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Métodos de esterilização: tipos, indicadores e como monitorar o processo

A medida mais simples do trabalho de uma central de material esterilizado é contar ciclos: tantos ciclos de autoclave por dia, tantas caixas processadas. O número é fácil de obter e diz pouco. Um ciclo concluído não prova que o material está estéril. O que prova é o conjunto de indicadores lidos e registrados em cada ciclo, e a rastreabilidade que liga cada caixa ao ciclo em que passou.

A contagem de ciclos mede volume. A segurança do paciente depende de outra medida.

Quais são os métodos de esterilização?

Esterilização é o processo que elimina todas as formas de vida microbiana, inclusive esporos, de um produto para a saúde. Os métodos mais usados em serviços de saúde são:

Método Agente Característica principal
Vapor saturado sob pressão (autoclave) Calor úmido Método mais usado para materiais que suportam calor e umidade; rápido e de baixo custo
Óxido de etileno (ETO) Gás alquilante Baixa temperatura, para materiais sensíveis ao calor; exige aeração e controle ocupacional
Plasma de peróxido de hidrogênio Peróxido vaporizado e plasma Baixa temperatura, ciclo curto, sem resíduo tóxico; restrições de material e lúmen
Vapor a baixa temperatura e formaldeído (VBTF) Formaldeído com vapor Baixa temperatura para termossensíveis
Radiação ionizante Raios gama ou feixe de elétrons Uso industrial, para produtos de uso único
Calor seco Ar quente Em desuso em serviços de saúde; ciclos longos

A escolha do método depende do material e das recomendações do fabricante do produto, e segue o protocolo da CME e da comissão de controle de infecção. No Brasil, as boas práticas de processamento de produtos para saúde estão na RDC nº 15/2012 da ANVISA.

Indicadores de esterilização

Indicadores físicos: os parâmetros registrados pelo equipamento em cada ciclo (tempo, temperatura, pressão), conferidos e arquivados.

Indicadores químicos: fitas e tiras que mudam de cor quando expostas a condições do processo. A norma ISO 11140-1 os classifica em seis tipos, do indicador de processo (que só mostra que o pacote passou pelo equipamento) aos integradores e emuladores, que respondem a vários parâmetros.

Indicadores biológicos: esporos de microrganismos resistentes ao método, incubados após o ciclo. São o teste mais direto da capacidade de esterilizar, com a frequência definida pelas normas e pelo protocolo.

Em autoclaves com pré-vácuo, o teste de Bowie-Dick verifica diariamente a remoção de ar da câmara.

Fluxo da CME com os pontos de verificação: limpeza, preparo, esterilização com indicadores físicos, químicos e biológicos, armazenamento e distribuição com rastreabilidade
O fluxo da central de material esterilizado, com os pontos de verificação de cada etapa. A esterilização tem seus indicadores próprios, mas a garantia depende também da limpeza, do preparo, do armazenamento e da rastreabilidade até o paciente.

Como monitorar o processo de esterilização

Além de executar os testes, a CME precisa ler os resultados no tempo. Indicadores úteis: proporção de ciclos com todos os registros completos; ciclos reprovados por indicador químico ou biológico por mês; tempo de retorno do material para o centro cirúrgico; proporção de caixas com rastreabilidade até o paciente. Um ciclo reprovado isolado pede investigação e recolhimento conforme o protocolo; uma tendência de aumento pede revisão do processo, do equipamento ou da limpeza, que é a etapa que mais influencia o sucesso da esterilização.

A organização da central está em central de material esterilizado, e a relação com o controle de infecção, no guia de infecção hospitalar. Mudanças no fluxo podem ser testadas com ciclos PDSA.

Voltando ao início: a pergunta que um gestor de CME deveria conseguir responder sem consultar papéis não é quantos ciclos rodaram ontem, e sim que proporção deles tem todos os indicadores lidos e registrados, e se essa proporção está subindo ou caindo. Essa é a diferença entre medir produção e medir segurança, e é o tipo de indicador que o curso de Lean Healthcare, a introdução ao Lean Healthcare e a formação Green Belt ensinam a construir.


Conteúdo escrito e tecnicamente revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua.

Revisão médica: Dra. Flávia Keiko Ichida, médica oftalmologista (CRM-SP 111.925 · RQE 47.907). Método de melhoria sob orientação do Prof. Dr. Ademir Petenate, fundador da Escola EDTI e professor da Unicamp desde 1974.


Monitorar a esterilização é ler indicadores no tempo. O curso Fundamentos da Ciência da Melhoria em Saúde, da Escola EDTI, ensina a construir e ler esses indicadores com o Modelo de Melhoria.

Perguntas frequentes sobre métodos de esterilização

Qual o método de esterilização mais usado em hospitais?

O vapor saturado sob pressão (autoclave), para materiais que suportam calor e umidade.

Qual a diferença entre desinfecção e esterilização?

A esterilização elimina todas as formas de vida microbiana, inclusive esporos; a desinfecção elimina a maior parte dos microrganismos, mas não necessariamente os esporos.

Quais são os métodos de esterilização a baixa temperatura?

Óxido de etileno, plasma de peróxido de hidrogênio e vapor a baixa temperatura com formaldeído.

O que é indicador biológico?

Um dispositivo com esporos resistentes ao método de esterilização, incubado depois do ciclo para verificar se o processo foi capaz de eliminá-los.

Qual norma regula a CME no Brasil?

A RDC nº 15/2012 da ANVISA, sobre requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para saúde.

Que erro as CMEs mais cometem no monitoramento?

Medir volume (ciclos, caixas) em vez de completude dos registros e tendência de reprovações. O curso Fundamentos da Ciência da Melhoria em Saúde, da Escola EDTI, trabalha esse tipo de indicador.

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