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Matriz 9 box: o que é, como fazer e o erro que ela esconde

“Ele é um nove, todo mundo sabe.” A frase foi dita na reunião de calibração de uma indústria de autopeças, sobre um supervisor de produção, e ninguém contestou. Três meses depois, ele foi promovido a coordenador. Seis meses depois, a área dele tinha o pior refugo da planta e dois dos melhores operadores tinham pedido demissão. Quando o RH voltou às avaliações, encontrou o que ninguém tinha olhado: a nota alta de desempenho vinha de um único semestre, o semestre em que a linha dele recebeu uma máquina nova.

A matriz 9 box não errou sozinha. Ela fez o que faz: colocou uma pessoa num quadrado a partir de duas notas. O erro estava nas notas e no que se pediu delas.

O que é a matriz 9 box

A matriz 9 box (ou nine box) é uma ferramenta de gestão de talentos que cruza dois eixos — desempenho atual e potencial de crescimento —, cada um em três níveis, formando nove quadrantes. Ela é usada em reuniões de calibração para orientar decisões de sucessão, desenvolvimento, promoção e retenção.

A anatomia é simples. No eixo horizontal, o desempenho: o que a pessoa entregou no período, em geral tirado da avaliação de desempenho. No eixo vertical, o potencial: a capacidade estimada de assumir responsabilidades maiores. Os nomes dos quadrantes variam de empresa para empresa; a lógica é a mesma.

Potencial \ Desempenho Abaixo do esperado Dentro do esperado Acima do esperado
Alto Enigma (7) Forte potencial (8) Talento (9)
Médio Questionável (4) Mantenedor (5) Forte desempenho (6)
Baixo Insuficiente (1) Eficaz (2) Especialista (3)

Como fazer a matriz 9 box

1. Defina o que é desempenho na função, com indicador. Para um supervisor de produção, desempenho é refugo, entregas no prazo, segurança e retenção da equipe — não “comprometimento”. Sem definição operacional, cada gestor usa a sua régua.

2. Use o desempenho de pelo menos três períodos. Uma avaliação é um ponto. O resultado de uma área oscila por causas que não dependem da pessoa: máquina nova, mix de produtos, demanda, férias da equipe. Três ou quatro semestres lidos em sequência mostram o padrão; um semestre mostra o acaso.

3. Descreva o potencial por comportamentos observados. “Aprendeu o novo sistema e ensinou a equipe” é evidência; “tem perfil de líder” é opinião. A gestão por competência dá o vocabulário para isso.

4. Calibre em grupo, com os dados na mesa. A reunião de calibração existe para que gestores diferentes usem a mesma régua. Ela falha quando a discussão é sobre a pessoa e não sobre as evidências.

5. Transforme cada quadrante em ação. O quadrado não é o fim; é o começo do PDI, da conversa de carreira e do plano de sucessão.

O erro que a matriz esconde

A matriz 9 box trata o desempenho como uma propriedade da pessoa. Mas boa parte da variação de resultado entre duas áreas vem do sistema em que elas trabalham, e não de quem as lidera — Deming estimava que a maior parte dos problemas de uma organização pertence ao sistema. Quando a reunião de calibração não separa o que é da pessoa do que é do processo, ela premia quem recebeu a máquina nova e pune quem herdou a linha velha.

Na autopeças, o RH mudou duas coisas. Passou a levar à calibração o indicador de cada área em série de 18 meses, com a mediana marcada, e a perguntar se a mudança no resultado coincidia com alguma mudança no processo. E passou a exigir, para o eixo de potencial, dois exemplos de comportamento observado no último ano.

Indicador da calibração Antes Depois de dois ciclos
Pessoas no quadrante 9 14% dos avaliados 6% dos avaliados
Promovidos que saíram ou foram rebaixados em 12 meses 4 de 11 1 de 9
Duração da reunião de calibração 2 h 3 h 30

A reunião ficou mais longa. As decisões, mais baratas.

Para o RH e a área de T&D

A matriz 9 box só é tão boa quanto os dois números que a alimentam. Investir em treinamento de calibração sem investir na qualidade do indicador de desempenho é polir a moldura de um retrato fora de foco. O ponto de partida está em três perguntas: o desempenho de cada função tem definição operacional? Ele é lido em série ou num período só? Os gestores sabem separar variação do processo de mérito individual? Quando a resposta à terceira é não, é ali que a formação dos líderes precisa começar.

O erro que a sua próxima calibração vai cometer, se nada mudar, é previsível: promover alguém pelo melhor semestre da área e descobrir o resto depois, na rotatividade da equipe que ele passou a liderar.


Conteúdo revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua. Nesta revisão, o foco foi a leitura do desempenho em série e a separação entre variação do processo e mérito individual na calibração.


Empresas que decidem promoção e sucessão com base em indicadores precisam de líderes que saibam ler esses indicadores no tempo e separar o que é do processo do que é da pessoa. É para esse tipo de demanda que a Escola EDTI estrutura suas soluções de treinamento para empresas.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre matriz 9 box e avaliação de desempenho?

A avaliação de desempenho mede o que a pessoa entregou no período. A matriz 9 box cruza esse desempenho com o potencial para orientar decisões de carreira, sucessão e desenvolvimento. Uma alimenta a outra.

Que erro as empresas mais cometem com a matriz 9 box?

Usar o desempenho de um único período e tratar a variação do resultado da área como mérito ou falha da pessoa. Ler o indicador em série e separar causas do processo de causas individuais reduz promoções equivocadas.

A Escola EDTI treina líderes para usar indicadores na gestão de pessoas?

Sim, em turmas fechadas presenciais, ao vivo on-line ou EAD, conforme o número de pessoas e o formato. A formação ensina o método; o projeto real da empresa é acompanhado pela consultoria, contratada à parte.

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