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Teorias de enfermagem: as principais teóricas e como cada uma muda a prática

Muita gente sai da graduação com a impressão de que teoria de enfermagem é matéria de prova: decorar nomes, datas e conceitos, e depois esquecer no primeiro plantão. A crença tem um fundo de verdade, porque muitas vezes a teoria é ensinada separada da prática. Mas ela erra no essencial. Toda unidade de enfermagem trabalha com uma teoria, declarada ou não. A pergunta é só se a equipe sabe qual é.

Quando o histórico de enfermagem pergunta sobre sono, alimentação, eliminação e autocuidado, alguém escolheu esses itens a partir de uma ideia sobre o que o paciente precisa. Essa ideia é uma teoria.

O que são teorias de enfermagem?

Teorias de enfermagem são formulações que explicam o que é o cuidado de enfermagem, qual o seu objetivo e como ele deve ser organizado. Elas definem conceitos centrais (pessoa, ambiente, saúde e enfermagem) e dão a base para o processo de enfermagem: o que avaliar no histórico, como formular diagnósticos, o que planejar e como avaliar o resultado. No Brasil, o processo de enfermagem é regulamentado por resolução do COFEN e deve ser baseado em suporte teórico.

As principais teorias de enfermagem

Teórica Teoria Ideia central O que muda no histórico e no plano
Florence Nightingale Teoria ambientalista O ambiente (ar, luz, limpeza, ruído) influencia a recuperação Avaliação e ajuste do ambiente do paciente
Wanda Horta Necessidades humanas básicas Necessidades psicobiológicas, psicossociais e psicoespirituais Histórico organizado por necessidades; muito usada no Brasil
Virginia Henderson 14 necessidades básicas Ajudar a pessoa a realizar o que faria sozinha se tivesse força, vontade ou conhecimento Foco em independência nas atividades diárias
Dorothea Orem Teoria do autocuidado A enfermagem atua quando há déficit de autocuidado Avaliação do que o paciente consegue fazer; sistemas de apoio
Hildegard Peplau Relações interpessoais A relação enfermeiro-paciente é o instrumento do cuidado Fases da relação; muito usada em saúde mental
Callista Roy Modelo de adaptação A pessoa é um sistema que se adapta a estímulos Avaliação de respostas adaptativas e estímulos
Jean Watson Teoria do cuidado humano O cuidado transpessoal como essência da enfermagem Ênfase na relação e no sentido do cuidado
Madeleine Leininger Cuidado transcultural O cuidado precisa considerar a cultura da pessoa Avaliação de crenças e práticas culturais
Imogene King Alcance de metas Enfermeiro e paciente definem metas juntos Metas compartilhadas no plano de cuidados

A teoria de Wanda Horta, a mais adotada nos serviços brasileiros, está explicada em detalhe em teoria de Wanda Horta.

A teoria escolhida define o que entra no histórico, que define os diagnósticos, que definem o plano e a avaliação
Como a teoria escolhida se propaga pelo processo de enfermagem: ela define as perguntas do histórico, que definem os diagnósticos, o plano e o que é avaliado.

Como escolher a teoria que guia a unidade

Não existe teoria certa para todo serviço. Três perguntas ajudam:

  • Qual é o perfil dos pacientes? Reabilitação e doença crônica combinam com o autocuidado de Orem; saúde mental, com Peplau; internação geral, com Horta ou Henderson.
  • O instrumento de histórico reflete a teoria? Uma unidade que declara Horta e usa um histórico copiado de outro lugar está trabalhando sem teoria, na prática.
  • A equipe consegue usar no tempo do plantão? Um instrumento completo que ninguém preenche vale menos que um enxuto preenchido sempre.

Daqui em diante, o problema é de processo

A teoria resolve a pergunta “o que avaliar”. Ela não resolve se o histórico é feito em todas as admissões, se o diagnóstico vira plano, se o plano chega ao técnico que executa e se a avaliação acontece. Essas são perguntas de processo, e é aí que muitos serviços travam. Os diagnósticos de enfermagem e o exame físico de enfermagem são etapas desse processo; as atribuições de cada categoria estão na Lei 7.498/86; e o conjunto da profissão, no guia de enfermagem.

Medir a proporção de admissões com histórico completo nas primeiras 24 horas, ou de prescrições de enfermagem efetivamente checadas, é o tipo de indicador que transforma a teoria em rotina. O método para isso aparece no curso de Lean Healthcare, na introdução ao Lean Healthcare e, para quem vai conduzir projetos com dados, na formação Green Belt.


Conteúdo escrito e tecnicamente revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua.

Revisão médica: Dra. Flávia Keiko Ichida, médica oftalmologista (CRM-SP 111.925 · RQE 47.907). Método de melhoria sob orientação do Prof. Dr. Ademir Petenate, fundador da Escola EDTI e professor da Unicamp desde 1974.


Da teoria declarada ao processo que acontece em todo plantão. O curso Fundamentos da Ciência da Melhoria em Saúde, da Escola EDTI, ensina a medir e melhorar o processo de enfermagem com o Modelo de Melhoria e ciclos PDSA.

Perguntas frequentes sobre teorias de enfermagem

Qual a teoria de enfermagem mais usada no Brasil?

A teoria das necessidades humanas básicas, de Wanda Horta, é a mais adotada nos serviços e no ensino brasileiros.

Quem é considerada a primeira teórica da enfermagem?

Florence Nightingale, com a teoria ambientalista, no século XIX.

Qual a diferença entre a teoria de Orem e a de Henderson?

Henderson foca as 14 necessidades em que a enfermagem ajuda a pessoa a ser independente; Orem organiza o cuidado pelo déficit de autocuidado e pelos sistemas de apoio.

Para que serve uma teoria de enfermagem na prática?

Para definir o que avaliar no histórico, como formular diagnósticos e o que planejar e avaliar, dando coerência ao processo de enfermagem.

O processo de enfermagem precisa ter uma teoria?

Sim. A resolução do COFEN sobre o processo de enfermagem prevê que ele seja baseado em suporte teórico.

Onde a teoria de enfermagem entra na melhoria de processos?

Ela define o que o processo deve garantir; a melhoria mede se ele garante. O curso Fundamentos da Ciência da Melhoria em Saúde, da Escola EDTI, mostra como fazer essa medição.

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