O impacto da metodologia Lean na Logistica da sua empresa

Colocar em prática os conceitos da logística Lean pode ser o caminho para uma empresa superar sua concorrência, tornando seus processos de transporte, armazenamento e entrega mais eficientes.

Quando se trata de uma companhia que presta o serviço de transporte, a importância de aplicar a filosofia Lean na logística é ainda maior.

Afinal, estamos falando do core business, ou seja, da atividade principal que a organização desenvolve.

Nesse caso, ter uma logística eficiente não é um diferencial, mas questão de sobrevivência, pois é o que determina se o serviço prestado é de qualidade ou não – e a fidelização dos clientes e reputação da marca dependem disso.

Mas não se engane se o negócio no qual atua pertence a outro segmento.

Não sendo o transporte de mercadorias a atividade-fim da companhia, a logística enxuta não deixa de ser importante.

Em um mercado competitivo e com produtos tão parecidos, pode ser a diferença que destaca uma empresa de seus concorrentes.

Por meio da redução de desperdícios, a filosofia Lean possibilita à organização ter processos mais ágeis.

E quando essa ideia é aplicada à logística, o cliente não demora a perceber.

Siga a leitura e entenda como a logística enxuta ajuda a agregar valor à empresa.

O que é logística Lean?

O que é logística Lean?

Logística Lean é um conjunto de práticas que tem o objetivo de reduzir os desperdícios nos processos de transporte, movimentação e armazenamento de produtos, materiais, equipamentos e peças.

Chegamos a essa definição simplesmente buscando entender o que é logística e o que é Lean.

Logística é o planejamento, gestão, execução e controle dos ciclos de transporte de itens.

Por transporte de itens, nos referimos genericamente às atividades que mencionamos antes: transporte, movimentação e armazenamento de produtos finais, materiais, equipamentos e peças.

O objetivo dos profissionais de logística é buscar um equilíbrio entre custo e agilidade nesses processos.

Ou seja, as movimentações não devem demorar, mas precisam ser organizadas de modo eficiente para que não causem prejuízo para a companhia.

É por isso que a metodologia Lean casa tão bem com o setor de logística.

Mais que um conjunto de práticas, é uma filosofia de melhoria contínua e redução de desperdícios nos processos das empresas.

Inspirado no Sistema Toyota de Produção, desenvolvido pela fabricante japonesa de automóveis, o Lean Manufacturing foca em oito tipos de desperdícios.

Confira quais são eles:

Transporte

Estoque

Movimentação

Espera

Superprodução

Processamento excessivo

Defeitos

Habilidades.

Os dois primeiros desperdícios são especialmente relevantes na gestão dos processos de logística de uma empresa.

Ao longo do texto, vamos detalhar melhor esses e outros conceitos da logística Lean para que você entenda melhor.

Logística Lean: conceitos básicos

Logística Lean: conceitos básicos

A premissa principal da filosofia Lean é, como já explicamos aqui, a redução de desperdícios. Esse é o ponto de partida.

É importante ressaltar que reduzir desperdício é muito diferente de economizar recursos.

Não se trata de produzir com a menor quantidade de insumos possível, tendo como objetivo gastar menos.

Na verdade, a proposta é otimizar os processos, trabalhando de forma mais inteligente para ofertar um serviço de qualidade com maior produtividade.

Outro conceito do Lean é a padronização das melhores práticas e procedimentos operacionais.

Para isso, é imprescindível ter uma boa comunicação interna e adequados processos de documentação.

A melhoria contínua é mais um conceito da filosofia Lean – e um dos mais importantes, aliás.

A empresa deve fomentar a cultura do aperfeiçoamento constante.

Isso significa que não é preciso esperar a convocação do chefe ou o surgimento de algum problema para pensar em melhorias nos processos.

Por essas e outras, só é possível implementar a logística Lean com o envolvimento e engajamento dos colaboradores de todos os níveis, não apenas dos gestores.

O Lean estimula o trabalho em equipe e, ao mesmo tempo, a autonomia dos funcionários envolvidos.

Para que dê certo, portanto, os profissionais precisam ser capacitados e treinados quanto às melhores práticas.

Falaremos mais sobre isso no final do artigo.

Exemplo de logística Lean

Exemplo de logística Lean

Você viu que um dos oito desperdícios que a metodologia Lean Manufacturing combate está no estoque.

É preciso ter cuidado para que a quantidade de itens armazenados não esteja em desequilíbrio com a demanda dos clientes.

Um exemplo de logística Lean, portanto, são as ações que uma empresa coloca em prática para reduzir seu estoque.

Desse modo, há menos produtos parados, o que reduz os custos com a gestão do estoque e a probabilidade de os itens estragarem.

Claro que essas ações devem ser baseadas em dados e obedecerem a critérios bem definidos.

Tudo para que não ocorra a falta de produtos essenciais nas unidades de venda ou demora na entrega dos itens.

Falando em entrega, outro exemplo de logística Lean são as ações que otimizam o transporte, seja ele de produtos para as lojas ou o consumidor final, de equipamentos e ferramentas entre setores ou até mesmo de profissionais que prestam serviços.

Como exemplo mais concreto de ações desse tipo, podemos citar a criação de rotas de abastecimento inteligentes, nas quais o número total de viagens é reduzido sem que se deixe de fazer as entregas necessárias.

Ferramentas de logística Lean

Ferramentas de logística Lean

Os exemplos acima foram bastante genéricos, porque não é possível ser específico ao falar deste assunto sem entrar em detalhes sobre as ferramenta de logística Lean.

A seguir, falaremos sobre algumas delas.

Indicadores de Desempenho Logístico

Os Indicadores de Desempenho Logístico são um conjunto de métricas quantitativas que resultam em indicadores que refletem a performance da área logística de uma empresa.

Não é possível implementar o sistema de Lean Manufacturing sem bons indicadores.

Apenas com eles os gestores terão uma base para avaliar o desempenho e planejar metas para a melhoria contínua.

A tomada de decisão deve sempre ser amparada pelos indicadores, que precisam ser transparentes, de conhecimento não apenas daqueles que ocupam as posições hierárquicas mais elevadas, mas de todos os colaboradores.

Existem diferentes tipos de indicadores. Conheça alguns:

De produtividade: como a quantidade de entregas por determinado período de tempo

De qualidade: como os números que indicam o grau de satisfação dos clientes

De capacidade: qual o máximo que certo processo pode entregar com determinada quantidade de recursos em determinado período de tempo

Estratégicos: aqueles que ajudam a entender o quão próxima a empresa está de seus objetivos estratégicos.

É importante que o gestor consulte mais de um indicador para ter uma visão ampla da performance do setor de logística.

Afinal, isoladamente eles podem esconder fatos importantes a serem considerados no processo de tomada de decisão.

5S

O 5S é uma ferramenta que tem o propósito de aumentar a eficiência e eficácia dos processos produtivos, o que acontece por meio de práticas de organização do espaço de trabalho.

Os 5Ss que compõem o nome da ferramenta são os seguintes termos da língua japonesa:

Seiri: é o senso de utilização e de descarte, ou seja, uma análise de quais materiais, equipamentos e processos têm utilidade e quais não têm e devem ser descartados

Seiton: é o senso de ordenação e organização, segundo o qual todos os itens que compõem a empresa devem estar organizados de maneira eficiente. Nada de mesas e salas caóticas com objetos fora do lugar, portanto

Seiso: segundo o senso de limpeza, o ambiente não pode ser considerado organizado se não estiver limpo. Isso torna o local de trabalho mais seguro e diminui a probabilidade de ocorrerem danos nos equipamentos.

Seiketsu: para que a ordenação, organização e limpeza não se perca com o passar dos dias de trabalho, é preciso que haja o seiketsu, o senso de normatização. Ou seja, transformar os passos anteriores em rotina

Shitsuke: por fim, temos o senso de autodisciplina, segundo o qual todos os colaboradores devem se comprometer a tornar as práticas anteriores um hábito sem que seja preciso cobrá-los diariamente.

Na logística Lean, a aplicação dos 5Ss serve, principalmente, nos processos de organização de estoque.

Mapeamento do Fluxo de Valor (VSM)

O Mapeamento do Fluxo de Valor é uma ferramenta mais conhecida pela sigla VSM, do inglês Value Stream Mapping.

Trata-se do mapeamento de um conjunto de processos que são necessários para a obtenção de determinado resultado.

É um recurso de muita relevância dentro da cadeia logística das organizações.

O VSM mapeia o fluxo de informações e materiais e ajuda a obter dados sobre o tempo de execução associado.

Assim, fica mais fácil solucionar as necessidades dos clientes com menos atrasos e desperdícios.

Justamente por isso, o uso dessa ferramenta pode ser considerada uma prática de logística Lean.

Afinal, facilita a identificação e a redução dos desperdícios a partir de gráficos e projeções de como os valores devem fluir no cenário ideal.

Para aplicar o VSM, o gestor deve entender o funcionamento do fluxo de valor, decidir qual fluxo quer mapear, desenhar a forma como o valor deve fluir e projetar e implementar o estado futuro.

Com esse grau de detalhamento, a empresa aprimora seus processos logísticos, prestando um serviço melhor a seus clientes e, ao mesmo tempo, reduzindo seus custos operacionais.

Kaizen

O método Kaizen é outra ferramenta que tem origem no Sistema Toyota de Produção.

Essa é uma abordagem que busca a melhoria contínua e a redução de desperdícios em pequenos passos, a partir de sugestões dos colaboradores.

A ideia é aproveitar a visão das pessoas que estão mais próximas dos processos, tendo em vista que os gestores e diretores, apesar de serem responsáveis por defini-los e mapeá-los, envolvem-se menos na parte prática da execução.

Aqui, estamos falando principalmente de mudanças de menor dimensão, que podem ser implementadas rapidamente e sem um alto custo.

O foco não é nos resultados imediatos trazidos por cada uma dessas mudanças, e sim no benefício cumulativo da cultura Kaizen, que é facilmente percebido com a melhoria na qualidade e a significativa redução dos desperdícios ao longo dos anos.

A utilidade dessa prática não se restringe aos processos de logística, mas sim a todas as áreas de uma organização.

Heijunka

O heijunka é um fundamento do Lean Manufacturing que diz respeito à produção, mas impacta diretamente na logística.

É um conceito que significa produção nivelada, útil principalmente quando o padrão de pedidos do cliente é inconstante. Portanto, a demanda é difícil de prever.

Nesse cenário, o heijunka é um sistema que permite manter o mesmo portfólio sem atrasar as entregas nem acumular itens no estoque.

Isso acontece graças à prática de nivelamento do tipo e quantidade de produção durante um período fixo de tempo, com lotes proporcionais à demanda naquela época.

Dessa forma, não são criados problemas para o setor de logística, que pode continuar com sua atuação enxuta.

Logística enxuta: vantagens

Implementar a logística Lean, que pode ser traduzida como logística enxuta, traz vários benefícios para a empresa.

Um deles é que os problemas se tornam mais visíveis, já que é implementada uma cultura de melhoria contínua, na qual os colaboradores são estimulados a reportá-los sem medo.

Esse protagonismo dado aos trabalhadores de todos os níveis hierárquicos é fundamental na filosofia Lean.

Porque são eles que estão, de fato, perto dos problemas.

Sendo assim, se mostram muito mais capazes de identificá-los e, em alguns casos, de propor melhorias.

Desse modo, a gestão dos processos não fica restrita aos escritórios. Em vez disso, é compartilhada com as pessoas envolvidas na operação.

Ao mesmo tempo que é mais efetiva e ágil, essa dinâmica colabora para um maior engajamento e melhora no clima organizacional.

Como os funcionários são considerados partes ativas na solução de problemas, seu desempenho tende a se aprimorar.

Além de tornarem possível identificar os problemas mais rapidamente, as práticas da logística Lean evitam que problemas futuros aconteçam.

Isso acontece graças à política de melhoria contínua, que identifica oportunidades de aperfeiçoamento mesmo quando tudo parece estar em ordem.

Desse modo, a empresa que investe no sistema de logística Lean economiza gastos com gestão de crises e tem clientes mais satisfeitos.

Como a logística Lean aumenta a eficiência de uma empresa?

O Lean Manufacturing é uma metodologia que foi inspirada no Sistema de Produção Toyota, criado na montadora japonesa depois da Segunda Guerra Mundial.

Era uma época difícil, especialmente para os países que saíram derrotados, caso do Japão.

Para a Toyota, a solução para enfrentar o cenário adverso e reduzir os riscos era eliminar o máximo possível os desperdícios, com uma produção eficiente, estoque reduzido e fluxo de caixa curto.

Antes de aprender as minúcias técnicas das ferramentas da produção e logística Lean, é preciso compreender esses pilares.

Seja qual for o método utilizado, ele sempre será aplicado visando a eficiência nos termos que acabamos de descrever.

É por isso que costuma-se dizer que, antes de ser uma metodologia, o Lean é uma filosofia.

Não é que as ferramentas não sejam importantes, mas sim que elas existem para colocar em prática os mesmos conceitos que tornaram a Toyota uma empresa inovadora.

Como você pôde perceber aqui, a logística é uma das principais áreas que podem – e devem – ser transformadas pelo sistema Lean.

E é assim porque três dos oito desperdícios abordados pela metodologia estão no estoque, o transporte e a movimentação.

Nossa recomendação é que você comece a implementar a logística Lean e, depois, veja a cultura da melhoria contínua e da redução de desperdícios sendo disseminada naturalmente para os demais setores da empresa, a qual se torna mais eficiente como um todo.

Curso Lean Manufacturing

A melhor maneira de implementar a logística Lean dentro da empresa é capacitando gestores e colaboradores nos conceitos e técnicas do sistema Lean Manufacturing.

E a formação ideal está na Escola EDTI, referência nacional em cursos de treinamento de profissionais e equipes em metodologias de melhoria de processos.

Entre essas formações está o Curso de Lean Manufacturing, desenvolvido a partir da larga experiência prática e acadêmica dos consultores da instituição.

O curso presencial tem 16 horas de aulas, e o aluno obtém materiais impressos e em PDF, certificado de conclusão, acesso à plataforma de ensino a distância e um mês de suporte por e-mail e telefone.

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Já se você prefere a modalidade de cursos online, confira nesta página as opções de formações a distância da EDTI, que permitem a você estudar sem sair de casa.

Conclusão

Implementar as práticas da logística Lean é um movimento inteligente.

Não apenas para empresas do setor de transportes, mas para qualquer organização que conte com um estoque ou processos de logística em geral.

Primeiro porque os gastos com logística se posicionam entre os principais custos de uma empresa.

Se eles estão altos demais, inevitavelmente, isso acaba se refletindo em um preço de venda pouco competitivo.

Processos mais enxutos nessa área resultam no contrário: despesas menores sem que isso acarrete a perda de qualidade e eficiência no trabalho que é feito pelo setor.

Na realidade, a implementação da logística Lean permite que o serviço de logística da empresa não apenas se torne mais barato, mas também melhor.

E o cliente não tardará a perceber isso, seja ele outra empresa, no caso de relações comerciais B2B, ou o consumidor final, pessoa física.

Essa fórmula – preços mais baixos e serviço eficiente – resulta em maior competitividade, que deve ser o objetivo de qualquer empresa.

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