o anterior produz uma explicação nova a cada reunião.
O caminho é ler o indicador como série, mês a mês, numa carta de controle, e acompanhar junto um indicador de processo que se mexe antes do acidente: a proporção de medidas de controle do PGR que estão presentes quando o técnico confere o posto, o número de quase acidentes relatados por mês, o tempo entre o relato e a correção. Essa leitura de dados no tempo é o que a formação Green Belt ensina a fazer antes de concluir que algo melhorou ou piorou.
O que mudou na fábrica da abertura
A coordenação reorganizou a agenda dos técnicos: duas manhãs por semana de cada um passaram a ser de conferência em campo, nos três setores que concentravam 8 dos 11 acidentes do ano anterior, com uma lista curta das medidas do mapa de risco e do PGR para cada posto. No primeiro mês, só 52% das medidas estavam de fato no lugar. Cada ausência virou correção com responsável e prazo, na ordem da hierarquia de controles.
A proporção de medidas presentes subiu para 88% em quatro meses. A taxa de frequência levou mais tempo para responder, como era de esperar num indicador de evento raro: nos doze meses seguintes ela ficou em 4,6, e a carta mostrou oito meses seguidos abaixo da média anterior, um padrão que não se explica por sorte. O quadro do SESMT era o mesmo. A diferença estava no uso do tempo.
O custo de um SESMT que só documenta
O custo não aparece na auditoria, porque tudo o que ela pede está em dia. Aparece meses depois, no afastamento que se repete no mesmo setor, no processo trabalhista e no técnico que passa a semana atualizando planilha enquanto a mesma proteção continua desligada na mesma máquina. A empresa paga o SESMT completo e recebe metade do serviço.
Conteúdo revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua. Nesta revisão, o foco foi separar o que prova que o SESMT existe do que prova que ele reduz o risco.
Saber se um indicador de segurança mudou de verdade, e não só de um trimestre para o outro, é uma competência de método antes de ser de segurança. O curso White Belt gratuito da Escola EDTI apresenta esse método, com um projeto conduzido do início ao fim, dados, decisões e resultado mensurável, e é por onde faz sentido começar.
Perguntas frequentes
O que significa SESMT?
SESMT significa Serviços Especializados em Segurança e em Medicina do Trabalho. É a equipe técnica que a NR-4 exige da empresa, conforme o grau de risco e o número de empregados, para cuidar da segurança e da saúde no trabalho.
Quais profissionais compõem o SESMT?
Engenheiro de segurança do trabalho, técnico de segurança do trabalho, médico do trabalho, enfermeiro do trabalho e auxiliar ou técnico de enfermagem do trabalho. A combinação e a quantidade dependem do dimensionamento da NR-4.
Toda empresa precisa ter SESMT?
Não. A obrigação depende do grau de risco da atividade principal e do número de empregados do estabelecimento. Empresas abaixo das faixas da NR-4 não precisam de SESMT próprio, mas continuam obrigadas a gerenciar os riscos pelo PGR, nos termos da NR-1.
Qual a diferença entre SESMT e CIPA?
O SESMT é uma equipe técnica contratada pela empresa. A CIPA é uma comissão de empregados, eleitos e indicados, que acompanha as condições de trabalho. Os dois trabalham juntos: a CIPA traz o que os trabalhadores veem, o SESMT trata tecnicamente.
Quais indicadores o SESMT deve acompanhar?
Taxa de frequência e taxa de gravidade como resultado, lidas mês a mês em gráfico, e indicadores de processo que se mexem antes do acidente, como a proporção de medidas de controle verificadas no posto e os quase acidentes relatados.
Que erro as empresas mais cometem com o SESMT?
Medir o SESMT pelo que ele documenta e não pelo que muda no posto de trabalho. Separar uma coisa da outra exige ler indicadores no tempo e testar mudanças antes de concluir, que é o método ensinado no White Belt gratuito da Escola EDTI.