A filha do paciente diz que o serviço de home care “é ótimo, a técnica é um amor”. A operadora do plano diz que o custo por paciente subiu 22% no ano. A enfermeira supervisora diz que passa metade do dia remarcando visitas porque a escala muda toda semana. E o médico assistente diz que só soube da última internação pela família. As quatro pessoas falam do mesmo serviço, e todas têm razão.
O desacordo mostra o que é difícil em atenção domiciliar: o cuidado acontece longe do hospital, espalhado por dezenas de casas, e depende de uma coordenação que ninguém vê.
O que é home care?
Home care, ou atenção domiciliar, é o conjunto de ações de saúde prestadas na casa do paciente, que vão da visita periódica de profissionais à internação domiciliar com cuidado contínuo. No Brasil, o funcionamento dos serviços de atenção domiciliar é regulamentado pela ANVISA na RDC nº 11/2006, e, no SUS, a atenção domiciliar é organizada pelo Ministério da Saúde no programa Melhor em Casa, com equipes multiprofissionais de atenção domiciliar. A indicação do cuidado domiciliar e o plano terapêutico são decisões da equipe de saúde.
Modalidades de atenção domiciliar
| Modalidade | O que é | Exemplos |
|---|---|---|
| Assistência domiciliar | Visitas periódicas para procedimentos e acompanhamento | Curativos, administração de medicação, fisioterapia |
| Internação domiciliar | Cuidado mais intensivo e contínuo, com estrutura próxima à hospitalar | Pacientes com ventilação, nutrição enteral, antibiótico venoso |
| Cuidados paliativos domiciliares | Conforto e controle de sintomas em doença avançada | Acompanhamento de fim de vida em casa |
O SUS organiza a atenção domiciliar em níveis de complexidade, de acordo com a necessidade de cuidado e a frequência de visitas, com a atenção básica cuidando dos casos mais estáveis e as equipes do Melhor em Casa dos mais complexos.

Os processos que decidem a segurança em casa
Admissão e plano de cuidado: avaliação do paciente e do domicílio, definição do cuidador, plano escrito e compartilhado.
Escala e visitas: profissional fixo por paciente sempre que possível, com rota planejada; a troca constante de quem visita prejudica a continuidade e a detecção de piora.
Medicamentos e insumos: conciliação medicamentosa na admissão, entrega no prazo, armazenamento e descarte orientados.
Comunicação: canal definido com o médico assistente e com a família para sinais de alerta; registro de cada visita acessível à equipe.
Indicadores no tempo: visitas realizadas no dia previsto, internações hospitalares não planejadas por cem pacientes-mês, lesões por pressão adquiridas em casa, quedas e satisfação da família, lidos mês a mês.
A segurança do paciente em casa tem os mesmos riscos do hospital, com menos barreiras: lesão por pressão, quedas, erro de medicação. As metas de segurança do paciente e a lógica da atenção primária valem também aqui.
Daqui em diante, o problema é de coordenação
A técnica que visita pode ser excelente e o cuidado pode falhar mesmo assim, porque o que decide o resultado em home care é a ligação entre as partes. A partir do ponto em que a assistência está bem feita na casa, o problema passa a ser da gestão do serviço: escala estável, comunicação com o médico, entrega de insumos e indicadores lidos no tempo. É uma questão de processo, e pode ser melhorada com ciclos PDSA testados numa região antes de mudar o serviço todo. O olhar de fluxo está no curso de Lean Healthcare e na introdução ao Lean Healthcare; o projeto com dados, na formação Green Belt. A gestão de serviços de saúde em geral está em gestão de clínicas.
Conteúdo escrito e tecnicamente revisado pelo Master Black Belt Marcelo Petenate, estatístico, formado pela Unicamp, mestre pela USP e especialista em Lean Six Sigma e melhoria contínua.
Revisão médica: Dra. Flávia Keiko Ichida, médica oftalmologista (CRM-SP 111.925 · RQE 47.907). Método de melhoria sob orientação do Prof. Dr. Ademir Petenate, fundador da Escola EDTI e professor da Unicamp desde 1974.
Medir e melhorar a coordenação do cuidado domiciliar é trabalho de método. O curso Fundamentos da Ciência da Melhoria em Saúde, da Escola EDTI, ensina esse caminho com o Modelo de Melhoria e ciclos PDSA.
Perguntas frequentes sobre home care
Qual a diferença entre assistência e internação domiciliar?
A assistência domiciliar é feita por visitas periódicas; a internação domiciliar oferece cuidado mais intensivo e contínuo, com estrutura próxima à hospitalar.
Qual norma regulamenta o home care no Brasil?
A RDC nº 11/2006 da ANVISA, sobre o funcionamento dos serviços de atenção domiciliar. No SUS, a atenção domiciliar é organizada pelo programa Melhor em Casa.
O plano de saúde é obrigado a cobrir home care?
A cobertura depende do contrato e da regulamentação da ANS, e é tema frequente de discussão judicial. Consulte a ANS e o contrato do plano.
Quem faz parte da equipe de home care?
Em geral, médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, fisioterapeuta, nutricionista, fonoaudiólogo, assistente social e psicólogo, conforme a necessidade do paciente.
Quais indicadores usar em home care?
Visitas realizadas no prazo, internações não planejadas, lesões por pressão e quedas em casa, e satisfação da família, lidos no tempo.
Como começar a melhorar um serviço de home care?
Escolhendo uma ligação que falha (escala, insumos, comunicação), medindo-a e testando uma mudança numa região. O curso Fundamentos da Ciência da Melhoria em Saúde, da Escola EDTI, mostra esse caminho.