Um município de 30 mil habitantes registra 420 nascidos vivos num ano e 6 óbitos de menores de um ano. A taxa de mortalidade infantil é 14,3 por mil. No ano seguinte, são 410 nascimentos e 3 óbitos: 7,3 por mil. A taxa caiu pela metade e a secretaria comemora. No terceiro ano, 5 óbitos: 12,0. O que mudou de fato? Possivelmente nada. Com poucos eventos, um óbito a mais ou a menos move a taxa em 2,4 pontos.
A taxa de mortalidade infantil é um dos indicadores mais importantes da saúde pública. Exatamente por isso, precisa ser lida do jeito certo.
Como calcular a taxa de mortalidade infantil
Taxa de mortalidade infantil (TMI) = (óbitos de menores de 1 ano ÷ nascidos vivos no mesmo período e local) × 1.000.
No Brasil, os óbitos vêm do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e os nascimentos, do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), ambos do Ministério da Saúde. O resultado é expresso por mil nascidos vivos.
Calculadora de mortalidade infantil
Nascidos vivos no período
Óbitos de 0 a 6 dias · de 7 a 27 dias · de 28 a 364 dias
Mortalidade infantil: 14,3 por mil · neonatal precoce: 7,1 · neonatal tardia: 2,4 · pós-neonatal: 4,8 · cada óbito muda a taxa em 2,4 pontos
Componentes da mortalidade infantil
| Componente | Idade do óbito | O que costuma refletir |
|---|---|---|
| Neonatal precoce | 0 a 6 dias | Condições da gestação, do parto e da atenção ao recém-nascido |
| Neonatal tardia | 7 a 27 dias | Cuidados neonatais, inclusive em UTI neonatal |
| Pós-neonatal | 28 a 364 dias | Condições de vida, saneamento, nutrição, acesso à atenção primária |
Os componentes ajudam a orientar onde investigar. Quando a mortalidade infantil cai, é comum o componente pós-neonatal cair primeiro e o neonatal passar a concentrar a maior parte dos óbitos. A meta 3.2 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propõe reduzir a mortalidade neonatal para no máximo 12 por mil nascidos vivos até 2030.

Como ler a taxa em municípios pequenos
Com poucas centenas de nascimentos por ano, a taxa anual varia muito por acaso. Três cuidados evitam conclusões erradas:
- Agregar anos: usar a média móvel de três ou cinco anos.
- Olhar a contagem junto com a taxa: “6 óbitos em 420 nascimentos” é mais honesto que “14,3 por mil” sozinho.
- Ler a série no tempo, com a faixa de variação esperada, em vez de comparar dois anos. É o princípio de qualquer indicador de saúde, como mostram incidência e prevalência e o guia de epidemiologia.
Para melhorar o indicador, a análise de cada óbito pelo comitê de prevenção do óbito infantil e fetal e o acompanhamento de indicadores de processo (consultas de pré-natal, captação precoce da gestante, visita ao recém-nascido na primeira semana) dizem mais do que a taxa anual. Esses são processos da atenção primária e podem ser melhorados com ciclos PDSA.
O município do início não precisa de comemoração nem de alarme a cada ano. Precisa de uma série de dez anos, de uma média móvel e de indicadores de processo que mostrem se o pré-natal e o cuidado do recém-nascido estão acontecendo. Comemorar 7,3 e lamentar 12,0 tem um custo: enquanto a atenção vai para a oscilação, os processos que de fato determinam a taxa ficam sem medida. O método para medi-los está no curso de Lean Healthcare, na introdução ao Lean Healthcare e na formação Green Belt.
Conteúdo escrito e tecnicamente revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua.
Revisão médica: Dra. Flávia Keiko Ichida, médica oftalmologista (CRM-SP 111.925 · RQE 47.907). Método de melhoria sob orientação do Prof. Dr. Ademir Petenate, fundador da Escola EDTI e professor da Unicamp desde 1974.
Ler indicadores de saúde no tempo e medir os processos que os determinam é o centro do curso Fundamentos da Ciência da Melhoria em Saúde, da Escola EDTI.
Perguntas frequentes sobre taxa de mortalidade infantil
Qual a fórmula da taxa de mortalidade infantil?
Óbitos de menores de 1 ano divididos pelos nascidos vivos do mesmo período e local, multiplicado por 1.000.
Qual a diferença entre mortalidade infantil e neonatal?
A infantil considera óbitos até 364 dias de vida; a neonatal, até 27 dias, dividida em precoce (0-6) e tardia (7-27).
De onde vêm os dados de mortalidade infantil no Brasil?
Do SIM (óbitos) e do SINASC (nascidos vivos), do Ministério da Saúde, disponíveis no DATASUS.
Por que a taxa varia tanto em municípios pequenos?
Porque com poucos nascimentos cada óbito pesa muito na taxa. Agregar anos e ler a série no tempo reduz esse efeito.
O que é mortalidade pós-neonatal?
Os óbitos entre 28 e 364 dias de vida, mais ligados a condições de vida e de acesso à atenção primária.
Como começar a melhorar a mortalidade infantil num município?
Analisando cada óbito e acompanhando indicadores de processo do pré-natal e do cuidado ao recém-nascido no tempo. O curso Fundamentos da Ciência da Melhoria em Saúde, da Escola EDTI, mostra como testar mudanças nesses processos.