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WCM (World Class Manufacturing): o que é, os 10 pilares e por que a média esconde a perda

Uma fábrica de bebidas com três linhas de envase apresenta à diretoria o indicador do trimestre: OEE de 81%. O número fica perto do patamar que muitos manuais chamam de “classe mundial”, e a reunião termina com elogios. Ninguém pergunta como esse 81% é formado.

Ele é formado assim: a linha 1 roda a 89%, a linha 2 a 87% e a linha 3, que faz as embalagens menores com muitas trocas de formato, a 55%. Como a linha 3 tem menos horas planejadas, a média ponderada sobe para 81%. A perda mais cara da fábrica está escondida dentro de um número que parece bom. Esse é o tipo de problema que o WCM foi desenhado para enxergar.

O que é WCM (World Class Manufacturing)?

O nome nasceu nos anos 1980, quando a indústria ocidental tentava entender por que as fábricas japonesas produziam com menos defeito, menos estoque e menos custo. Robert Hayes e Steven Wheelwright usaram a expressão em 1984, e Richard Schonberger popularizou-a em 1986 com o livro World Class Manufacturing: The Lessons of Simplicity Applied, que reunia práticas como just-in-time, qualidade total e manutenção produtiva.

Nos anos 2000, o termo ganhou um sentido mais específico. O professor Hajime Yamashina, da Universidade de Kyoto, estruturou com o grupo Fiat um sistema de gestão da produção chamado World Class Manufacturing, implantado a partir de 2005 nas fábricas do grupo e depois adotado por outras empresas. É desse WCM que a maioria das buscas trata hoje: um sistema organizado em pilares, com auditorias periódicas e uma regra central, a de que as perdas devem ser medidas em dinheiro e atacadas pela ordem de tamanho.

Os 10 pilares técnicos do WCM

O sistema de Yamashina tem 10 pilares técnicos e 10 pilares gerenciais. Os técnicos são:

Pilar técnico O que trata
Segurança Eliminação de acidentes e condições inseguras
Desdobramento de custos (Cost Deployment) Mede as perdas em dinheiro e decide onde atacar
Melhoria focada Projetos para eliminar as maiores perdas
Atividades autônomas Manutenção autônoma e organização do posto de trabalho
Manutenção profissional Confiabilidade dos equipamentos
Controle da qualidade Defeitos zero, causas na origem
Logística e atendimento ao cliente Fluxo de materiais e estoques
Gestão antecipada de equipamentos e produtos Projetar sem as perdas conhecidas
Desenvolvimento de pessoas Competências ligadas às perdas
Meio ambiente e energia Consumo e impacto ambiental

Os pilares gerenciais tratam do que faz os técnicos funcionarem: comprometimento da direção, clareza de objetivos, rota de implantação, alocação de pessoas qualificadas, tempo e orçamento, nível de detalhe, nível de expansão e motivação, entre outros. As auditorias pontuam a planta de 0 a 100, com níveis bronze, prata, ouro e classe mundial.

Por que o Cost Deployment é o pilar que manda

Volte à fábrica de bebidas. O 81% não diz onde está o dinheiro. O Cost Deployment obriga a abrir o número: quanto custa cada tipo de perda, em cada linha, em reais por ano. Na linha 3, a abertura mostra que as trocas de formato respondem por 21 dos 45 pontos de perda, as paradas curtas por 10, as quebras por 9 e o refugo por 5.

OEE por linha: linha 1 89%, linha 2 87%, linha 3 55%; a média ponderada da fábrica é 81%
OEE por linha de envase numa fábrica ilustrativa. As linhas 1 e 2 têm desempenho alto e somam 80% das horas planejadas; a linha 3, com 55%, quase não aparece na média de 81%. É a abertura por linha, e depois por tipo de perda, que mostra onde está o maior custo.

Com as perdas em reais, a prioridade deixa de ser opinião: o primeiro projeto de melhoria focada vai para a troca de formato da linha 3, com técnicas como o SMED, e não para a linha 1, que já está bem e onde um ponto a mais vale pouco. É a mesma lógica do OEE lido por componente e no tempo, e não em média trimestral.

Como o WCM conversa com Lean Six Sigma e DMAIC

Os projetos do pilar de melhoria focada seguem, na prática, a lógica do DMAIC: definir a perda escolhida pelo Cost Deployment, medir com dados de processo, analisar a causa raiz, melhorar e controlar. Cada fase chama ferramentas que têm peças próprias no site:

  • na medição, o OEE por componente e a leitura no tempo com a carta de controle;
  • na melhoria, o 5S e a manutenção autônoma do pilar de atividades autônomas, e o poka-yoke do pilar de qualidade;
  • no controle, o padrão de trabalho e os indicadores de processo que mostram se o ganho se sustenta.

Para quem conduz esses projetos, a formação Green Belt ensina o DMAIC com o rigor estatístico que o pilar de melhoria focada pede. O contexto mais amplo está no Lean Manufacturing e na família de gestão da produção.

O que diferencia uma implantação de WCM que funciona

Implantar WCM costuma começar com quadros de pilares, auditorias e planos de ação, e esse é o risco. Uma planta pode ter os 10 pilares desenhados na parede, auditoria marcada e o mesmo 55% na linha 3 um ano depois. O que muda o resultado não é o quadro do pilar; é a disciplina de medir a perda em dinheiro, escolher a maior, testar mudanças com dados e verificar no tempo se o ganho ficou. Saber o nome dos pilares é fácil. Entender o que o Cost Deployment está tentando revelar, e agir sobre isso com método, é o que separa a planta que sobe de nível da que só passa na auditoria.


Conteúdo revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua.

Nesta revisão, o foco foi o Cost Deployment como critério para escolher onde atacar a perda.


Ler a perda por trás da média é o primeiro passo de qualquer sistema de manufatura. O curso gratuito White Belt da Escola EDTI ensina esse raciocínio.

Perguntas frequentes sobre WCM

O que significa WCM?

World Class Manufacturing, ou manufatura de classe mundial: um sistema de gestão da produção organizado em pilares técnicos e gerenciais, com foco na eliminação de perdas.

Quem criou o WCM?

O termo vem dos anos 1980 (Hayes e Wheelwright, 1984; Schonberger, 1986). O sistema de pilares usado hoje foi estruturado pelo professor Hajime Yamashina com o grupo Fiat, a partir de 2005.

Quais são os 10 pilares técnicos do WCM?

Segurança, desdobramento de custos, melhoria focada, atividades autônomas, manutenção profissional, controle da qualidade, logística e atendimento ao cliente, gestão antecipada de equipamentos e produtos, desenvolvimento de pessoas e meio ambiente.

Qual a diferença entre WCM e TPM?

O TPM (manutenção produtiva total) é uma das bases do WCM, mas trata principalmente de equipamentos. O WCM amplia para custos, qualidade, logística, segurança e pessoas, com o Cost Deployment definindo prioridades.

Qual a diferença entre WCM e Lean?

O WCM incorpora princípios e ferramentas do Lean e acrescenta uma estrutura de pilares, auditorias e o desdobramento de perdas em custo.

Onde o WCM entra na formação Lean Six Sigma?

No pilar de melhoria focada, que usa o DMAIC e as ferramentas estatísticas para atacar as maiores perdas. É o que a formação Lean Six Sigma ensina, começando pelo curso gratuito White Belt da Escola EDTI.

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