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Associates in Process Improvement (API): quem criou o Modelo de Melhoria

A Associates in Process Improvement (API) é o grupo de estatísticos e consultores norte-americanos que criou o Modelo de Melhoria — as três perguntas mais o ciclo PDSA. Fundada em 1984 por profissionais que trabalharam com W. Edwards Deming, publicou o método em The Improvement Guide (1996) e o levou à saúde pelo IHI.

Quase todo material sobre melhoria cita “Langley et al.” em algum rodapé. Pouca gente sabe quem são esses autores, de onde vieram e por que o método deles é diferente de um PDCA com outra letra. A diferença não é detalhe de nomenclatura: ela explica por que tanta equipe roda ciclo atrás de ciclo e não aprende nada.

Saber de onde o método vem é a forma mais rápida de entender o que ele exige. E, no caso da API, a origem tem endereço: os seminários de Deming nos anos 1980.

O que é a Associates in Process Improvement (API)?

É uma empresa de consultoria em melhoria de qualidade e produtividade, fundada em 1984 nos Estados Unidos. O nome costuma aparecer abreviado como API — sem relação com interface de programação. Entre os fundadores e associados estão os seis autores de The Improvement Guide: Gerald J. Langley, Ronald D. Moen, Kevin M. Nolan, Thomas W. Nolan, Clifford L. Norman e Lloyd P. Provost.

O que une o grupo é a formação: quase todos são estatísticos, e vários trabalharam diretamente com Deming. Ronald Moen, um dos fundadores, foi assistente em cerca de 70 dos seminários de quatro dias de Deming entre 1983 e 1993. A API nasceu para responder a uma pergunta que esses seminários deixavam aberta.

O problema que a API resolveu: Deming dizia o quê, não o como

Quem saía de um seminário de Deming entendia que a organização é um sistema, que a variação tem causas comuns e especiais e que conhecimento se constrói testando teoria contra a realidade — o Sistema de Conhecimento Profundo de Deming. Na segunda-feira seguinte, porém, o gerente voltava para uma fila de 40 problemas e nenhuma rotina para atacar o primeiro.

O Prof. Ademir Petenate descreve esse desconforto no prefácio da edição brasileira do livro: ensinar Deming dava o “o quê” sem o “como”. A API transformou a teoria em um roteiro que cabe numa reunião de equipe: três perguntas para orientar o esforço e um ciclo para testar cada mudança.

1939Shewhart:ciclo do métodocientífico 1984Fundaçãoda API 1987Moen e Nolan:primeira versão 1994Langley, Nolane Nolan: 3 perguntas+ PDSA 1996The ImprovementGuide 1998Ademir Petenatena API (Black Belt) 2011Modelo deMelhoria (Brasil) Da teoria de Deming ao método da API — e ao Brasil EDTI
Figura 1. A linhagem do Modelo de Melhoria. Os pontos laranja são publicações e marcos da API; os escuros, a edição americana e a tradução brasileira coordenada pelo Prof. Ademir Petenate.

De onde veio o Modelo de Melhoria: a linha do tempo da API

O método não nasceu pronto num livro. Ele foi sendo afinado em artigos e projetos ao longo de quase dez anos:

Ano Marco O que acrescentou
1984 Fundação da API Grupo de estatísticos ligados aos seminários de Deming passa a atuar como consultoria
1987 Moen e Nolan, artigo na Quality Progress Primeira formulação do modelo de melhoria de processos
1991 Moen, Nolan e Provost, Improving Quality Through Planned Experimentation Planejamento de experimentos como forma de aprender sobre o sistema
1994 Langley, Nolan e Nolan, “The foundation of improvement” As três perguntas na frente do ciclo PDSA
1996 The Improvement Guide (2ª edição em 2009) O método completo, com conceitos de mudança e testes em escala
2011 Modelo de Melhoria, Mercado de Letras Edição brasileira, com tradução coordenada pelo Prof. Ademir Petenate

A ordem importa. As três perguntas do Modelo de Melhoria entram em 1994 justamente para que o ciclo não gire no vazio: sem objetivo, indicador e ideia de mudança, o PDSA vira atividade sem aprendizado.

O que a API mudou no ciclo: PDSA, não PDCA

Shewhart descreveu o ciclo do método científico; Deming o levou ao Japão e, mais tarde, insistiu que a terceira etapa fosse “Study”, estudar, e não “Check”, verificar. A API adotou o ciclo PDSA e acrescentou duas exigências que separam teste de tentativa:

  • Predição antes do teste. No Plan, a equipe escreve o que espera que aconteça. No Study, compara o resultado com a predição. É a diferença que gera conhecimento.
  • Escala crescente. Primeiro um turno, um leito, um paciente; depois mais. O teste pequeno falha barato e ensina rápido — a lógica está em como testar mudanças.

Um exemplo com número mostra o efeito. Uma central de agendamento quer reduzir o tempo de espera ao telefone, hoje com mediana de 6 minutos. A equipe prediz que um roteiro de triagem baixa a mediana para 4 minutos. Testa com 2 atendentes num único dia: a mediana cai para 5,2. A predição errou por 1,2 minuto — e é esse erro que mostra que a triagem resolve só parte do problema. Num PDCA de “verificar se deu certo”, o teste seria arquivado como sucesso parcial, sem pergunta nova. A comparação completa está em PDCA e PDSA.

É também por isso que as ferramentas do Green Belt em Lean Six Sigma são ensinadas dentro do PDSA: a carta de controle, o experimento planejado e a análise de dados só viram aprendizado quando respondem a uma predição.

A API e o IHI: como o método chegou à saúde

O Institute for Healthcare Improvement (IHI), criado em 1991, adotou o Modelo de Melhoria como base do seu trabalho. Membros da API atuaram no instituto — Ronald Moen foi senior fellow do IHI a partir de 1998, assim como Thomas Nolan. Pelos colaborativos do IHI, as três perguntas e o PDSA se espalharam por hospitais de vários países, inclusive do Brasil.

Esse caminho explica por que hoje o Modelo de Melhoria é mais conhecido na saúde do que na indústria, onde nasceu. O conteúdo é o mesmo; o que muda é o processo onde ele é aplicado. A linha está em melhoria em saúde.

A API e o Brasil: o elo é o Prof. Ademir Petenate

Em 1998, a Compaq procurou o Prof. Ademir Petenate, professor de Estatística da Unicamp desde 1974, para estruturar um programa de Seis Sigma nos moldes da unidade da empresa nos Estados Unidos. Ele viajou aos Estados Unidos e se formou Black Belt com a própria API. Na sequência, Clifford Norman e Lloyd Provost, dois dos autores, vieram à Unicamp conduzir a formação de Black Belts em parceria com a Compaq — fato registrado no prefácio da edição brasileira. Desse convênio nasceu o Programa Seis Sigma da Unicamp, no início dos anos 2000.

A partir daí, o Prof. Ademir passou a ser o elo da API no Brasil: recebeu consultores do grupo no país, coordenou a tradução brasileira de Modelo de Melhoria (Mercado de Letras, 2011) e é faculty do IHI. O trabalho desenvolvido por ele na Unicamp influenciou a definição operacional de melhoria publicada por Langley et al. — reconhecimento documentado pelos próprios autores nas notas do livro. A trajetória completa está na página do Prof. Ademir Petenate, e o contexto mais amplo, em Deming no Brasil.

A Escola EDTI, fundada por Marcelo e Ademir Petenate, ensina o Modelo de Melhoria com essa linhagem: o Modelo de Melhoria como estrutura, o PDSA como método e a teoria de Deming e de Shewhart como fundamento.

O que muda para quem aplica o método hoje

Conhecer a origem evita três erros comuns:

  1. Tratar o PDSA como formulário. O ciclo foi desenhado por estatísticos para gerar conhecimento. Sem predição escrita e sem dado ao longo do tempo, ele não cumpre a função.
  2. Pular as três perguntas. Elas não são introdução: definem o que conta como sucesso e qual indicador vai provar que a mudança foi uma melhoria. Mudança não é o mesmo que melhoria.
  3. Começar grande. A API insiste em testar pequeno porque o primeiro teste quase sempre revela um problema que ninguém tinha previsto.

Conteúdo revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua. Nesta revisão, o foco foi a origem do Modelo de Melhoria e o que ela exige de quem aplica o PDSA.


O Modelo de Melhoria parece simples porque cabe em três perguntas e quatro letras. O que a API ensinou é que a simplicidade está no formato, não na disciplina: predizer, medir no tempo e testar pequeno. O White Belt gratuito da Escola EDTI é o primeiro passo para praticar essa disciplina com método.

Perguntas frequentes sobre a Associates in Process Improvement

O que significa API no Modelo de Melhoria?

API é a sigla de Associates in Process Improvement, a consultoria norte-americana fundada em 1984 que criou o Modelo de Melhoria. Não tem relação com interface de programação de software.

Quem são os autores do Modelo de Melhoria?

Gerald J. Langley, Ronald D. Moen, Kevin M. Nolan, Thomas W. Nolan, Clifford L. Norman e Lloyd P. Provost, todos ligados à API. Por isso o método é citado como “Langley et al.”.

A API tem relação com Deming?

Sim. Vários membros trabalharam com Deming nos seminários dos anos 1980 e 1990, e o Modelo de Melhoria é uma forma prática de aplicar o Sistema de Conhecimento Profundo.

Qual a relação entre a API e o IHI?

O IHI adotou o Modelo de Melhoria como base dos seus programas, e membros da API atuaram no instituto como senior fellows. Foi assim que o método chegou à saúde em escala.

Quem trouxe o Modelo de Melhoria para o Brasil?

O elo é o Prof. Ademir Petenate, da Unicamp, que se formou Black Belt com a API em 1998, levou autores do grupo à Unicamp e coordenou a tradução brasileira do livro em 2011.

Existe livro da API em português?

Sim: Modelo de Melhoria, Mercado de Letras, 2011 (ISBN 978-85-7591-161-7), edição brasileira de The Improvement Guide.

Onde aprender o Modelo de Melhoria na prática?

Pelos cursos da Escola EDTI, que ensinam as três perguntas e o PDSA dentro da formação em Lean Six Sigma. O ponto de partida é o White Belt gratuito.

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