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O que é o Diagrama de Pareto, Como Fazer um e Aplicá-lo com Exemplos

O Diagrama de Pareto é uma importante ferramenta para fazer a gestão da qualidade dentro de uma empresa.

Como tem variadas possibilidades de aplicação, ele pode ser utilizado tanto no contexto administrativo quanto dentro da linha de produção.

Concebido pelo economista italiano Vilfredo Pareto, o método se popularizou depois de ser incorporado à gestão da qualidade pelo romeno Joseph Juran.

Nascido em Paris, filho de pai italiano, o autor se mudou para a “Velha Bota” ainda adolescente e lá se formou também como cientista político e sociólogo.

O diagrama que leva seu nome é uma derivação do também autoral Princípio de Pareto.

Aqui, propõe-se a regra de 80/20, indicando que a maioria dos problemas é causada por um número restrito de causas.

Hoje, o gráfico é utilizado para representar os problemas mais comuns que atrapalham a produtividade, elencando suas causas para estabelecer relações de prioridade de acordo com a incidência de cada erro.

O diagrama é construído com três eixos: a descrição dos problemas, o número de ocorrências e o percentual acumulado dessas causas dentro do sistema.

O gráfico resultante combina o uso de colunas para indicar número de eventos, com uma linha elíptica crescente, usada para representar a porcentagem verificada.

Continue lendo para saber mais sobre o Diagrama de Pareto, seus benefícios e aprender com exemplos como aplicá-lo para fazer a gestão da qualidade na sua empresa.

como preparar um diagrama de pareto

Diagrama de Pareto: O que é?

O Diagrama de Pareto – também conhecido como Gráfico 80/20 – é uma ferramenta que permite visualizar a frequência com a qual erros se repetem durante a rotina de produção, relacionando-os com as suas possíveis causas.

Serve para encontrar elementos suficientes para estabelecer uma comparação entre a repetição das causas e a ocorrência das falhas identificadas.

O diagrama é uma versão gráfica do Princípio de Pareto, proposto pelo mesmo autor, Vilfredo Pareto.

Segundo o tal princípio, que usa a mesma regra dos 80/20, é muito comum que 80% dos problemas verificados sejam originados por 20% das causas. E é isso que o diagrama busca observar na prática.

Dessa forma, é possível criar mecanismos para diminuir as falhas de maneira sistemática, focando os esforços nos pontos cruciais, que figuram com maior frequência entre os agentes causadores delas.

Muito utilizado nas áreas de controle da qualidade, o Diagrama de Pareto desponta com uma das sete principais ferramentas da Gestão da Qualidade Total.

Mas vale observar que a intenção do método não é, necessariamente, determinar quais são as causas dos erros enfrentados durante a produção.

Seu uso costuma ocorrer em um segundo momento, quando as causas já foram descobertas.

Assim, é empregado para classificá-las de acordo com a frequência com a qual aparecem e, em resposta, permitir estabelecer ações para lidar com elas, eliminar erros e o desperdício de recursos que ocorre em razão deles.

Como Criar um Gráfico de Pareto?

Antes de começar a utilizar o Gráfico de Pareto para apoiar a gestão da qualidade dentro da empresa, é preciso que fique muito claro qual é o seu objetivo com o uso.

Chamar uma reunião com o time e promover um brainstorming é uma boa maneira de garantir que a escolha do objetivo não será arbitrária ou deslocada das necessidades do grupo.

Prepare-se para a ocasião, levando dados preliminares sobre os problemas que são mais comuns dentro do fluxo de trabalho. Nesse momento, não se preocupe em pensar nas causas, pois elas devem aparecer conforme o processo se desenrola.

Aproveite a oportunidade para consultar a opinião do grupo sobre o que eles avaliam ser a razão dos problemas que mais atrapalham a produtividade.

A reunião deve ser finalizada com o desenvolvimento do plano de ação que vai ser usado para criar o diagrama, o que pode ser feito no Excel, inclusive. 

Assim, será definido um escopo para o projeto, prevendo o que será avaliado e o período de tempo que será utilizado como recorte.

Mais à frente, ainda neste artigo, vamos apresentar um passo a passo para criar um Diagrama de Pareto. Siga acompanhando.

Qual o Objetivo do Diagrama de Pareto

O principal objetivo de uso do Diagrama de Pareto dentro da gestão da qualidade é criar uma ordenação para os problemas e suas causas.

Assim, buscamos entender qual é a relação de ação-benefício para, a partir daí, estabelecer o que deve ser prioridade no planejamento.

A sua construção busca relacionar, como foi dito, os problemas com as suas causas mais frequentes.

No gráfico de Pareto, as informações são registradas em ordem crescente para que, assim, o gestor possa observar com mais facilidade quais são as causas ou problemas que devem ser priorizados para reduzir ou eliminar falhas.

Além disso, a ferramenta mostra quais são os fatores que mais têm atrapalhado a produtividade da empresa, permitindo desenvolver uma investigação mais aprofundada para entender qual a abordagem mais eficaz para minimizar várias causas de uma só vez.

Resumidamente, então, o diagrama possibilita uma análise ampla do contexto da produção para que o gestor possa alocar seus recursos da melhor maneira possível.

Afinal de contas, os insumos e a mão de obra existem em quantidade limitada, sendo preciso estabelecer uma ordem do que é mais importante e, portanto, deve ser resolvido primeiro.

quem foi vilfredo pareto

Quem foi Vilfredo Pareto

Wilfried Fritz Pareto, comumente referido apenas por Vilfredo Pareto, nasceu em Paris, em 1848.

De origem italiana, sua família detinha títulos da nobreza do Reino da Itália desde o início do século XVIII.

Seu nascimento em território francês aconteceu porque seu pai, Rafaelle Pareto, fora exilado no país por conta suas ideias republicanas, batendo de frente com a monarquia estabelecida em sua terra natal.

Na França, Rafaelle conhece a francesa Marie Méténier, com quem se casa e vem a ter um filho.

Aos 19 anos, o jovem Wilfried se muda com a família de volta para a Itália, onde passa a responder oficialmente pelo nome de Vilfredo Federico Pareto.

Lá, ele se forma como engenheiro, passando boa parte de sua vida profissional dedicado à construção de estradas de ferro.

Seu envolvimento com a Economia só aparece por volta dos 40 anos de idade, época em que começa a advogar pelo liberalismo econômico e o livre mercado.

Em 1893, Pareto é convidado para ocupar a cadeira de Economia Política na Universidade de Lausanne, na Suíça – onde permaneceu até o fim de sua vida.

É dentro da instituição que, em 1906, ele faz pela primeira vez a famosa observação de que 80% das propriedades italianas estavam concentradas nas mãos de 20% da população.

A famosa relação percentual apareceria outras vezes, em contextos diferentes.

Uma curiosidade é que o intelectual teve o estalo ao observar seu próprio jardim e perceber que apenas 20% das vagens eram responsáveis pela produção de 80% das ervilhas da temporada.

Os achados de Pareto foram mais tarde sintetizados pelo romeno Joseph Juran, em 1941.

Transplantado para o contexto da gestão da qualidade, o conceito foi, então, nomeado como Princípio de Pareto ou Regra 80/20, assumindo a forma que conhecemos hoje.

Como Funciona o Princípio de Pareto

Desde a sua primeira observação, por Vilfredo, até chegar aos dias de hoje, o Princípio de Pareto sofreu diversas adaptações para que pudesse atender a diferentes realidades e segmentos.

Talvez a maior mudança tenha sido realmente a que foi proposta por Joseph Juran, na década de 40.

Consultor de negócios e considerado um dos primeiros gurus da qualidade, Juran resgatou o conceito e criou a sua primeira expansão ao propor que a Regra 80/20 – como era chamada até então – podia também se aplicar em questões relativas à gestão da qualidade.

Hoje, o Princípio de Pareto é como uma regra de ouro dentro do mundo dos negócios, provando-se válido em indústrias de perfil variado.

Dentro da área de vendas, por exemplo, é comum que 80% da receita venha de apenas 20% da clientela.

Na ciência da computação, um estudo da Microsoft avaliou que até 80% dos erros de sistema poderiam ser eliminados se eles focassem em consertar os bugs mais relatados, que correspondem justamente a 20% do total.

O princípio pode ainda ser percebido no mundo dos esportes, na saúde, na matemática e, claro, na gestão da qualidade.

Como interpretar o Gráfico 80/20

Já falamos bastante da origem do Diagrama de Pareto e suas aplicações nas mais diversas indústrias.

Mas, afinal, como podemos interpretar os dados representados para promover as melhorias?

Por desígnio, o método reúne em sua expressão gráfica apenas os dados mais relevantes, dando destaque àqueles mais urgentes.

Assim, ao fazer a análise, o gestor pode identificar rapidamente quais são causas dos problemas mais recorrentes e focar ali os esforços do seu plano de ação.

Até porque não adianta muito dividir-se em mil para tentar eliminar 100% das causas se, com apenas 20% desse trabalho, você se habilita a ganhar até 80% em produtividade.

De modo geral, o Gráfico 80/20 é uma ferramenta simples e dinâmica, ainda que muito valiosa.

Para garantir o sucesso de sua aplicação, claro, é essencial se certificar de que os dados ali expostos são fiéis à realidade.

Tenha em mente essa recomendação ao criar o seu Diagrama de Pareto, como iremos ensinar na sequência.

Vantagens do Diagrama de Pareto

A partir de tudo que foi exposto até agora, podemos afirmar que a utilização do Diagrama de Pareto traz para o gestor uma maior confiança para a tomada de decisão.

Isso porque fica mais fácil visualizar quais serão as ações que devem desencadear transformações mais profundas e efetivas para o negócio.

Esse processo traz também a vantagem de permitir uma maior otimização dos recursos, sejam eles físicos, materiais ou humanos.

Em outras palavras, é possível direcionar o trabalho do seu time para as tarefas que vão gerar maior valor para o cliente final.

Assim, as estratégias tornam-se muito mais assertivas, porque a empresa passa a traçar seu planejamento baseada em dados reais e não em suposições.

No fim, esse trabalho tem o potencial de impulsionar os lucros da empresa, já que ajuda a identificar eventuais desequilíbrios entre tempo de trabalho e valor cobrado por cada serviço ou produto.

Ainda, o marketing pode usar o Princípio de Pareto para segmentar suas ações para 20% do público que trazem maior faturamento para a empresa.

Também a análise proposta pelo diagrama contribui com a saúde do empreendimento e a com qualidade das entregas de maneira geral, podendo  ter como consequência um time mais motivado e uma clientela satisfeita.

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Passo a Passo para Criar um Diagrama 80/20

Muito útil para os mais diversos segmentos de negócio, o Princípio de Pareto tem uma utilização que é mais simples do que se pode supor.

O processo começa com a definição do objetivo do uso ferramenta e termina com uma análise minuciosa dos resultados demonstrados.

Se você ficou curioso sobre como criar o seu próprio diagrama, confira abaixo o passo a passo, no qual destrinchamos todo o processo em etapas.

Passo 1: Defina o objetivo

O primeiro passo da sua jornada é definir qual objetivo que o levou a optar pelo Diagrama de Pareto dentre as várias ferramentas utilizadas na gestão da qualidade.

Partimos da ideia de que todo gráfico tem o objetivo de representar alguma coisa, certo?

Por isso, essa definição é fundamental para a próxima etapa, já que estabelece quais serão os dados que devem ser coletados.

Passo 2: Faça a coleta de dados

Esta é a etapa na qual você vai, de fato, começar a se implicar na construção do seu diagrama.

Formulários de coleta de dados e folhas de verificação podem ser empregados para reunir as informações definidas como relevantes no passo anterior.

É importante garantir que não esqueça nenhum aspecto importante para a sua análise, usando, para isso, ferramentas de verificação que levem em consideração o seu objetivo, as definições operacionais, entre outras variáveis do trabalho.

Passo 3: Estabeleça uma categorização

Depois de ter reunidas todas as informações relevantes para a sua análise, você precisa começar a dividi-las em categorias. São elas que darão origem ao gráfico.

Crie uma tabela e vá organizando os erros e as causas conforme necessário.

A sua classificação pode seguir um padrão por tipo de problema/defeito, departamento responsável, tempo, custo, tamanho, entre outros.

Ao construir a tabela, o mais importante é escolher categorias que sejam úteis para o seu contexto, objetivo e segmento de negócios.

Passo 4: Construa as barras de ocorrências

O próximo passo é o que vai garantir que, posteriormente, você consiga analisar rapidamente os problemas e causas conforme a sua prioridade.

É nesse momento que você deve organizar as colunas na ordem da maior para a menor.

Assim, consegue identificar quais são as ocorrências mais frequentes e saberá que ali está o seu ponto de partida para as melhorias.

Passo 5: Faça um gráfico de linha com porcentagens

O penúltimo passo para criar o seu Diagrama de Pareto é inserir a linha com as porcentagens acumuladas de cada categoria.

Para tanto, primeiro, deve calcular a porcentagem de cada causa/defeito em relação ao total.

Calculado o valor, você vai fazer a representação gráfica, ajustando a escala para o intervalo de 0 a 100%.

Passo 6: Dedique-se à análise dos dados

O último passo é o da análise dos dados coletados, organizados e representados em seu Gráfico 80/20.

Assim que o diagrama estiver finalizado, você será capaz de detectar de imediato se alguma categoria se sobressai, quais são as causas mais comuns e se, de fato, o Princípio de Pareto se aplica aos dados analisados.

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Como Usar o Diagrama de Pareto na Qualidade

O Diagrama de Pareto, como você viu, pode ser usado em diferentes contextos.

Dentro da gestão da qualidade, ele ajuda a identificar as fontes mais comuns dos seus problemas para que você possa criar um plano de ação focado em melhorias.

Assim, você sabe exatamente para onde direcionar os esforços e garantir o máximo de resultado com o mínimo de esforço.

Ele ajuda também a detectar desperdícios no ciclo de produção, indicando se é possível cortar alguma atividade que atualmente compõe o fluxo de produção, mas não gera valor ao cliente.

Toda essa otimização dos insumos e recursos humanos gera reflexos junto ao cliente que, sem saber das causas dos problemas, percebe apenas uma melhoria geral na qualidade.

Exemplos de Diagrama de Pareto

Mesmo dentro de uma só empresa, são diversas as aplicações do Diagrama de Pareto de acordo com o que precisa ser verificado.

Na manufatura, por exemplo, se várias peças apresentam defeitos, é possível isolar as causas para entender se a raiz desses problemas não é um componente de má qualidade.

Ainda, se houver alterações no lote de um produto, o gráfico pode ser montado para avaliar quais as razões das falhas e entender se existe confluência entre os defeitos.

Fora da indústria, o próximo exemplo vem do ramo hoteleiro.

Vamos supor que, com frequência, os hóspedes de um determinado resort têm deixado avaliações negativas na página do estabelecimento.

Essas opiniões podem ser catalogadas e organizadas em um gráfico para entender quais são os motivos principais de queixa e também como implementar melhorias de maneira assertiva para resultados rápidos.

O último exemplo vem do atendimento ao cliente.

Vamos pensar em um consultório médico que recebe contatos durante todo o dia, em um ritmo frenético.

Ainda assim, o setor de agendamento não consegue preencher os horários da semana.

Nesse caso, pode ser feita uma análise com o Diagrama de Pareto para entender se o motivo pelo qual as pessoas não têm agendado é o preço, o horário de atendimento, ou algum outro.

Conclusão

O que surgiu no século XIX como uma ferramenta de análise da macroeconomia, evoluiu através das décadas, chegando ao século XXI como uma importante ferramenta de gestão e controle da qualidade.

O Princípio de Pareto prega que 80% das ocorrências são, em geral, ocasionadas por 20% das causas.

O conceito acabou se expandindo e, hoje, é aplicado na ciência da computação, saúde, gestão, marketing, entre outras áreas.

O diagrama que deriva do princípio é simples e prático, permitindo uma análise rápida sobre quais melhorias precisam ser priorizadas para garantir a qualidade da produção.

Seguindo nosso passo a passo, você também pode criar seu plano de ação para garantir grandes resultados com pequenas melhorias.

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